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Grandes projetos

Setor de petróleo e gás terá R$ 13,78 bi em investimentos no ES em 5 anos

São esperados investimentos em projetos de grandes empresas, com a Petrobras e a Shell, mas também de agentes novos neste mercado

Publicado em 16 de Abril de 2021 às 02:00

Caroline Freitas

Publicado em 

16 abr 2021 às 02:00
FPSO Espírito Santo, da Shell, que atua na produção de petróleo no Parque das Conchas, no Espírito Santo
FPSO Espírito Santo, da Shell, que atua na produção de petróleo no Parque das Conchas, no ES Crédito: Acervo Shell
Empresas do setor de petróleo e gás devem investir cerca de R$ 13,78 bilhões no Espírito Santo nos próximos anos. A expectativa é de que as grandes petroleiras, a exemplo da Petrobras e da Shell, mantenham grandes investimentos em algumas áreas prioritárias no Estado e, ao mesmo tempo, a entrada de novos agentes no mercado também estimule novos projetos.
O levantamento consta na 4ª edição do Anuário da Indústria do Petróleo e Gás, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado(Findes), por meio do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies).
A publicação aponta que a quebra do monopólio da Petrobras e o novo mercado de gás, sancionado nesta semana pelo governo federal, darão frutos positivos para o Estado. Estão no radar, por exemplo, investimentos de empresas como ImetameES Gás, Karavan Oil & Gas e EnP.
Em 2020, o cenário de queda no preço do barril de petróleo, devido à redução da demanda por combustível provocada pela pandemia do coronavírus, deixou os investidores do setor cautelosos.
A Petrobras, por exemplo, anunciou em outubro o terceiro adiamento do início da operação do Integrado Parque das Baleias, novo navio-plataforma que iria ampliar a produção no campo de Novo Jubarte, no Litoral Sul capixaba.
A nova infraestrutura para produção de petróleo e gás, orçada em aproximadamente R$ 5 bilhões (ou ainda US$ 933,5 milhões), é um dos projetos mais aguardados pelo Espírito Santo e foi jogada para 2024. 
O ano de 2021, por outro lado, começou com um retorno gradual dos preços da commodity para os níveis pré-pandemia, à medida em que o mercado global se recupera, impulsionado, principalmente, pelo avanço da vacinação contra a Covid-19. O barril de óleo, que chegou a ser cotado a menos de US$ 20 no ano passado, já passa dos US$ 60 atualmente.
Há investimentos que visam a ampliação da produção de petróleo e gás em terra, mas também estão previstos perfurações de poços e pesquisas de exploração por novas empresas que arremataram blocos no Estado; planos de descomissionamento (desmonte) de plataformas da Petrobras; e novos leilões de áreas de exploração e produção.
“O desempenho do mercado global é sempre um ponto de atenção para empresas como a Petrobras – que além do investimento no Parque das Baleias, tem outros dois projetos para infraestruturas voltadas para a produção de petróleo e gás –, que, como já observamos, tende a revisar seus investimentos conforme as condições. O mesmo pode ocorrer com a Shell. Mas são investimentos potenciais, com certeza”, apontou a gerente do Observatório do Ambiente de Negócios do Ideies, Gabriela Vichi.
Outros investimentos, ela observa, estão mais consolidados, como é o caso da ES Gás, que, nos próximos 10 anos, deverá investir até R$ 300 milhões para expandir a rede de distribuição de gás no território capixaba. A meta é construir mais de 292 mil metros de gasodutos de distribuição e ligar mais de 96 mil novos consumidores à rede do gás, que hoje atende a cerca de 60 mil consumidores em 13 municípios capixabas.
A primeira grande ação será no Norte do Estado. A empresa vai construir um gasoduto de distribuição que ligará a Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC) da Petrobras, em Linhares, até a região industrial da cidade, levando gás para indústrias. São previstos cerca de 40 quilômetros de dutos, que devem demandar um investimento médio de R$ 40 milhões.
“Outro projeto que tem boas perspectivas é o que será realizado pela Imetame e pela EnP, pois há um investimento obrigatório mínimo, que até pode ser repactuado, mas tem regras mais rígidas para isso”, frisou Vichi. As empresas se uniram para investir na exploração e produção de petróleo no Norte do Estado.
Além disso, a Petrobras oficializou, em agosto, a venda de sua participação em 27 concessões terrestres de exploração e produção de petróleo, localizadas no Espírito Santo, conhecidas como Polo Cricaré, para a Karavan SPE Cricaré S.A., uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). São esperados mais de R$ 130 milhões em investimentos na região com o novo operador.
“O Espírito Santo tem um ambiente propício para ter uma diversificação de atores. A gente foca na Petrobras – e ela é importante, claro, tem um nome forte –, mas também temos outros players no mercado. Temos atraído novas empresas, e temos boas oportunidades para os próximos anos, que podem movimentar toda a cadeia de negócios, gerar emprego e renda”, destacou a especialista.

CONCORRÊNCIA  REDUZ PREÇOS E ESTIMULA INVESTIMENTOS 

O diretor de Defesa de Interesses da Findes, Luis Claudio Montenegro, reforçou que é preciso pensar em ter mais concorrência, com mais empresas operando, até mesmo para que seja possível reduzir preços. Para isso, é necessário que haja no Estado um ambiente que favoreça a atração desses investimentos.
Nesse sentido, ele destaca que, no final de março, foi realizada a chamada “Mesa Reate”, uma reunião entre membros dos governos federal e estadual, órgãos licenciadores, indústria, entre outras frentes, para discutir o cenário e propor soluções que promovam os potenciais do Estado no segmento de produção de petróleo em terra (onshore).
“Além disso, o governo federal criou, no final do ano passado, o Promar (Programa de Revitalização e Incentivo à Produção de Campos Marítimos), que é um projeto que tem como objetivo a revitalização dos campos maduros offshore para prolongar sua vida útil. Também temos potencial para atração de investimentos na área onshore, com as novas rodadas.”
Montenegro destaca ainda o novo marco regulatório do gás, sancionado na quinta-feira (8) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Entre outros pontos, o texto traz a desconcentração do mercado, ao impedir uma mesma empresa de atuar em todas as fases, da produção até a distribuição, medida que, na prática, quebra o monopólio da Petrobras no setor.
O novo mercado de gás que nasce com a nova legislação poderá elevar em R$ 1 bilhão o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo e criar 16 mil empregos até 2029. A arrecadação em impostos também deve crescer em R$ 64 milhões por ano, segundo estudo do Ideies, conforme revelou a colunista de A Gazeta Beatriz Seixas.
“O novo mercado vai gerar um crescimento importante, tanto na infraestrutura, quanto na produção. Mas, além dessas áreas, também temos que voltar o olhar para investimentos em pesquisa e inovação. Hoje, temos uma participação muito pequena das empresas com esse tipo de recurso. E é algo em que a própria federação quer ampliar sua atuação. Estamos propondo, inclusive, a expansão do Fórum (Capixaba de Petróleo e Gás) para abranger a energia como um todo, mas também queremos dar suporte ao Estado e aos municípios na estruturação de projetos com investimentos de royalties.”

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