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Preço médio da gasolina subiu 32,6% no ES em apenas nove meses

Petrobras anunciou mais um reajuste para a gasolina e o diesel a partir desta sexta-feira (19), o que deve pesar ainda mais no bolso do consumidor e afetar também os preços de outros produtos, como alimentos

Publicado em 18 de Fevereiro de 2021 às 20:52

Siumara Gonçalves

Publicado em 

18 fev 2021 às 20:52
Data: 28/11/2019 - ES - Vitoria - Posto de Gasolina - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Posto de gasolina: combustível está ficando mais caro Crédito: Ricardo Medeiros
Preço médio da gasolina subiu 32,6% no ES em apenas nove meses
Um susto na bomba. Essa é sensação que muitos motoristas  tiveram na hora de abastecer nos últimos dias. Nos postos de combustíveis, o preço médio do litro da gasolina vendido no Espírito Santo foi de R$ 5,03 nesta quarta-feira  (17), segundo apontou o monitor de preços da Secretaria de Estado da Fazenda, valor que é fruto de uma escalada de preços vista nos últimos meses e que deve continuar.
Considerando dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), ao longo dos últimos nove meses a gasolina comum aumentou, em média, 32,6% no Espírito Santo. O litro, que custava R$ 3,68, em maio do ano passado, passou a valer R$ 4,88 na média deste mês de fevereiro, até o dia 13. A pesquisa é feita em postos localizados nas maiores cidades, que são aquelas onde os preços são um pouco mais baixos.
Os sucessivos reajustes feitos pela Petrobras nas refinarias inflacionam o valor pago na hora de abastecer o veículo. E prepare-se:  vem mais aumento por aí.
Nesta quinta-feira (18), novamente, a Petrobras anunciou que vai reajustar o preço dos combustíveis. A revisão de preços começa a valer já nesta sexta (19). Segundo o comunicado da estatal, a gasolina terá alta de 10,2% na refinaria, já o diesel subirá 15%.
Ao todo, as revisões feitas pela estatal só em 2021 já somam 34,78% de aumento no preço da gasolina na refinaria. Já o diesel aumentou 27,72% no mesmo período.
Com o novo reajuste, o preço médio de venda de gasolina nas refinarias da estatal passará a ser de R$ 2,48 por litro, o que representa um aumento médio de R$ 0,23 por litro. Já no caso do diesel, o preço médio de venda passará a ser de R$ 2,58 por litro, uma alta média de R$ 0,34. O aumento dessa sexta deve chegar ao consumidor dentro de alguns dias, quando os postos passarem a comprar os combustíveis já com o novo valor.
O principal motivo para as recentes altas dos combustíveis é a valorização do barril de petróleo, que, nesta semana, chegou a ultrapassar os US$ 65, melhor cotação do tipo Brent (referência global) desde dezembro de 2019. Esse resultado é um reflexo do aumento da demanda por energia em todo o mundo. Além disso, a alta do câmbio também impacta o preço dos combustíveis. 
Acontece que os preços do petróleo e dos combustíveis caíram no início da pandemia com a queda no consumo global. Essa demanda foi se recuperando de forma lenta a partir de maio, quando os valores começaram a subir até chegar ao patamar atual, que, no caso da gasolina, já é mais alto que antes da pandemia. O combustível em janeiro de 2020 custava, em média, R$ 4,68 no Estado.
A questão é que a atual política de preços da Petrobras, adotada desde 2017, considera justamente as flutuações do câmbio e do barril de petróleo. Desde que foi implantada, ela tem provocado constantes reajustes no preço médio dos combustíveis. 
Segundo pesquisa semanal da ANP, na semana entre os dias 7 e 13 de fevereiro, o preço da gasolina nos postos capixabas variava de R$ 4,649 a R$ 5,19, sendo que o preço médio era de R$ 4,88. Já no Brasil, o preço variava entre R$ 3,89 e R$ 5,819. Veja a série histórica no final da matéria.

R$ 5,19

PREÇO MÁXIMO DA GASOLINA NO ES, SEGUNDO PESQUISA ANP
Apenas neste ano, a gasolina teve quatro reajustes e o diesel três. Nos postos capixabas, a gasolina ficou, em média, 6,63% mais cara entre a primeira semana de janeiro a segunda semana de fevereiro. Naquele primeiro período, o combustível era comercializado a R$ 4,58 na média. Em um mês o litro ficou R$ 0,30 mais caro.
Já no país, a alta acumulada desde a primeira semana de janeiro foi, em média, de 5,9%. Na semana do dia 3 de janeiro, o litro do combustível era comercializado, em média, a R$ 4,58 e passou para R$ 4,88 no mês seguinte. O aumento foi de R$ 0,29.

ALTA DOS COMBUSTÍVEIS PESA ATÉ PARA QUEM NÃO TEM CARRO

De acordo com o economista Mário Vasconcelos, a alta da gasolina e do diesel vai pesar no bolso até de quem não tem carro ou moto. Ele explica que esse aumento impacta as pessoas de maneira geral. "Tudo acontece em cadeia. Se há aumento no diesel, o frete fica mais caro e, consequentemente, aquilo que está sendo transportado também. Isso significa, por exemplo, uma alta no preço dos alimentos, que são transportados por caminhões pelo país", aponta.
Ainda de acordo com Vasconcelos, outro ponto a ser ressaltado é o impacto dessa alta na inflação. "Aqui não estamos falando apenas da gasolina e do diesel, mas também do gás de cozinha. Todos esses derivados do petróleo estão passando por uma sucessão de reajuste nos últimos meses. Esses são itens que pesam na composição do índice nacional de inflação (o IPCA), que deve ser pressionado para cima", comenta.
Vasconcelos aponta ainda que não vê uma estabilização ou redução dos preços a curto ou médio prazo. Ele afirma que o câmbio e a cotação do barril, devido o crescimento na procura por combustíveis, vem pressionando a alta no Brasil e esse cenário não deve mudar tão cedo. "A não ser que haja um pacto entre governos estaduais e federal para reduzir as alíquotas de impostos que cobram,  ou que o cenário internacional mude, o preço não deve cair", afirma.

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