A criação de uma termelétrica a gás e a expansão de outras duas usinas vão gerar 295 empregos no Espírito Santo, com investimentos que somam mais de R$ 500 milhões. A contratação dos empreendimentos foi anunciada no leilão emergencial de energia realizado pelo governo federal. Duas unidades ficam em Linhares, no Norte do Estado, e uma em Viana, na Grande Vitória. São estimados 260 postos de trabalho na fase de obras e 35 para as operações.
Em Linhares, a atual UTE-LORM, que funciona desde 2010, será expandida com um investimento da ordem de R$ 132 milhões. A usina ganhará quatro novos motogeradores e aumentará a produção de energia em 17,6%. A estimativa da empresa é que, no pico de obra, surjam 80 vagas de emprego e outras 10 para a operação, com as instalações concluídas.
Ao lado dela será construída a UTE Povoação 1, no valor de R$ 269.571.000,00, em uma área de 4 mil m², que contará com oito unidades geradoras a gás natural e poderá produzir 74,960 megawatts (MW). A unidade vai utilizar o gás fornecido pelo gasoduto Cacimbas-Vitória, na mesma estrutura existente para a UTE-LORM. Para a mão de obra, devem ser 100 funcionários na etapa de construção e 15 na operação.
Já em Viana, o empreendimento da Tevisa receberá R$ 147.332.000,00 para a expansão. A unidade em funcionamento desde 2010, que atualmente gera energia a partir do óleo diesel, vai contar com quatros novos geradores operando com gás natural, aumentando a produção em 21,4%. Serão abertas 80 vagas de trabalho na fase de instalação e 10 para a operação, além da equipe que já atua na usina.
Para o diretor executivo da Tevisa e Linhares Geração, Marcelo Oliveira, os projetos vão contribuir de forma significativa para a garantia do suprimento de energia elétrica para o país. Na avaliação dele, na capacidade plena, as usinas LORM e Viana ampliadas e a nova UTE Povoação poderão gerar mais de 526 MW, o equivalente ao consumo médio de quase 2 milhões de residências.
"Em um momento crítico como o que estamos vivendo em relação à crise hídrica, ter essa geração é muito importante. A expectativa dessa garantia energética anima o mercado a investir em novos negócios e ampliações, garantindo o crescimento do Brasil. Soma-se a isso, ter no Espírito Santo, que é um grande produtor de gás natural, plantas de grande capacidade consumindo esse gás e garantindo estabilidade para o sistema elétrico em todo Estado", evidencia.
COMPETITIVIDADE DO ESTADO
O Espírito Santo foi o segundo da região Sudeste com mais projetos contratados, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, que contará com seis empreendimentos no valor total de cerca de R$ 4 bilhões. São Paulo ficou em terceiro, com um investimento em torno de R$ 64 milhões.
Na avaliação da assessora técnica de Energia da Secretaria de Estado de Inovação e Desenvolvimento (Sectides), Mayara Zanotti, o investimento na rede de distribuição do gás e as explorações de petróleo e gás tornam o Estado mais competitivo.
"A gente vê com boas expectativas o Espírito Santo ter vencido esse processo em três projetos. O Estado tem investido, através da ES Gás, na expansão da rede de gás e isso nos torna mais competitivos; também tem as nossas explorações de petróleo e de gás, para o abastecimento dessas termoelétricas. Além disso, temos incentivos na região de Linhares e o programa Invest-ES, que abrange todo o Espírito Santo."
"Em relação aos empregos, a gente não consegue dizer os números, mas a expectativa é muito boa por parte do Estado, principalmente em relação a essa usina que ainda vai ser construída", finaliza.
LEILÃO EMERGENCIAL
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) realizaram nesta segunda-feira (25) o primeiro Procedimento Competitivo Simplificado (PCS) para a contratação de energia de reserva a partir de novas usinas.
O governo contratou 775,8 megawatts (MW) médios para ampliar a segurança do abastecimento no Sistema Interligado Nacional (SIN), com empreendimentos conectados à rede das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul - as que mais utilizam energia.
As usinas vencedoras do processo vão demandar investimentos de aproximadamente R$ 5,2 bilhões para incrementar em 1,2 gigawatt (GW) a potência instalada do país. O suprimento envolve 17 projetos e deve ser feito de 2022 a 2025.
Das 17 usinas, são 14 termelétricas movidas a gás natural. Elas estão nos Estados de Paraná (1), Mato Grosso do Sul (2), Rio de Janeiro (6), São Paulo (1), Santa Catarina (1) e Espírito Santo (3). As demais são dois empreendimentos de energia solar, ambos em Rondônia, e um para biomassa, movido a cavaco de madeira, no Mato Grosso.