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Veja como se cuidar

Na pandemia, home office causa de pele amarelada à queda de cabelo

Estresse provocado pelo trabalho em casa tem impactos diretos na vida do trabalhador. Se não forem tomados cuidados, efeitos podem durar até cinco anos

Publicado em 11 de Julho de 2021 às 02:00

Diná Sanchotene

Publicado em 

11 jul 2021 às 02:00
Trabalho em home office aumenta problemas de lesão e estresse
Trabalho em home office aumenta problemas de lesão e estresse Crédito: Freepik
Pele amarelada, queda de cabelo, ganho de peso e problemas de coluna são apenas alguns dos impactos do isolamento social e do home office na vida dos trabalhadores mundo afora. E se nada for feito, os maus hábitos adquiridos durante a pandemia do coronavírus podem se manter no longo prazo, por até cinco anos e comprometer a saúde das pessoas. Foi o que apontou uma pesquisa publicada recentemente por médicos da farmacêutica britânica LloydsPharma.
O estudo alerta ainda sobre a deterioração da visão e dos dentes cerrados por causa da tensão, conhecido como bruxismo. A causa de todos esses efeitos pode estar relacionada ao estresse, ansiedade, a queda na libido, a falta de vitamina D e a má qualidade do sono.
Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que o problema não está em trabalhar em casa, mas em como o profissional lida com a rotina diária. Fazer pequenos intervalos, parar para se alongar ou até para tomar uma água e incluir uma rotina de exercícios podem ajudar a reduzir esses efeitos no final do dia.
consultora organizacional de liderança e cultura, Caroline Marcon
Consultora organizacional de liderança e cultura, Caroline Marcon Crédito: Caroline Marcon/ Divulgação
A modalidade do home office foi adotada por 43 % de empresas, conforme dados da pesquisa feita pela Betania Tanure Associados (BTA). A consultora organizacional de liderança e cultura, Caroline Marcon, avalia que muitas pessoas, em sua maioria mulheres, passaram a apresentar sintomas de estresse, o que pode ocasionar uma pele amarelada por falta de sol e até mesmo perda de cabelos.
“Conclui-se que o home office cobra um preço muito mais alto para as mulheres e, como resultado, estamos presenciando o aumento nos índices de estresse, irritabilidade, cansaço extremo, ansiedade e depressão nas profissionais que trabalham em casa, agregada a uma grande auto cobrança. Isso tudo é o principal fator de adoecimento mental desse público, pois ao exercer um papel profissional e pessoal dentro do mesmo ambiente, eles acabam se mesclando quando não há limite no espaço de trabalho e horário dedicado às atividades da família”, ressalta.
Para aliviar os efeitos negativos do home office, Carolina orienta que o ideal seria manter, pelo menos, uma atividade fora da rotina de trabalho, como uma caminhada. Dependendo de cada caso, é importante buscar a ajuda profissional como psicólogo, educador físico, professor de yoga ou meditação.
Na opinião da consultora, muitos gestores e empresas estão descobrindo como se adaptar ao cenário do trabalho remoto em tempos de isolamento social. Segundo ela, muitos desafios deste modelo de jornada estão vindo à tona. Para ajudar, ela afirma que os líderes podem definir junto aos profissionais uma rotina de trabalho como se eles estivessem na empresa, entendendo que cada colaborador tem um horário específico para o seu rendimento.
“Fazer uma lista de tarefas junto à equipe, pausas regulares e manter uma comunicação clara com todos os colaboradores. Vale ressaltar que o suporte da empresa é algo indispensável neste momento”, sustenta.
Caroline comenta que o fato de estar em casa dificulta a separação entre a vida pessoal e profissional, pois estamos ocupando literalmente o mesmo espaço. Conforme a consultora, o ideal seria ter um local específico para o trabalho e uma rotina bem definida para conseguir ter equilíbrio em todas as atividades.
“Temos que nos precaver em relação às pausas necessárias como se estivessem trabalhando de forma presencial – hora do almoço, um intervalo para café e conversa entre as equipes, entre outros”, ressalta.
Um outro ponto abordado por Carolina é que a prática do home office provocou a necessidade de desenvolver mais autodisciplina para manter a produtividade. Estando em casa, sem o policiamento do ambiente formal de trabalho, ela alerta que as tentações que levam à procrastinação são mais difíceis de controlar.
A Psicologia Cognitivo Comportamental, que tem se destacado nas abordagens de tratamento, alerta que precisamos aumentar a flexibilidade emocional, ou seja, a capacidade de tolerar sentimentos e pensamentos desconfortáveis e permanecer no momento presente, priorizando escolhas que nos ajudarão a alcançar o que mais queremos na vida, conforme complementa Carolina.
“Uma das formas de melhorar a flexibilidade emocional é a prática regular da meditação, que atua como um detox mental, restaurando a energia e a clareza de objetivos. Quando sentir a tendência de procrastinar, pergunte-se: ‘qual é a coisa mais simples que preciso fazer para atingir meu objetivo, começando agora?’. Mova sua mente dos pensamentos desconfortáveis para ações práticas. O importante é começar”, finaliza.

