Após interromper, no dia 31 de maio, o serviço de fornecimento do bunker (óleo combustível marítimo e Marine Gasoil - MGO) nos portos capixabas, incluindo Praia Mole, Vila Velha e Tubarão, a Petrobras estuda alternativas para manter as operações de abastecimento de navios no Espírito Santo. Entre os locais que podem receber a base da petroleira estão terminais do Porto de Vitória.
A petroleira não entra em detalhes, mas destacou que está “avaliando junto aos operadores logísticos locais uma solução economicamente competitiva para o retorno da operação de bunker em Vitória”. A empresa afirmou ainda que a interrupção do fornecimento não impactou a movimentação de outros combustíveis da região.
A suspensão da atividade, em 31 de maio, ocorreu em virtude do fim do último aditivo de contrato de utilização do píer de barcaças da Vale, localizado no Porto de Tubarão. À época, a mineradora informou que optou por descontinuar a operação por questões operacionais.
Uma fonte que não quis ser identificada explicou à reportagem que o motivo para o encerramento do contrato teria relação com a chegada de muitos navios do tipo Valemax, que são transportadores de minério de grande porte ligados à Vale, que, por questões de segurança, exigem distanciamento entre si, o que não seria possível com a continuidade das operações da Petrobras naquela área.
Ainda não se sabe ao certo qual será o futuro da operação. Até que se tome uma decisão, os navios não conseguem abastecer na costa do Espírito Santo, o que pode desviar cargas para outros locais.
A colunista Beatriz Seixas chegou a mostrar, em maio, que a petroleira já teria definido o seu destino, mas que a operação no novo local ainda demoraria alguns meses para ser iniciada. A previsão era que a operação fosse transferida da área da Vale para a da Oiltanking, terminal localizado na retroárea do Porto de Vitória, em Vila Velha. A reportagem procurou a empresa, que não se manifestou. A Petrobras tampouco esclareceu sobre possíveis tratativas.
Conforme observou o economista Ângelo Baptista, especialista da área portuária, esta seria uma alternativa possível, assim como terminais de granéis líquidos em Vila Velha. Entretanto reforça que, para que a operação seja viável, é preciso haver disponibilidade de tanque para armazenagem dos combustíveis.
“Quem tem estrutura para receber esse tipo de operação é o terminal da Oiltanking e a Liquiport, por exemplo. Mas, para que isso aconteça, é preciso saber se há espaço nesses tanques. A taxa de ocupação dos tanques da Oiltanking, até onde sei, é alta, mas essa é uma avaliação que cabe às empresas fazer.”
Outro fator a ser avaliado, ele pondera, é se o navio que traz o óleo consegue atracar no Porto de Vitória, se não exige um calado maior que o disponível, de 12 metros. Baptista aponta, contudo, que, a julgar pelo já observado, isso não deve ser impedimento.
A questão de maior importância, segundo o especialista, é a disponibilidade de espaço nos tanques. Ele avalia que não são muitos disponíveis no Porto de Vitória e lembra que, por essa razão, a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) chegou a fazer uma licitação há poucos anos para instalação de um novo terminal de granéis líquidos, que atenderia às necessidade do Estado. Mas, para que a obra tenha início, é necessário passar por licenciamento, que ainda está sendo feito pela empresa vencedora.
“Seria a solução definitiva para esse tipo de problema, não só para o bunker, mas de capacidade de estocagem para receber navios com outros combustíveis. Mas, no curtíssimo prazo, se a Vale não permite mais as operações de abastecimento de navios com bunker no Porto de Tubarão, para que seja feito no Porto de Vitória é necessário que atenda a essas condições.”
A especialista Flávia Nico pontua que, além da Grande Vitória, uma possibilidade seria a transferência das operações para portos em Aracruz. Mas destacou também um possível terceiro cenário.
“Há uma possibilidade de que a Petrobras decida encerrar as operações por aqui, e movê-las para o Porto de Açu (RJ), o que acaba sendo um problema para o Estado.”
Segundo números do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), com o fim das atividades, são esperadas perdas entre R$ 200 milhões e R$ 230 milhões ao ano aos cofres públicos.
Contudo, caso se confirme a permanência das operações em território capixaba, o Espírito Santo não apenas recupera a fonte de arrecadação, como volta a ter uma opção para abastecimento de navios, atraindo assim mais cargas e negócios, que geram empregos e ajudam a alavancar a economia do Estado.
ENTENDA O CASO
Em setembro de 2020, A Gazeta mostrou com exclusividade que o contrato entre as partes estava prestes a se encerrar e que, até aquele momento, a Petrobras não tinha um plano B. O terminal de bunker (combustível marítimo) em Tubarão era arrendado para a Petrobras desde 1996 e operado pela Transpetro, subsidiária da estatal.
Em novembro de 2020, quando venceu o aditivo de um ano que havia sido feito no contrato, o governo do Estado interveio e negociou com as empresas pedindo que o prazo se estendesse por mais seis meses para que houvesse tempo de ser negociada a transferência da operação para outro local.
Quando anunciou o acordo, o governador Renato Casagrande chegou a comentar que a Petrobras iria buscar alternativas junto à Companhias Docas do Espírito Santo (Codesa).
Uma das possibilidades é que a operação de abastecimento de bunker da Petrobras fosse transferida para áreas dos portos de Vitória e de Vila Velha. Entretanto, segundo a Codesa, a decisão cabe aos operadores portuários.