Estruturas de algumas plataformas antigas da Petrobras no Rio de Janeiro estão sendo retiradas do mar e serão trazidas por navio para o Espírito Santo para que possam ser transformadas em sucata.
A embarcação responsável pelo serviço é o Normand Cutter, que será empregado pela empresa contratada pela Petrobras para execução da remoção e adequada destinação final dos sistemas submarinos relacionados às duas plataformas.
Sucatas valiosas de plataformas de petróleo serão trazidas para o ES
A Petrobras, que prevê o descomissionamento de 15 plataformas nas bacias de Campos e Santos nos próximos cinco anos, explicou ainda que as atividades de descomissionamento, de modo geral, envolvem a remoção das plataformas em si, o tamponamento definitivo dos poços e a destinação dos sistemas submarinos, conforme plano aprovado previamente pelo Ibama, pela ANP e pela Marinha do Brasil.
A análise de quais componentes dos sistemas submarinos devem ser removidos é feita caso a caso, considerando aspectos de segurança, ambientais, técnicos, sociais e econômicos, como determina a regulamentação da ANP.
“No caso das plataformas, a Petrobras definiu diretrizes corporativas de destinação verde, alinhado às melhores práticas de ASG da indústria mundial, de forma a garantir o adequado processo de reciclagem com proteção ao meio ambiente e aos direitos humanos”, destacou a empresa.
Segundo informações divulgadas pela Ocyan, responsável pelo navio Normand Cutter, todo o material que será recolhido — o equivalente a 20 mil toneladas — será cortado e transferido para uma base em Vitória, onde será limpo, descontaminado e vendido como sucata.
Oportunidade de negócio
A remoção dos restos de estruturas é uma das etapas do chamado descomissionamento, ou seja, do processo de desativação das plataformas de produção de petróleo e gás, cujos campos chegaram ao fim da vida útil e foram abandonados.
A atividade, que pode até parecer algo ruim em um primeiro momento, é um poço de oportunidades para profissionais e empresas, conforme explica Luis Claudio Montenegro, consultor da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) em Infraestrutura e Energia.
“Os campos de exploração de petróleo, seja em terra ou no mar, têm uma vida útil. Você dimensiona esse tempo quando perfura e vai sempre fazendo testes de viabilidade econômica. Pelo porte da empresa, que é muito grande, chega um momento em que não é mais interessante para a Petrobras explorar esses poços, pelo investimento que demanda. Há uma oferta permanente de campos maduros até o momento que se vê que não há mais interesse, e somente então é feito o descomissionamento.”
Ele destaca que, além de ser um processo sensível, tendo em vista o nível de cuidado ambiental exigido, também demanda investimentos elevados. A expectativa é de que, até 2026, atividades de descomissionamento de plataformas movimentem cifras bilionárias no Estado.
"Se é possível incentivar a produção nesses campos maduros, é melhor, você continua produzindo, arrecadando, mas quando não há solução… O descomissionamento é um mercado de interesse e temos um potencial grande. Disputamos naturalmente com o Rio de Janeiro, mas temos uma estrutura aqui no Espírito Santo que é muito boa para atender esse mercado."