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Investimentos

Nubank e PicPay mudam rendimento da conta. Saiba se vale a pena

Os dois bancos digitais anunciaram mudanças na rentabilidade das contas. De acordo com as empresas, as modificações devem acontecer de forma gradual

Publicado em 08 de Agosto de 2022 às 07:58

Jaciele Simoura

Publicado em 

08 ago 2022 às 07:58
Clientes dos bancos NubankPicPay devem estar atentos às novidades que as empresas anunciaram. Recentemente, as instituições informaram sobre algumas mudanças em relação à rentabilidade em suas contas.
Em julho, o Nubank lançou um novo recurso de organização para os clientes, as chamadas caixinhas. Através delas, os usuários podem separar o dinheiro guardado de acordo com diferentes planos. Cada caixinha terá possibilidades de investimento sugeridas pelo banco, seguindo o objetivo e o prazo estabelecido pelo cliente.
Com a oferta das novas opções de investimento com rendimento, o saldo de novos depósitos na conta do banco passará a render automaticamente 100% do CDI apenas a partir do 30º dia, de forma retroativa, sem nenhum ganho antes desse período. A mudança ainda acompanha o fato de que há incidência de IOF (Imposto sobre Operação Financeira) sobre valores transacionados de depósitos com menos de 30 dias na conta digital, o que impacta o rendimento real dos clientes.
Usuário segurando um cartão de crédito e um celular com aplicativo financeiro aberto
Clientes de Nubank e PicPay estão sendo informados sobre mudanças na forma de rendimento em suas contas Crédito: Siumara Gonçalves
“Com a nova regra, no 31º dia o cliente receberá o rendimento total dos 30 dias, como se estivesse rendendo 100% do CDI desde o primeiro dia. A partir daí, passará a ter rendimento todos os dias úteis. Isso se aplica exclusivamente ao saldo dos novos depósitos – ou seja, se o cliente precisar usar parte do montante para algum pagamento ou transferência, o rendimento retroativo e a cada dia útil será aplicado sobre o valor remanescente. Os valores que os clientes já tinham na conta digital antes dessa alteração continuarão rendendo 100% do CDI todos os dias úteis”, explicou a empresa em nota.
O Nubank ainda informou que a mudança está sendo feita em fases e passa a valer para os clientes devidamente comunicados pela empresa – para quem ainda não foi comunicado, segue valendo a regra anterior. "Vale ressaltar que a mudança de rendimento passa a ser aplicada para novos depósitos do cliente na data em que a nova regra passar a vigorar, ou seja, depósitos anteriores seguem rendendo conforme a regra anterior", ressaltou o Nubank. 
Já o PicPay informou que o saldo em conta dos seus usuários será aplicado no Certificado de Depósito Bancário (CDB), título de renda fixa emitido pela instituição financeira. Segundo a empresa, o rendimento continua de 102% do CDI, acima da poupança e não terá mais limite de valor. Como acompanha a taxa Selic, o CDI está atualmente perto dos 13% ao ano.
O dinheiro aplicado também passa a ter a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em valores de até R$ 250 mil e pode ser utilizado a qualquer hora.
“O investimento em CDB está sujeito à incidência de Imposto de Renda e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que seguem uma tabela regressiva conforme o prazo da aplicação. O valor que aparece na carteira do PicPay é líquido e pode parecer menor nos primeiros dias de investimento. Porém, essa redução é compensada gradualmente ao longo dos primeiros 30 dias. Ou seja, o rendimento não muda e os usuários que ficarem por mais de um mês com o dinheiro aplicado no CDB não terão o desconto do IOF em caso de resgate”, disse a empresa por nota.
A instituição ainda reforçou que a novidade será informada e liberada aos usuários gradualmente. Segundo o PicPay, aqueles que não optarem pelo CDB nas configurações da conta permanecerão com seus recursos depositados devidamente lastreados em títulos públicos com liquidez diária, mas sem rendimento.
A Gazeta ouviu especialistas para entender melhor essas mudanças e quais são os impactos para o cliente.
O economista e conselheiro do Conselho Regional do Espírito Santo Ricardo Paixão explicou que no caso do PicPay, antes da mudança, os valores eram aplicados nos títulos públicos, que seria um certo tipo de “empréstimo” ao poder público. Nesses casos, o dinheiro era devolvido ao cliente corrigido. 
“Nesse novo modelo, não tem garantia do poder público. O que vai ter de garantia é o Fundo Garantidor de Crédito. É uma instituição privada que garante até um determinado valor, que é R$ 250 mil. Mas, caso aconteça uma tragédia, quem tiver recurso nesta instituição não vai ter garantido 100% do valor, mas até R$ 250 mil por CPF. Esse fundo também tem um tempo para te devolver o valor, demora alguns meses. Essa é uma das principais mudanças. Pode parecer sem importância, mas tem um impacto”, explicou Ricardo.
No caso das mudanças do Nubank, de acordo com o economista, seria como se o banco estabelecesse uma carência de 30 dias para que o cliente pudesse ter direito a um rendimento.
“Se deixar o dinheiro no Nubank por 20 dias, você não terá o rendimento que tinha diariamente. As pessoas vão ser obrigadas a deixar o valor por mais tempo, para poder receber essa remuneração. Não é uma perda, mas vai deixar de ganhar a remuneração diariamente que se tinha no modelo antigo”, disse.
Para o economista e consultor do Tesouro Estadual Eduardo Araújo, no caso do Nubank o consumidor teve um prejuízo, pois a regra é parecida com a da poupança. Ele ainda afirma que o impacto é maior para esse cliente, que terá de esperar 30 dias para começar a ter rentabilidade.
"Isso torna a coisa mais engessada. Talvez aquele consumidor que está buscando algo rentável deva considerar outras alternativas. Essas opções apresentadas por esses bancos são mais para aquele dinheiro que fica na conta-corrente, em valor pequeno, que não é para ser rentável. Se o leitor tem intenção de fazer investimento buscando rentabilidade, essas não são as melhores alternativas. O melhor seria procurar uma corretora de investimentos, onde terá um leque maior de opções"
Eduardo Araújo - Economista e consultor do Tesouro Estadual
Ainda de acordo com Eduardo, as mudanças podem ser uma estratégia para tentar equiparar a outros produtos disponíveis no mercado. Além de uma reformulação para ajustar custos.
“Quando essas empresas começam, criam uma condição muito interessante para atrair clientes. Mas, depois que se estabelecem no mercado, geralmente há uma tendência de seguir padrões de outras instituições financeiras", disse Eduardo. 

