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Apagão de mão de obra

Profissional qualificado é raridade em meio a 269 mil sem emprego no ES

Mais da metade dos empregadores no Estado não consegue achar pessoal para contratar. Indústria e áreas ligadas à tecnologia sãos as que mais sofrem com o problema da falta de preparação

Publicado em 21 de Julho de 2021 às 02:00

Natalia Bourguignon

Publicado em 

21 jul 2021 às 02:00
Mercado de trabalho: Desde 2017 até outubro de 2020, 27 cidades do ES apresentaram saldo negativo de empregos, ou seja, fecharam postos de trabalho de acordo com dados do Caged.
Falta de capacitação impede que trabalhadores consigam arrumar emprego Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O mercado de trabalho brasileiro enfrenta uma contradição. Em um país com 14,8 milhões de desempregados, sendo 269 mil no Espírito Santo, empresas têm tido dificuldades em encontrar pessoas para ocupar vagas de emprego. Isso porque falta qualificação aos trabalhadores, principalmente nas áreas mais demandadas atualmente, como os postos operacionais em indústrias e também nos setores ligados à tecnologia.
Segundo o Ideies, entidade ligada à Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), a dificuldade para contratar atinge 53% das empresas capixabas, índice maior do que o brasileiro, que é de 50%, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
"(O problema) não é encontrar mão de obra. É a qualificação. Principalmente por conta das mudanças que estamos passando. A questão está ligada ao ambiente de tecnologia, de desenvolvedor, à área da indústria que vai pra linha de automação. Como somos um Estado industrializado, sentimos mais com essa falta”, afirma a presidente da Findes, Cris Samorini.
Cris Samorini, presidente da Findes
Cris Samorini, presidente da Findes Crédito: Mônica Zorzanelli

APAGÃO DO EMPREGO AFETA TODOS OS SETORES

Samorini ressalta, contudo, que esse é um problema que afeta todos os setores. Afirmação que é corroborada pela supervisora de recrutamento e seleção da Rhopen, Drielle Bianchini.
Segundo ela, mesmo para vagas em vendas ou call center, ou até em postos que parecem exclusivamente “braçais”, é necessário atualmente um mínimo de conhecimento tecnológico, o que muitas vezes falta aos candidatos.
"O candidato não consegue mandar um e-mail, não sabe o que é um provedor de internet, não sabe preencher uma planilha. São coisas muito simples que a escola ensina, mas que não são aproveitadas. Tem indústria em que quase toda atividade é comandada por aplicativo de celular. A pessoa precisa entender como mexer. Boa parte do operacional está informatizado. O candidato precisa ter minimamente esse conhecimento. Como eu acesso um computador se eu precisar?"
Drielle Bianchini - Supervisora de recrutamento e seleção da Rhopen
A especialista pontua ainda uma dificuldade em encontrar pessoas que saibam escrever de forma correta, com clareza e bom português, ou se comunicar com o cliente, por exemplo. Essa carência aparece já no momento da entrevista.
“A gente percebe uma falta de postura das pessoas, de comprometimento no momento da entrevista, de estar no horário, estar adequado para aquela situação, ter uma boa comunicação.”
Drielle Bianchini, supervisora de recrutamento e seleção da Rhopen
Drielle Bianchini, supervisora de recrutamento e seleção da Rhopen Crédito: Divulgação/ Rhopen
A ausência de profissionais qualificados afeta diretamente a produtividade das empresas e o crescimento econômico do país, segundo a presidente da Findes. Por isso, ela acredita que é preciso avançar nas políticas públicas de qualificação técnica e profissional.
"Só temos 11% de estudantes em ensino técnico no Brasil. A importância da qualificação profissional é tão relevante que mais de 70% dos estudantes que fazem Senai conseguem emprego em um ano. As empresas buscam qualificação. A formação dá outras oportunidades"
Cris Samorini - Presidente da Findes

