O distrito de Conduru, que para muitos é considerado uma “cidadezinha”, no Sul do Espírito Santo, entrou nos holofotes depois que Arthur Picoli entrou no BBB 2021. No entanto, antes mesmo do atleta de crossfit virar celebridade, a localidade já tinha fama até internacional e era conhecida em vários lugares do mundo.
Isso porque grandes empresas instaladas no distrito exportam mármores e granitos, principalmente chapas e produtos acabados, para diversos países. Entre os itens vendidos há alguns que são feitos com rochas extremamente raras que são tradadas apenas em dois locais do planeta: na Itália e em Conduru.
A história de Conduru com o beneficiamento de rochas ornamentais começou há mais de 50 anos, quando a região ainda tinha forte apelo rural. Agora, a indústria extrativa é a principal atividade econômica do distrito.
Entre os principais clientes das empresas 'condurenhas' estão nações, como os Estados Unidos e China. Mas esse produto capixaba também faz sucesso na América Latina e passou a entrar na mira da famosa Dubai, nos Emirados Árabes.
A “cidadezinha” foi considerada uma região estratégica para os empresários, principalmente, pelo quesito logística, já que está localizada entre Cachoeiro de Itapemirim (município da qual faz parte) e Castelo, dois polos de rochas ornamentais do Estado.
Antigamente, o distrito também era cortado pela linha férrea que passava no Sul do Estado. Quando os trilhos foram substituídos por asfalto - a Rodovia Feud Nemer -, tornou-se uma importante via de ligação entre os municípios da região.
O empresário Lincoln Nemer conta que o seu avô e seu pai foram pioneiros na atividade em Conduru. Na época, eles ficaram conhecidos por lançar um tipo de granito no mercado. A empresa localizada no distrito funciona há mais de 50 anos e foi a primeira da localidade.
"A localização de Conduru era favorável, facilitava o transporte dos blocos até a empresa e a saída dos materiais. Depois outras empresas chegaram e a região foi crescendo. Conduru mudou muito, cresceu. Daqui nós vendemos para todos os Estados brasileiros e atualmente exportamos para Estados Unidos e América Latina e estamos abrindo uma parceria em Dubai"
Já a empresa de Eutemar Venturim também envia grande parte do seu material para os Estados Unidos e tem exclusividade em alguns mármores e granitos.
“Da nossa exportação, 90% vai para os Estados Unidos. No mercado interno, o Estado de São Paulo é o maior comprador. Dos materiais que trabalhamos, a prioridade são as nossas jazidas. Um deles é um mármore que nós temos exclusividade. É um material mais raro que é o patagônia [tipo de granito], que só nós e uma empresa italiana temos acesso a esse material”, explicou.
EXPORTAÇÕES CRESCERAM NA PANDEMIA
Segundo informações do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas) e do Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo (Sindirochas), as exportações brasileiras de rochas ornamentais apresentaram, no primeiro trimestre de 2021, um crescimento de 30,7% frente ao mesmo período do ano de 2020.
Quando analisadas somente as exportações capixabas, o avanço foi de 32,9%. Esse bom desempenho, aliás, foi destacado pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em visita ao Estado nesta quarta-feira (19).
“Mesmo com a pandemia, o mercado vem respondendo bem. Superou as expectativas, porque foi até impulsionado. Nosso gargalo está sendo o transporte porque não tem navios. Isso que tem dificultado um pouco”, explicou Eutemar.
O Centrorochas e o Sindirochas confirmam que os números poderiam ter sido ainda mais positivos se não fossem os problemas que vêm enfrentando na pandemia para concluir as exportações.
“Atrasos dos navios, omissão (cancelamento) de viagens, restrições para recebimento dos contêineres carregados destinados a exportação, além dos custos adicionais, são questões que não permitem que a movimentação das mercadorias ocorram no tempo em que deveriam”, informou a assessoria do Centrorochas e o Sindirochas por meio de nota.
SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS É O MAIOR EMPREGADOR DO DISTRITO
A atividade, que emprega grande parte dos moradores da região, engloba todas as etapas de beneficiamento das rochas ornamentais. “Praticamente todo mundo que mora em Conduru trabalha nas empresas do setor. É uma região que tem empresas tradicionais e de grande produção”, disse Eutemar.
“Como somos uma firma antiga aqui, quase todas as famílias de Conduru têm alguém que trabalhou conosco. E com a chegada de novas companhias, ficou cada vez mais fácil conseguir mão de obra no distrito, porque isso foi atraindo novos moradores”, completou Lincoln.
Em toda região Sul do Espírito Santo, o Sindirochas contabiliza cerca de 990 empresas do setor de rochas ornamentais. Só em Cachoeiro de Itapemirim, são quase 600 empresas do arranjo produtivo de rochas. Não há dados específicos de Conduru.
O beneficiamento representa a parte que os blocos de rochas são desdobrados em chapas, passando pelo processo de serragem e polimento, para posteriormente serem cortadas e transformadas em produtos como pisos, bancadas, pias e outros produtos. Antes disso, existe a mineração, que é a etapa de extração das rochas das pedreiras.
Conduru só trabalha com a produção de chapas e produtos acabados. Não há extrativismo no distrito.
EMPRESAS AMPLIAM INVESTIMENTOS
Para ampliar a capacidade de produção, as empresas estão investindo em novos equipamentos, mais tecnológicos, para modernizar os parques industriais. Uma delas procurou o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) para fazer o investimento e ganhar competitividade por meio de tecnologia.
“Em parceria com o Bandes, realizamos investimentos na área produtiva, buscando inovação tecnológica no parque industrial. Essa modernização contribuiu muito para o crescimento da empresa, tanto no mercado interno quanto no exterior, gerando mais oportunidades de trabalho e renda para as famílias capixabas”, destacou empresário José Carlos Machado.
O investimento da empresa foi na aquisição de uma máquina multifios que é utilizada para desdobrar os blocos de mármores e granitos.
De acordo com o Bandes, de uma maneira geral, aumentou a procura por crédito em todos os setores desde o início da pandemia. No setor de rochas, especificamente, foram R$ 25 milhões liberados pelo banco em 2020, bem mais que em 2019, que foram R$ 6,5 milhões.
Este ano, o Bandes ainda não contabilizou as operações, que, segundo a assessoria, vão entrar na estatística como crédito emergencial. Mas já foram contabilizados R$ 2,1 milhões em 2021, sem contar com o Fundo de Proteção ao Emprego.
“O atendimento ao setor de rochas é priorizado pelo Bandes, devido à importância econômica para o Espírito Santo, além da geração de emprego e renda em sua extensa cadeia produtiva. O banco tem trabalhado para oferecer ao empresariado orientação à contratação de recursos necessários para o investimento em tecnologia e inovação para o setor, como aquisição de maquinário, design e reaproveitamento de resíduos, e como alternativa de proporcionar maior competitividade para as empresas”, destaca a gerente de Negócios que atende ao setor de rochas ornamentais, Raísa Coelho.