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Agro e pescados

Produtos do ES afetados pelo tarifaço podem ir para a Europa

Governo do Espírito Santo quer viabilizar a participação de empreendedores capixabas em feira de alimentos e bebidas europeia para abertura de novos mercados

Publicado em 07 de Agosto de 2025 às 20:00

Leticia Orlandi

Publicado em 

07 ago 2025 às 20:00
O mercado europeu tem sido avaliado como alternativa para destinar produtos do Espírito Santo que estão sendo afetados pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às exportações brasileiras. A sobretaxa começou a valer nesta semana.
De fora da lista de exceção que tem quase 700 mercadorias, produtos como café, cacau, gengibre, mamão, macadâmia, ovos de galinha, carne de frango, pimenta-do-reino e pescado estão no plano do governo do Espírito Santo para serem apresentados na maior feira de alimentos e bebidas da Europa. 
O governo do Estado está buscando parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) para garantir a participação dos empreendedores capixabas do agro e pescados na Anuga 2025, que será realizada na cidade de Colônia, na Alemanha, de 4 a 8 de outubro.
Produtos do ES afetados pelo tarifaço podem ir para a Europa
Navio, exportação, porto, comércio exterior
Navio, exportação, porto, comércio exterior Crédito: Carlos Alberto Silva
O interesse foi apresentado nesta quinta-feira (7) e tem como objetivo a abertura de novos mercados. A última edição da feira contou com quase 8 mil expositores de 118 países, com US$ 530 milhões em geração de negócios.
A inclusão dos empreendedores capixabas na feira faz parte das ações emergenciais estabelecidas pelo Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação (Cetax).
"Em razão do tarifaço, ficou evidente para todos nós que precisamos reduzir a dependência do mercado americano e isso se dá buscando novos mercados, novas rotas de comercialização. Um evento dessa importância é uma alternativa muito concreta para apresentar a qualidade da produção capixaba ao mundo. Tudo indica que a relação com os Estados Unidos vai continuar tensa, vai continuar instável. Essa redução da dependência é estratégica. Esse é o foco: novos mercados para o Espírito Santo", destaca o vice-governador, Ricardo Ferraço, coordenador do Cetax.
Para o governo, as presença e visibilidade na feira vão favorecer a curto prazo o reposicionamento internacional e a geração de novos contratos comerciais para produtos capixabas afetados pelo tarifaço americano.

Outras medidas para o agro

Em reuniões realizadas com setores do agro afetados pelas tarifas que chegam a 50%, o governo do Estado também está avaliando outras medidas de auxílio aos exportadores, como negociações para redução da tarifa, criação de linhas de crédito com juros subsidiados e possibilidade de prorrogação das parcelas de financiamentos já contratados.
Nesta semana, o governo está realizando reuniões individualizada com setores do agro impactos pela tarifa, por meio da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). 
Na quarta-feira (6), a Seag reuniu, em Piúma, representantes do setor pesqueiro, que exporta 98% da sua produção para o mercado norte-americano, ou seja, um total de US$ 5,2 milhões apenas no primeiro semestre de 2025. Entre os temas discutidos, estiveram negociações diplomáticas, busca de novos mercados, linhas de crédito, incentivos tributários, adequação sanitária das embarcações e ações de extensão pesqueira.
Na quinta-feira (7), o diálogo foi com representantes do setor de gengibre, durante encontro realizado em Santa Leopoldina. O Espírito Santo é o maior exportador nacional da especiaria, sendo responsável por 64% das divisas brasileiras decorrentes do mercado internacional. No primeiro semestre de 2025, 58% das exportações capixabas foram para os Estados Unidos, movimentando US$ 4,7 milhões, somente nesse período. A nova tarifa imposta pelos Estados Unidos impacta diretamente esse mercado, exigindo ações emergenciais para apoiar os produtores, reduzir os prejuízos e manter a competitividade do setor.
Gengibre colhido em terras capixabas
Gengibre colhido em terras capixabas Crédito: Reprodução/TV Gazeta
Foram debatidos ainda a liberação de créditos acumulados de ICMS, especialmente em situações de queda no volume exportado ou nos preços internacionais abaixo dos custos de produção; oferta de crédito para capital de giro a exportadores, com condições mais vantajosas que as praticadas pelo mercado financeiro, caso a crise se agrave; utilização dos incentivos fiscais estaduais para atrair indústrias que utilizem o gengibre como matéria-prima; liberação de recursos para pesquisas relacionadas ao controle de pragas e ao manejo adequado das lavouras; além da ampliação da assistência técnica aos produtores, com atuação integrada de profissionais das redes pública e privada, visando à melhoria da eficiência produtiva.
De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, as ações são construídas em conjunto com os produtores, exportadores e entidades representativas dos setores produtivos impactados.
“Estamos atuando de forma estratégica, com escuta ativa dos setores mais afetados na construção de soluções integradas. O Espírito Santo tem posição de liderança em várias cadeias do agro e não vai abrir mão de defender seus arranjos produtivos e garantir acesso a mercados internacionais”, destacou o secretário Enio Bergoli.

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