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Preço da gasolina no ES é o maior em 11 meses e litro já passa de R$ 5

Nos 129 postos pesquisados pela ANP no Estado neste mês, o preço médio registrado foi de R$ 4,57. Mas, em alguns lugares, a gasolina chega a custar R$ 5,08

Publicado em 19 de Janeiro de 2021 às 02:00

Caroline Freitas

Publicado em 

19 jan 2021 às 02:00
Abastecimento em posto de gasolina
Abastecimento em posto de gasolina:  combustível mais caro Crédito: Fernando Madeira
Preço da gasolina no ES é o maior em 11 meses e litro já passa de R$ 5
A partir desta terça-feira (19), a Petrobras começa aplicar um novo aumento de 7,6% no preço da gasolina nas refinarias. A alta é mais uma de muitas que ocorreram nas últimas semanas e que têm feito o preço do combustível disparar nas bombas. Nas duas primeiras semanas de janeiro, o preço médio da gasolina comum no Espírito Santo alcançou o maior patamar dos últimos 11 meses.
O litro do combustível já é vendido por R$ 4,57 no Estado,  o valor médio mais alto desde fevereiro do ano passado (R$ 4,56), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Dos 129 postos pesquisados pela agência no Espírito Santo neste mês, o menor preço encontrado foi de R$ 4,34. Mas, em alguns lugares, a gasolina já chega a custar R$ 5,08.
O economista Ricardo Paixão considera que o aumento da demanda pela gasolina é um dos fatores que contribuiu para o encarecimento do produto. Ele lembra que os preços foram derrubados no auge da primeira fase da pandemia, no segundo trimestre de 2020. O isolamento social e das medidas restritivas impostas para de conter o avanço da Covid-19 fizeram com que as vendas de combustíveis diminuíssem e o preço baixasse.
"Com a flexibilização das atividades, que tem feito com que mais pessoas se locomovam de um lugar ao outro, essa demanda naturalmente voltou a subir. Isso acaba afetando os preços", afirmou.

PETRÓLEO MAIS CARO

Outra justificativa, conforme observou o economista Eduardo Araújo, é o encarecimento do barril de petróleo, que também reflete no preço de seus derivados. Em outubro, o barril era negociado a cerca de US$ 37,4 no mercado internacional. Agora, já chega a US$ 54,7, isto é, houve uma valorização de cerca de 45% no preço da commodity.
"Se compararmos com o mesmo período do ano passado, a oscilação foi pequena, mas a pandemia causou muitas variações ao longo dos meses. Se considerarmos o último trimestre, temos um avanço grande no preço da gasolina para o consumidor, e isso ocorre justamente num período em que a cotação do barril de petróleo subiu muito."
Ele ressalta que a variação só não é maior porque o dólar tem se estabilizado nos últimos meses. O resultado do câmbio também deve ditar os preços futuros, podendo sofrer influências da economia brasileira, mas também de outros acontecimentos, como o socorro financeiro trilionário previsto por Joe Biden, presidente norte-americano eleito, que toma posse nesta semana.
"Tudo isso tem um peso. Mas também houve uma pequena elevação na margem de lucro dos postos nos últimos meses, talvez até mesmo para recompor as perdas anteriores, e a elevação de gastos."

POSTOS: CUSTO DA DISTRIBUIDORA SUBIU

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Espírito Santo (Sindipostos-ES) informou que o custo de aquisição representa cerca de 90% do preço de venda da gasolina, tendo assim forte influência do preço de compra dos postos junto às distribuidoras.
A pesquisa da ANP não disponibiliza o preço nas distribuidoras desde o mês de setembro de 2020. Já o monitor de preços dos combustíveis da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), que considera as notas fiscais emitidas nos postos, apontou que no sábado (16) o preço médio da gasolina repassado pelas distribuidoras aos postos estava em R$ 4,17, enquanto o preço repassado pelo posto ao consumidor final, em R$ 4,71.
“A elevação no preço das distribuidoras impactou diretamente o preço médio praticado pelos postos no período”, destacou o Sindipostos-ES.

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