A exemplo do projeto já em andamento em Aracruz, na Região Norte, o governo do Espírito Santo está lançando um novo Parklog, agora voltado ao desenvolvimento do outro extremo. O ParkLog Sul Capixaba foi lançado nesta quinta-feira (23), em Cachoeiro de Itapemirim.
Em fase de estudo, o ParkLog Sul é um ecossistema integrado de logística, energia e indústria. Esse ambiente tem o objetivo de organizar e potencializar os ativos da região Sul do Estado. Voltado a integrar diferentes modais de transporte e cadeias produtivas em uma estratégia de longo prazo, o projeto quer posicionar o Espírito Santo como um dos principais hubs logísticos do Brasil.
Ainda não há o número de municípios que vão compor o novo projeto. O ParkLog Norte, por exemplo, engloba dez cidades, com destaque para Aracruz.
Uma das possibilidades em estudo é usar ativos da região que possam avançar para novas operações. É o caso do Porto de Ubu, em Anchieta, que hoje é destinado à exportação de pelotas e finos de minério de ferro e tem potencial de expansão.
No lançamento do ParkLog Sul Capixaba, o governador Ricardo Ferraço (MDB) afirmou que o Porto de Ubu pode avançar além da operação atual, ampliando a sua capacidade para cargas gerais.
“Estamos dialogando com a Samarco para viabilizar essa ampliação, inclusive para atender à cadeia de rochas ornamentais, que hoje precisa escoar sua produção por outros estados, mesmo tendo infraestrutura próxima. Também contamos com o avanço do Porto Central, em Presidente Kennedy, que segue em desenvolvimento, além da modernização do Aeroporto de Cachoeiro, que passa a integrar esse sistema logístico regional.”
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), boa parte das rochas ornamentais do Estado são enviadas para fora do Brasil por portos no Rio de Janeiro e pelo Porto de Santos, em São Paulo.
Com esse conjunto de investimentos, o ParkLog surge como uma parceria público-privada essencial para dar escala, integração e competitividade a toda essa infraestrutura. Estamos organizando o território para transformar o Sul do Espírito Santo em um hub logístico e industrial, gerando desenvolvimento, emprego e renda para os capixabas
Ricardo Ferraço Governador do Espírito Santo
O ParkLog Sul Capixaba se apoia em um conjunto de ativos logísticos e econômicos. A região conta com acesso a cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em um raio de até 1.200 quilômetros, além de concentrar aproximadamente 94,6% das exportações nacionais de rochas ornamentais, um dos principais setores da economia capixaba.
Outro diferencial estratégico é a infraestrutura portuária. O Porto Central, em Presidente Kennedy, é um complexo multipropósito em implantação, com profundidade de até 25 metros, capacidade para receber os maiores navios do mundo e previsão de movimentação de até 233 milhões de toneladas por ano em sua plena operação.
Já o Porto de Ubu, em Anchieta, possui capacidade instalada de cerca de 33 milhões de toneladas anuais e potencial de expansão em uma ampla retroárea industrial.
“Somam-se a isso investimentos estruturantes, como a Ferrovia EF-118, que vai conectar o Sul capixaba à malha ferroviária nacional, a duplicação da BR 101, já em estágio avançado na região, e a futura modernização da BR 262, que contará com R$ 2 bilhões garantidos pelo governo do Estado”, acrescentou Ferraço.
A logística regional também será fortalecida pela integração com a Ferrovia EF-118, projeto com mais de 570 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 6,5 bilhões, que permitirá a conexão do Sul capixaba à malha ferroviária nacional, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade das exportações.
No transporte aéreo, o Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim passou por modernização, com pista reestruturada, balizamento noturno e capacidade para receber voos comerciais de passageiros e cargas, consolidando-se como parte do eixo logístico regional.
Além da infraestrutura, o ParkLog Sul Capixaba incorpora um conjunto de impulsionadores estratégicos, incluindo o desenvolvimento de energia renovável — com potencial eólico offshore estimado em cerca de 1.920 MW —, a ampliação da base industrial e logística, a criação de zonas de processamento de exportação (ZPE) e o estímulo à inovação, com previsão de centros tecnológicos voltados à logística e à indústria.
A proposta também prevê o fortalecimento da qualificação profissional, a ampliação de serviços associados ao comércio exterior e o estímulo ao turismo de negócios, consolidando a região como um ambiente competitivo e preparado para novos ciclos de desenvolvimento.