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Petrobras perfura no ES poço de petróleo mais profundo da história

Na tentativa de descobrir petróleo em área do pré-sal no Norte do Estado, a petroleira alcançou 7.700 metros de profundidade, batendo recorde nacional

Publicado em 10 de Dezembro de 2021 às 14:48

Geraldo Campos Jr

Publicado em 

10 dez 2021 às 14:48
Petrobras concluiu nesta semana a perfuração de um poço exploratório de petróleo no bloco ES-M-669, no pré-sal da Bacia do Espírito Santo. Perfurado a 145 km da costa, no Norte do Estado, o projeto bateu diversos recordes, entre os quais o de poço mais profundo já perfurado no Brasil, com cerca de 7.700 metros; e maior camada de sal já perfurada no país, com cerca de 4.850 metros.
O poço fica na região do prospecto de Monai, nome dado em referência a uma figura mitológica da cultura Guarani. A perfuração na região tem como objetivo descobrir reservas de petróleo no bloco, passo fundamental para avaliar o potencial da Bacia do Espírito Santo e que pode contribuir para uma nova era do setor no Estado.
Hoje, a produção de petróleo no mar capixaba é focada no Litoral Sul, que integra a Bacia de Campos. Na porção Norte, a única grande plataforma em operação é a FPSO Cidade de Vitória, no campo de Golfinho, já localizada na Bacia do Espírito Santo. Atualmente, a produção na região só é feita no pós-sal, sendo que a descoberta de reservas no pré-sal da região pode ser um importante passo para o Estado, abrindo uma nova fronteira de produção no mar.
Navio-sonda na região de Monai, no ES
Navio-sonda na região de Monai, no ES Crédito: Alexandre Gentil/Petrobras
“O uso intensivo de tecnologia e a atuação eficiente das equipes envolvidas também permitiram que diminuíssemos em aproximadamente 50% o tempo de perfuração do poço, em comparação com a média histórica para projetos dessa natureza e complexidade, o que representa também uma redução de custos significativa”, destacou o diretor de Desenvolvimento da Produção, João Henrique Rittershaussen.
"A exploração dessa nova fronteira no pré-sal da Bacia do Espírito Santo reafirma o foco da Petrobras em atuar em águas ultraprofundas por meio de parcerias com outras empresas"
João Henrique Rittershaussen - Diretor de Desenvolvimento da Produção
Diferentemente de um poço produtor de petróleo, um poço exploratório tem como objetivo obter informações sobre as características das rochas perfuradas, sua geologia, pressões existentes e presença de reservatórios com petróleo ou gás.
A perfuração do poço pioneiro Monai obteve todas as informações esperadas para a avaliação adequada da área. Os dados obtidos estão sendo analisados para a definição do futuro do bloco, se será viável ou não produzir a partir dali.
Segundo a Petrobras, as informações geológicas obtidas em áreas de fronteira exploratória, como é o caso do Monai, subsidiam também o aprimoramento dos estudos e modelagens para outras áreas e bacias, incorporando um importante conhecimento estratégico para a companhia.

MONAI

O Bloco ES-M-669 foi adquirido em 2013, na 11ª Rodada de Concessões da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A Petrobras é operadora no bloco com 40% de participação, enquanto Equinor e Total, que completam a formação do consórcio, têm 35% e 25% respectivamente.
Desde a aquisição do bloco, já foram aplicados recursos significativos em sísmicas, na perfuração do poço exploratório pioneiro e em outras atividades. Esses investimentos estão ocorrendo ainda em fase de incerteza sobre a viabilidade de produção.
Após confirmada a viabilidade, soma-se a esse capital já empregado na exploração outros consideráveis gastos na produção e refino do petróleo, e no transporte e comercialização de derivados, para que combustíveis, como gasolina e diesel, cheguem até o consumidor final.

DESAFIOS TÉCNICOS INÉDITOS E RECORDES

Localizado em uma nova fronteira exploratória, a perfuração do poço Monai caracterizou-se por um cenário com expressivos desafios técnicos e alto nível de complexidade operacional. O poço foi perfurado em um local com lâmina d’água (distância entre a superfície da água e o fundo do mar) de 2.366 metros.
A profundidade recorde total do poço de 7.700 metros, para efeito de comparação, equivale a 1,3 vezes a altura do Monte Kilimanjaro, montanha mais alta da África. O recorde anterior de profundidade era do poço conhecido como Parati, um dos precursores da descoberta do pré-sal, perfurado em 2005, na Bacia de Santos, com 7.630 metros.
Outro importante recorde obtido pelo poço Monai foi o de maior espessura de camada de sal já perfurada, com 4.850 metros, o equivalente à altura de quase seis Burj Khalifa, arranha céu mais alto do mundo. A espessura usual da camada de sal em poços de petróleo no pré-sal da bacia de Santos, maior polo petrolífero pré-sal do planeta, gira em torno 2.000 a 2.200 metros.
O poço Monai também superou outros recordes de perfuração no Brasil. Trata-se do poço com maior extensão de fase única (segmento) em poço vertical/direcional no país, com cerca de 3.400 metros.
Além disso, o poço também bateu o recorde de maior coluna de tie-back, um tipo de tubulação de aço que conecta um trecho de tubulação no fundo do poço à “cabeça” do poço, instalada no fundo do mar. A coluna de tie-back no poço Monai tem comprimento total de 4.300 metros.
Monai, Petrobras
Infográfico: Monai Crédito: Petrobras /Reprodução
Por fim, o poço Monai teve o maior peso de revestimento já descido em águas brasileiras, de 794 toneladas, o equivalente a cinco baleias azuis, animal mais pesado do planeta. O revestimento é uma coluna de aço que reveste as paredes do poço para manter a sua estabilidade e integridade, evitando o desmoronamento das rochas para dentro do poço e atuando também como uma importante barreira de proteção contra vazamentos de fluidos para o meio externo.
Segundo a Petrobras, as grandes profundidades alcançadas impuseram uma série de desafios. Em geral, quanto mais profunda a perfuração, mais compactas e densas são as rochas existentes. Para efeito de comparação, a velocidade de perfuração próxima ao leito marinho atinge cerca de 100 metros por hora. Em horizontes muito profundos, como nas fases finais do Monai, a velocidade de perfuração cai para menos de 5 metros por hora.
A pressão em grandes profundidades, como as alcançadas pelo poço Monai, também traz um grande desafio para a perfuração segura do poço. Nesses horizontes geológicos tão profundos, a pressão atinge valores em torno de 17.000 psi, o equivalente a aproximadamente 1.200 vezes a pressão existente na atmosfera terrestre ao nível do mar ou 500 vezes a pressão de ar em um pneu de carro de passeio.

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