EFEITOS COLATERAIS DA PANDEMIA

A psicóloga Camila Carvalho, da clínica Aube - Cuidados da Mente, ressalta que, nesse período de pandemia, profissionais de saúde mental estão observando, de fato, diversos efeitos colaterais negativos na rotina das pessoas, devido ao isolamento social. Ela observa que uma pesquisa recente apontou o aumento no uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos, devido à perda da rotina.
“O uso contínuo de aparelhos que emitem luzes artificiais, como led, celular e computador, pode influenciar em perda de sono, depressão e baixa de vitaminas. A estratégia para evitar o adoecimento psíquico e do corpo é criar uma nova rotina diária, com horário para iniciar e terminar atividades, pois temos pecado no excesso de atividades laborais e no déficit de atividades recreativas. É de extrema importância praticar exercícios físicos, tomar sol por pelo menos 10 minutos diariamente, equilibrar a alimentação e criar momentos de distração em família, com o uso de jogos de tabuleiro, por exemplo", explica.
Vânia Goulart, da Selecta
Vânia Goulart, da Selecta Crédito: Acervo pessoal
Para minimizar os efeitos colaterais do trabalho em casa, a psicóloga e CEO da Selecta, Vânia Goulart, propõe dividir o tempo diário em três blocos de oito horas: o bloco de descanso, o bloco do trabalho e o bloco de cuidar de si.
“Experimente aplicar a meditação para acalmar a mente e se manter no momento presente, único lugar possível para se fazer qualquer ação. Manter-se presente é muito importante para se manter saudável. Também é importante fazer pequenos encontros, virtuais ou presenciais com aqueles que, como você, estão tomando todos os cuidados”, destaca.
Ter clareza sobre suas metas e objetivos é uma boa ferramenta para aliviar o estresse e a ansiedade, conforme destaca Vânia. Ela lembra que quando a pessoa está em casa, a potencialidade em procrastinar é maior, pois os momentos de distração crescem.
“Neste momento de isolamento com a família, pode ser mais desafiador manter-se atento. Portanto, organize quais são as suas entregas no mês e, consequentemente, por semana, ou ainda, por dia, para facilitar o acompanhamento”, completa a CEO da Selecta.
A queda de cabelo é uma preocupação para quem está em home office. A tricologista e terapeuta capilar, Camila Zanoni, observa que antes da pandemia o problema até poderia acontecer, mas não era tão fácil de ser percebido porque as pessoas passavam mais tempo fora de casa.
“A sobrecarga de trabalho, o estresse, a alimentação inadequada e o sono desregulado são fatores que ajudam a aumentar a queda capilar, que também pode ser agravada se a pessoa fica muitos dias sem lavar o cabelo. A orientação é aumentar o número de lavagens, evitar dormir com o cabelo molhado, usar produtos adequados e fazer um tratamento capilar”, destaca.
O médico intensivista e geriatra Luiz Gustavo Genelhu, diretor clínico do Hospital Royal Care, observa um aumento da taxa de sedentarismo como outro impacto do home office. Segundo ele, a falta de atividade física resultou no aumento dos casos de hipertensão arterial, obesidade e no possível aumento na questão da osteoporose, tanto pelo baixo índice de exposição à luz do sol, resultando em níveis de vitamina D consideravelmente baixos, resultando no aumento do peso e na diminuição da massa magra, massa muscular.
“Todas essas doenças realmente aumentaram neste período de pandemia. A saúde mental também foi muito impactada e temos isso muito bem documentado. Houve um aumento na incidência de depressão e ansiedade nesse período de isolamento social. Essas doenças aparecem de forma rápida, mas a reversão desses quadros demora um pouco, porque precisamos de mudanças de hábitos. Todas as mudanças de hábitos requerem tempo para serem realizadas e para terem reais impactos efetivos na saúde da pessoa”, destaca o médico.
Ele sugere que o banho de sol deve ser feito, mesmo dentro do apartamento, se a pessoa não tiver condição nenhuma de sair. Além disso, é importante procurar um médico para fazer avaliação periódica, inclusive sobre a dosagem da vitamina D para, se necessário, intensificar essa reposição.
Segundo o professor do curso de fisioterapia da Estácio, Arlindo Elias Neto, as principais lesões provocadas pela má postura durante a atividade laboral ocorrem na região da coluna vertebral, com aumento de dores no pescoço, lombar e, em alguns casos, nos ombros.
“O excesso de horas de trabalho acabam gerando quadros dolorosos para os profissionais, associado ainda a postura inadequada quando se está na frente do computador. Boa parte das pessoas não têm um mobiliário adequado e investir em cadeiras e mesas evita um desgaste nas articulações. Oriento que o colaborador não fique muitas horas na mesma posição, pare para se alongar e fazer pequenas caminhadas como forma de descansar a musculatura. O problema não está no trabalho em casa, mas no descontrole”, resume.
O bruxismo, ato de apertar e ranger os dentes, pode acontecer durante o sono e também durante o dia. O cirurgião dentista Marcelo Nobre, especialista em implantes e estética,  explica que o problema está ligado às emoções. Com situações de estresse, ansiedade e preocupações, a possibilidade de desenvolver o bruxismo é grande.
Desde 2020 para cá, o cirurgião dentista registra um aumento do número de pessoas que estão fraturando dentes ou restaurações motivado pelo aperto dos dentes. Os casos, segundo ele, aumentaram cerca de 70%. Uma solução é o uso da placa que se chama miorrelaxante.
“Com esse momento pandêmico, o home office trouxe aumento de casos. As pessoas estão mais ansiosas, preocupadas. É muito comum receber no consultório pacientes que relatam dores de cabeça, dores musculares e com isso a placa miorrelaxantes, reabilitação oral, sessões de laser para desinflamar a área são algumas soluções para isso”, alerta.

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