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Fernando Madeira
Rotas turísticas

Os 'amigos da ferrovia' que tentam salvar estrada de ferro no ES

Com ações de conservação, grupo de voluntários procura manter parte dos trilhos no Sul do Espírito Santo e estimular o turismo na região

Aline Nunes

Repórter

anunes@redegazeta.com.br

Publicado em 30 de Setembro de 2023 às 13:35

Publicado em

30 set 2023 às 13:35
Matéria especial sobre ferrovias
Crédito: Fernando Madeira
Cansado de observar a linha férrea se deteriorando, um grupo de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, decidiu se juntar para cuidar de trechos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) que cortam a cidade. Surgiu, então, o "Amigos da Ferrovia", com voluntários dispostos a fazer o trabalho de conservação da via, que não vinha sendo realizado, e estimular o turismo na região.
Liderança do movimento, Raphael Pinheiro Santuchi reuniu há pouco mais de um ano alguns amigos com o pai. Todos doam tempo e, em determinados casos, até dinheiro para a manutenção da ferrovia. A atuação tem se concentrado nove quilômetros de linha férrea, entre os distritos de Cobiça e Soturno. 
"Nosso objetivo é tornar esse trecho acessível à visitação para que as pessoas possam conhecer a história da ferrovia"
Raphael Pinheiro Santuchi - Líder do movimento "Amigos da Ferrovia"
Raphael conta que o trabalho, que depende em parte de doação de recursos de apoiadores do movimento, é manter o trajeto da linha férrea que liga as estações dos dois distritos sem mato ou nenhuma outra obstrução. Os voluntários usam um carrinho próprio para trafegar sobre os trilhos e outras ferramentas para limpar o caminho.  Com essa iniciativa, o trecho acaba se tornando um atrativo para caminhadas e trilhas. 
Atividade de conservação de trilhos de ferrovia em Cachoeiro de Itapemirim realizada pelo grupo
Atividade de conservação de trilhos em Cachoeiro de Itapemirim realizada pelo grupo "Amigos da Ferrovia" Crédito: Instagram/Amigos da Ferrovia
"Queremos chamar a atenção da população de que a ferrovia traz desenvolvimento. Sem a ferrovia, a cidade não teria se desenvolvido. Ainda hoje, tem potencial, tanto turístico quanto para transporte de carga. Embora a administradora diga que não é viável, a ferrovia pode ser aproveitada. A gente aqui é uma formiguinha, mas tem buscado unir forças para lutar", ressalta. 
Esse desabafo refere-se ao fato de a VLI, concessionária que administra a FCA, ter declarado que a ferrovia no Espírito Santo é inviável economicamente e que não pretende retomar as atividades por aqui. Para Raphael, apesar do cenário atual, não se deve nem dizer que a linha férrea está abandonada, mas sim, desativada. "Nossa esperança é que o trem volte e a empresa vai ter que entregar a ferrovia da forma que estava antes de paralisar as atividades", defende. 
Prefeituras como as de Vargem Alta e Domingos Martins também têm iniciativas para conservação de trechos, pelos quais visitantes fazem trilhas, mas projetam outras iniciativas turísticas para o caso de serem autorizados a gerir a ferrovia em seus municípios.

NOVAS ROTAS

Pedro Bragança, coordenador do Conselho Estadual de Ferrovias, também enxerga viabilidade para a retomada das funções da FCA e pontua trechos em que poderiam ser criadas rotas turísticas, como de Atilio Vivacqua a Mimoso do Sul. 
"É um trecho curto, barato e rápido, que pode aquecer o turismo e a economia na região. Em Cachoeiro, pode haver uma rota que faça a interação com roteiros relacionados a Roberto Carlos; em Vargem Alta, também há pontos atrativos, passando pelas matas", exemplifica. 
Questionado sobre o traçado da FCA, bastante sinuoso e montanhoso em alguns trechos, Pedro Bragança acredita que, mesmo não sendo possível usufruir de todos os 250 quilômetros da linha férrea, há projetos possíveis de se executar, por trechos, como a retomada do trem turístico na Região Serrana. 
"Explorar o turismo e, com essa retomada, tentar atrair outra operadora, novos investidores, para o transporte de cargas", sugere.
O coordenador do Conselho de Ferrovias aponta que, em cada município ou região, há um potencial. Em Araguaia, distrito de Marechal Floriano, toras de madeira; em Viana, grãos; em Cachoeiro, rochas ornamentais. Um só vagão de trem, segundo Pedro Bragança, poderia retirar das estradas de quatro a cinco caminhões, contribuindo ainda para a segurança viária.  

Assista à websérie sobre a ferrovia

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