A privatização da companhia de distribuição de gás natural do Espírito Santo, a ES Gás, deve se concretizar até o mês de março do ano que vem. Anunciada em março de 2020, a decisão do governo do Estado de vender o controle da distribuidora foi bem recebida pelo mercado e vem sendo aguardada desde então. Essa será a primeira privatização de uma empresa pública estadual da história.
A previsão é de que o leilão das ações aconteça na Bolsa de Valores brasileira, a B3, no primeiro trimestre de 2022. Enquanto isso, o Estado já vem sendo procurado por empresas multinacionais interessadas na estatal.
A informação foi dada pelo secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Econômico, Tyago Hoffmann. Ele explicou que foi assinado um contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estruturar o modelo da oferta e que os estudos seguem em andamento.
"Trata-se de uma empresa importante nossa, que nasceu operando dentro do novo mercado de gás. A desestatização vai fazer com que nós tenhamos uma empresa privada para realizar um conjunto grande de investimentos. Já fomos procurados por algumas empresas multinacionais do mercado que estão interessadas"
A ideia é que o Estado e a BR Distribuidora (sócia na companhia com 49% de participação) façam uma oferta conjunta para venda do controle acionário, mas não vendam todas as ações. Quando tomou a decisão de vender o ativo, o governador Renato Casagrande havia adiantado que o Estado manteria alguma participação por se tratar de um ativo "estratégico".
A previsão inicial do governador Casagrande era vender o ativo ainda em 2021. Porém, segundo Hoffmann, não houve atraso e o processo está correndo no cronograma esperado. "As coisas estão andando e com muita velocidade, mas uma concessão, parceria, ou privatização demanda um tempo de estudos e projetos que é relativamente grande", disse.
A ES GÁS
Criada por uma lei aprovada na Assembleia Legislativa do Estado em dezembro de 2018 e constituída em julho de 2019, a ES Gás iniciou a operação oficialmente em julho de 2020 após assinatura do contrato de concessão por 25 anos. O Estado possui 51% das ações, enquanto a BR Distribuidora, 49%.
A empresa já nasceu nos moldes do novo mercado de gás, tendo um contrato de concessão dentro das práticas mais modernas do setor, passo importante para que a privatização se concretize.
Nos próximos 10 anos, a companhia prevê investir cerca de R$ 300 milhões para expandir a rede de distribuição de gás no território capixaba. A meta é construir mais de 292 mil metros de gasodutos de distribuição e ligar mais de 96 mil novos consumidores à rede do gás, que hoje atende a cerca de 60 mil consumidores em 13 municípios capixabas.
A companhia tem como fornecedora a Petrobras e fornece gás encanado nos municípios de Vitória, Vila Velha, Viana, Serra, Cariacica, Anchieta, Itapemirim, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, São Mateus, Aracruz, Colatina e Sooretama.