Tecnologia com ares futurísticos, os NFTs (tokens não-fungíveis) entraram no radar de moradores do Espírito Santo, que já começam a produzir e até a comercializar o ativo — que nada mais é que uma espécie de certificado de propriedade ligado a um produto digital, como uma ilustração, um meme, ou uma fotografia, por exemplo.
No mundo físico, equivaleria à escritura de uma casa, por exemplo. É uma forma de dizer que o arquivo é autêntico e exclusivo ou insubstituível, ainda que não exista a garantia ou controle de remuneração por reprodução do material.
Também está ligado às operações do metaverso, um ambiente tridimensional em que pessoas reais interagem com o mundo virtual, a exemplo do que acontece no filme Free Guy, de 2021, produzido pela 20th Century Studios.
O NFT é considerado um criptoativo, e carrega a promessa de valer algo no futuro, por isso, há muita especulação sobre os ativos, que podem chegar a valer milhões de reais. Sua transação acontece em uma rede descentralizada de internet chamada ethereum (da criptomoeda ether), onde as informações ficam registradas e com inviolabilidade garantida pela criptografia.
O certificado é uma blockchain, que, segundo Samir Kerbage, diretor de tecnologia da Hashdex, é tipo de base de dados de transações. “É como um grande computador com milhares de pessoas ao redor do mundo para validar as transações, comumente chamadas de mineradores. Elas trabalham para dar segurança para essa rede e recebem recompensas para processar transações.”
Para Gilberto Sudré, especialista em Tecnologia e comentarista da CBN Vitória, um dos principais diferenciais do negócio é justamente a possibilidade de adquirir um produto digital vendido com um certificado de autenticidade e propriedade registrado em uma blockchain.
“Poderia ser uma venda sem blockchain, mas não teria todo esse apelo. A mim parece um modismo, que pode durar muito, pode durar pouco. No conceito comum, se você tem um item, você controla seu uso ou aplicação. No NFT, isso não existe. Mas o fato é que tem muita gente ganhando dinheiro com isso.”
Um grupo de pesquisa da Universidade Faesa já começa a olhar nessa direção, e atualmente trabalha em um projeto para implementação de um NFT ligado ao ambiente educacional, conforme explica o professor dos cursos de Engenharia e Computação da instituição, Otávio Lube dos Santos.
“Ainda estamos em fase de implementação para depois divulgar e tentar atrair investidores. Mas já dominamos a tecnologia, como gerar o NFT e colocar numa rede de blockchain. A partir daí, tivemos a ideia de gerar um criptoativo para desenvolver um modelo de aprendizagem, no sentido de que, dentro do contexto educacional, possamos colocar para rodar uma moeda virtual. Um trabalho de escola poderia virar um NFT, por exemplo.”
A expectativa, segundo Santos, é que o arquivo seja cadastrado em uma plataforma digital ainda neste ano, mas ainda não existe uma previsão de valor mínimo para aquisição do NFT em questão.
“O token vai ficar ligado à lei da oferta e da procura, se as pessoas se interessarem muito, o preço vai subir, se houver menos interessados, o preço vai cair. E esse é um dos motivos pelos quais há tantas pessoas interessadas em NFT.”
NFTs CAPIXABAS JÁ SÃO COMERCIALIZADOS
Enquanto o projeto desenvolvido por pesquisadores da Faesa ainda está em andamento, outros NFTs produzidos no Espírito Santo já estão, inclusive, em comercialização.
O designer Ludson Zampirolli, especializado no design com rochas naturais e robótica, criou um arquivo digital a partir do escaneamento de um produto real: uma pia dupla, para casal, feita com um quartzito Azul Macaúbas. Segundo o designer, o arquivo 3D tem extensão compatível com uma estrutura para o metaverso, podendo ser inserido em diversos games e aplicativos que podem interagir com múltiplos avatares.
Esta, entretanto, não é a única aplicação possível. O designer observa que o produto pode servir a arquitetos e designers de interiores, podendo ser aplicado em softwares de modelagem 3D.
“Esse NFT foi colocado numa plataforma de leilão, em que é possível realizar lances em ethereum (criptomoeda). Quem pagar mais levará o produto. E ainda vai ter como ‘brinde’ a possibilidade de receber o produto físico também, porque, neste caso, o NFT foi criado a partir de algo que existe além do campo digital.”
Zampirolli afirma que o NFT surgiu após diversos debates, ele acredita que os produtos digitais exclusivos devem se transformar em um novo tipo de tendência no campo do design. “Ainda há pessoas incrédulas, falam que ainda está fora do nosso tempo, mas tentamos tranquilizar: não é tão caótico, tão novidade assim. É possível de ser feito, já está sendo feito.”