Para dinamizar suas operações, a Petrobras passou a adotar uma nova tecnologia: o uso de óculos de realidade mista, que permitem que técnicos especializados prestem assistência remota aos profissionais embarcados, durante a realização de manutenções, inspeções e outras atividades em plataformas.
O Hololens 2, como é chamado o dispositivo, começou a ser utilizado primeiro na P-57, uma plataforma do tipo FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo), localizada no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, a 80 km da costa do Espírito Santo.
A tecnologia, que deve passar a ser usada em outras plataformas da companhia futuramente, faz parte das iniciativas de transformação digital da companhia, e foi projetada em parceria com a Microsoft.
Óculos especial transmite imagem de plataforma no mar do ES para base em terra
“É uma oportunidade diferente. A Petrobras apresenta os desafios diários de uma plataforma e a Microsoft propõe soluções. O aprendizado e aperfeiçoamento são mútuos”, explica Marcelo Sarter Stoco, engenheiro eletricista que trabalha na P-57.
Os óculos transmitem imagens em tempo real do ambiente, permitindo que profissionais que estão em terra deem suporte às operações realizadas em plataformas no meio do oceano. E também tornam desnecessária a utilização de documentos impressos, como manuais por exemplo, pois as informações já são projetadas pelo equipamento.
Segundo a petroleira, a agilidade no tempo de resposta é um dos ganhos com o uso do equipamento, que teve ainda mais destaque no contexto de pandemia, que exigiu a adoção de uma série de protocolos de segurança, dentre eles o distanciamento.
O uso da tecnologia evita que um profissional especializado em determinada área tenha que se deslocar para auxiliar em eventuais intervenções. Assim, pode dar orientações mesmo estando a centenas de quilômetros de distância.
Ao mesmo tempo, o objetivo é que o dispositivo, que vem sendo aplicado tanto em tarefas da rotina operacional como em treinamentos, traga ainda mais segurança e confiabilidade às operações da empresa, reduzindo riscos, perdas associadas a falhas operacionais, evitando também acidentes.
Além da P-57, a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), que é uma outra unidade da Petrobras, já conta com a tecnologia.
“Os próximos passos incluem a adaptação desse tipo de assistência remota na operação da P-50 [também na Bacia de Campos]. O período ainda é um processo de disseminação da ferramenta, com uma série de treinamentos, e o objetivo é aperfeiçoar cada vez mais o processo”, conclui o engenheiro eletricista Vitor de Oliveira Thomaz, que atua na aplicação de realidade mista/aumentada na Unidade de Negócios de Exploração e Produção do Espírito Santo.