Pelo interesse norte-americano nesse grupo de minerais, essenciais para indústria automotiva, de energia, chips de computadores e outras aplicações, as terras raras têm sido apontadas como um trunfo para ampliar as conversas entre Brasil e Estados Unidos.
Mas como fica no Espírito Santo se a exploração das terras raras ganhar volume? O Estado tem concentração dessas riquezas principalmente no Litoral Sul, além da Região Serrana.
Para o economista e membro do Conselho de Economia do Espírito Santo, Vaner Corrêa, o Espírito Santo tem potencial significativo para se tornar um polo estratégico na exploração de terras raras, insumos críticos para tecnologias de ponta, como ímãs permanentes, turbinas eólicas, veículos elétricos e eletrônicos. Esses minerais são fundamentais em setores com alto valor agregado global.
"Explorar essas reservas com critérios de sustentabilidade e refino local permitiria ao Estado diversificar sua balança comercial, gerar empregos qualificados, estimular investimentos tecnológicos e mitigar os impactos de tarifas impostas por grandes potências sobre nossas exportações primárias", afirma.
Cobiçadas pela indústria mundial,
terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos que podem ser essenciais para indústria automotiva, de energia, chips de computadores e outras aplicações. E os
Estados Unidos demostraram interesse nesses minerais do Brasil.
No país, vários Estados têm potencial para a presença de terras raras no solo. O Espírito Santo, por exemplo, tem potencial em pesquisa e exploração no tema, concentrando dois dos minerais desse grupo: cério (Ce) e samário (Sm), segundo Marcos Tadeu Orlando, professor do Departamento de Física da
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e representante da universidade no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT).
O economista Vaner Corrêa destaca ainda o fato de que a credibilidade da moeda e da economia brasileira depende da capacidade do Estado em preservar sua integridade institucional e monetária.
"Nesse sentido, um projeto mineral de alta especialização pode atuar como um amortecedor econômico e uma fonte de fortalecimento institucional ante choques externos, inclusive tarifários", diz.
Corrêa lembra que do ponto de vista econômico mais imediato há o impacto que este tipo de extração e produção pode causar ao meio ambiente marinho. E que isso talvez seja o maior empecilho da extração e produção.
"Mas, caso a prospecção seja positiva, e houver um tipo de pacto capixaba, isto pode ajudar a colocar o Espírito Santo no radar nacional e internacional como potência mineral emergente — muito além do granito, agora também das terras-raras", finaliza.