EMPRESAS DE TECNOLOGIA SÃO AS MAIS AFETADAS

Para tentar contornar o problema, muitas companhias têm investido na formação dos trabalhadores para moldá-los às suas necessidades. Isso acontece principalmente na área de tecnologia, onde a falta de pessoas capacitadas é mais aguda.
“A sociedade passou por uma transformação muito rápida e os formadores tradicionais de mão de obra, como o setor público e mesmo as faculdades privadas, não perceberam esse movimento. Então as empresas estão tendo que arcar com essa responsabilidade”, ressalta o diretor presidente do Grupo ISH, especializado em cibersegurança, Rodrigo Dessaune.
A companhia, que atua em um ramo específico da tecnologia da informação, criou o próprio programa de capacitação. O objetivo é buscar talentos dentro da faculdade (notadamente nas áreas de exatas) e até pessoas formadas em outros ramos da carreira de tecnologia e treiná-los para atuar com cibersegurança.
Segundo Dessaune, a dificuldade em encontrar mão de obra é global, apesar de ser mais aguda no Brasil. Ele afirma que há pelo menos três anos tem tido problemas em preencher as vagas ofertadas. Por isso, às vezes chega a contratar trabalhadores de outros países, onde a empresa não tem sede física, para atuar remotamente.
Emilio Barbosa, presidente da Associação Capixaba de Tecnologia (Action)
Emilio Barbosa, presidente da Associação Capixaba de Tecnologia (Action) Crédito: Divulgação/ Action
O presidente da Associação Capixaba de Empresas de Tecnologia (Action), Emilio Barbosa, afirma há falhas graves na educação, desde os níveis mais básicos, que afasta os jovens das áreas ligadas à matemática. Mais para a frente na vida, os mesmos gargalos impedem que profissionais mudem de área para entrar no mercado de tecnologia.
“A pessoa que já está no mercado e perdeu emprego muitas vezes não se sente pronta ou com conhecimentos necessários para buscar o mercado de tecnologia. Ou porque têm medo do desconhecido ou porque podem encontrar exigências que não estão preparadas para cumprir, como raciocínio lógico, matemática, etc”, diz.
Ele afirma que é preciso desmistificar essas questões e construir pontes para que haja essa migração, para que as pessoas saiam dessas áreas que contratam menos (e que estão demitindo) para as áreas de tecnologia, que estão com alta de emprego.
A estudante Aline Bravin, de 21 anos, ainda nem terminou o curso superior em Sistemas de Informação e já conseguiu uma vaga de emprego na área de TI de uma empresa de recrutamento. Ela, contudo, tem curso técnico em informática, o que contribuiu para a contratação.
"Enviei o currículo e a resposta foi bem rápida. Logo no início da pandemia, a gente viu muitas demissões. Mas no momento vejo bastante vaga mesmo, mesmo para quem não terminou a faculdade ou está no comecinho", diz.
Ela ressalta que a área requer aprendizado constante e diz que pretende manter o ritmo de qualificação. "Na área de TI, se a pessoa ficar sem estudar, fica desatualizada. Mas é algo interessante  porque é preciso estar se renovando, buscando, correndo atrás de novos conhecimentos."

ESPECIALISTAS DIZEM QUE FORMAÇÃO É A SAÍDA

A especialista em recrutamento diz que é preciso que as pessoas desempregadas busquem se aperfeiçoar. A dica serve tanto para jovens que acabaram de deixar o ensino médio quanto para pessoas de mais idade que tenham perdido o emprego durante a crise.
“Vale muito a pena fazer qualquer curso de qualificação gratuita, seja técnico e profissionalizantes ou pequenos cursos muito rápidos de conhecimentos do dia a dia, como cursos de Word e Excel, linguagem empresarial, curso de departamento pessoal, ou algo da área financeira. Vale a pena procurar esse conhecimento onde é gratuito”, diz.
As opções são infinitas e muitas podem ser acessadas com facilidade pela internet. Já em relação aos cursos presenciais, há opções gratuitas no programa Qualificar ES, do governo do Estado. É preciso ficar de olho no lançamento dos editais.
Inauguração do Instituto Senai de Tecnologia, em Vitória
Inauguração do Instituto Senai de Tecnologia, em Vitória Crédito: Divulgação/Findes/ Alexandre Mendonça
Já na área industrial, a Findes inaugurou em 6 de junho um novo bloco dedicado à tecnologia da informação e automação no Senai, na avenida Beira Mar, em Vitória. O objetivo é ofertar cursos de formação com foco em segurança cibernética e desenvolvimento de sistemas, gestão industrial, instrumentação, automação e mecatrônica.
O projeto, que já conta com 20 laboratórios, salas de aula, salas de treinamento, biblioteca, videoteca e auditório, deve ganhar uma expansão em 2022, segundo Cris Samorini.

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