VALE A PENA MANTER DINHEIRO NESSAS INSTITUIÇÕES?

De acordo com os especialistas, para quem busca uma maior rentabilidade, as mudanças no Nubank e no PicPay não oferecem um diferencial muito relevante em relação ao que já existe em outras instituições.
“Quando a gente olha para o mercado, esses grandes bancos tradicionais são instituições financeiras que oferecem as piores condições em termos de rentabilidade. Os produtos dessas duas instituições ainda são melhores, pois oferecem mais vantagens para clientes que deixam o dinheiro parado em conta. Nos demais bancos, você vai encontrar a poupança com taxa mais baixa. Mas, para quem busca uma rentabilidade maior, digo que há uma terceira linha de opções, as corretoras, que são mais especializadas em lidar com investimentos”, disse o economista e consultor do Tesouro Estadual Eduardo Araújo.
Já para o economista Ricardo Paixão, neste primeiro momento, em curto prazo, as duas instituições dão garantias que bancos tradicionais não dão.
“Essa rentabilidade de até 102%, bancos físicos ainda não oferecem. Mesmo com essas novas medidas, no curto prazo continua vantajosa. Cada cliente deve analisar seu caso. No momento é prematuro transferir recurso para outro banco. Mesmo no PicPay, com a CBD, se o dinheiro depositado for inferior a R$ 250 mil, você ainda está garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Analise sua relação com a instituição, espere uns meses e avalie se houve perdas ou ganhos e se compensa migrar para outra instituição”, orientou Ricardo.

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