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PIB cresceu 1,2%

Recuperação da economia no Brasil ajuda o ES, mas não chega para todos

País recuperou as perdas acumuladas durante a pandemia, porém especialistas alertam que a crise não foi superada já que a melhora das atividades atinge setores de forma desigual, não se refletindo no emprego, por exemplo

Publicado em 02 de Junho de 2021 às 21:08

Caroline Freitas

Publicado em 

02 jun 2021 às 21:08
Restaurante vazio
Restaurante vazio: setor de serviços, que é o que mais emprega, ainda sofre com a crise Crédito: Pixabay
crescimento de 1,2% da economia brasileira no primeiro trimestre de 2021, que zerou as perdas registradas no país desde o início da pandemia do novo coronavírus, como apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra uma rápida retomada de muitas atividades econômicas, inclusive no Espírito Santo. No entanto, essa recuperação ainda não é percebida no dia a dia pela maior parte das famílias capixabas.
Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador que mensura a atividade econômica através de cálculos de oferta e demanda de todos os bens e serviços oferecidos, funcionando como um termômetro da economia. No entanto, especialistas alertam que a melhora, apesar de ser um bom sinal, não significa que a crise econômica foi superada ou que o bom desempenho seja universal, pois, na verdade, ele tem se limitado a poucos setores.
O resultado do PIB considera a soma do todo. Assim, o crescimento que se nota a nível Brasil pode não ser o mesmo observado nos Estados e nos municípios em que determinadas atividades têm peso maior ou menor que a média nacional. No caso Espírito Santo, apesar do forte comércio exterior, a maior força na economia ainda é do setor de serviços, o que mais emprega no Estado, mas que segue muito afetado pela pandemia do coronavírus.
“Quando falamos de crescimento do PIB estamos olhando para uma variável agregada que é um bom sinalizador econômico, que nos dá a uma direção se estamos progredindo, estáveis ou regredindo como economia. No entanto, o crescimento da riqueza é uma coisa, já a distribuição dela é outra”, observa a economista Danielle Nascimento.
Ela destaca que, assim como há setores econômicos que ainda estão ruins, sem sinais claros de recuperação, há incontáveis famílias que também não conseguiram se recuperar da crise, a despeito do que dizem os indicadores. E em ambos os casos, a economista pondera, esse processo pode levar meses ou até anos.
“Neste cenário que estamos, tão importante quanto olhar o PIB, de forma agregada, é estarmos atentos aos componentes: quais setores puxaram o crescimento e quais precisam de atenção. É uma análise ampla e necessária para que sejam traçadas estratégias setoriais e domiciliares mais assertivas de recuperação.”
O economista Eduardo Araújo, por exemplo, chama atenção para o fato de que o fator que mais contribuiu para o crescimento do PIB nacional foi o aumento do volume de vendas de de commodities, que são mercadorias como minério de ferro, aço, celulose, café, carnes, entre outros, cujos preços são influenciados pelo dólar.
Com a valorização da moeda norte-americana frente ao real desde o início da pandemia, o que levou as empresas exportadoras a aumentarem a produção e venderem mais, indicadores como o PIB acabam puxados para cima. Isso também beneficia a economia do Espírito Santo, onde os segmentos de celulose e aço, por exemplo, estão em alta.
“A alta do PIB é uma notícia boa em meio a tantos indicadores ruins da economia, mas a população de modo geral não percebe muito essa melhora no dia a dia porque o desemprego e a inflação galopante estão aí. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que influencia no reajuste do aluguel e tem alcançado mais de 30% de alta em 12 meses, é só um exemplo disso”, destaca Araújo.
O aumento generalizado de preços recai, principalmente, sobre as famílias de menor renda. Em abril, a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), avançava 0,31%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que considera o peso da inflação sobre as famílias que ganham até cinco salários mínimos, subiu 0,38%. Esse mesmo desequilíbrio é observado na Grande Vitória, em que o INPC de abril alcançou 0,43%, enquanto o IPCA subiu 0,38%.
Além do encarecimento de produtos e serviços, Araújo chama atenção para os níveis elevados de desemprego, principalmente no mercado informal. No primeiro trimestre de 2021, a taxa de desemprego no Espírito Santo foi de 12,9%. O percentual foi o mais alto para o período desde 2017, embora tenha apresentado recuo em comparação com os últimos três meses de 2020, quando o resultado foi de 13,4%. Ao todo, 269 mil pessoas estavam desempregadas nos primeiros três meses deste ano.
Ainda segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) Trimestral, entre os 1,818 milhão de trabalhadores que têm alguma atividade econômica, 124 mil estão subocupados, ou seja, atuam por poucas horas, não conseguindo ter renda suficiente com o trabalho para sobreviver.
“Apesar de termos conseguido recuperação em alguns setores, não foi suficiente para conseguirmos avançar tanto. O PIB pega o volume de vendas, mas quando se olha para os setores que têm crescido, muito empregam pouco pois usam muita tecnologia. Eles crescem nas vendas, se expandem, mas não necessariamente impactam no PIB per capita da população, que, inclusive, ainda não conseguiu superar a pandemia. Isso só deve acontecer em 2023.”
"Duas variáveis tiveram grande peso no PIB, que foram a queda da taxa de juros, que perdurou por muitos meses e contribuiu para o aumento de investimentos, e a alta do dólar, que beneficiou as exportações. Quando o país cresce, o Espírito Santo tende a apresentar um resultado ainda melhor. Mas esses resultados ainda não são sentidos pela população porque ainda temos índices elevados de desemprego. As expectativas são de que, à medida que a vacinação avance, isso melhore"
Eduardo Araújo - Economista
O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, pontua que os principais componentes da economia dos Estados vão indicar, nos próximos meses, se os resultados serão ou não serão positivos.
Um Estado como o Mato Grosso, por exemplo, cuja economia está ligada principalmente ao agronegócio, deve avançar menos que outros, porque o setor não foi tão afetado pela crise. Já locais como Espírito Santo e São Paulo, que estão mais ligados aos serviços e à indústria, devem apresentar resultados mais fortes, porque têm perdas a recuperar. Entre janeiro e março, por exemplo, a produção industrial capixaba geral teve retração de 4,8% em comparação ao mesmo período de 2020.
Ele destaca, contudo, que o país ainda está em processo de recuperação e que ainda há muito a ser superado nos próximos meses, uma vez que a pandemia interrompeu um processo de crescimento econômico que vinha sendo ensaiado pelo país no período pré-crise.
“A recomposição das perdas é muito positiva, mas não significa que tudo está resolvido. O crescimento ainda é heterogêneo entre os setores e a parcela da população que atua na informalidade ainda é muito penalizada. Muitos não puderam ir às ruas para trabalhar por conta do vírus e precisaram ser suportados pelo governo, pelo auxílio emergencial."
"Estamos pegando um cenário ainda sensível, em que uma minoria da população não está vacinada e o mercado de trabalho ainda não está fortalecido. Há um longo caminho a percorrer", conclui.

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