A TV Capixaba, atual afiliada da Band no Espírito Santo, anuncia nesta sexta-feira (20) que assumirá, com a Rede Sim, a retransmissão do SBT e da Record News a partir de janeiro (confira mais abaixo nesta reportagem o texto na íntegra).
O posicionamento confirma a informação adiantada por A Gazeta no último dia 10 de dezembro, quando a Rede Sim, a TV Tribuna e a TV Capixaba fecharam um acordo definindo que o SBT, a Band e a Record News terão casas novas no Espírito Santo. Uma reunião realizada no dia 9 selou verbalmente o entendimento, definindo a TV Tribuna como a nova retransmissora da Band, a Rede Sim acomodando a empresa da família de Silvio Santos e a TV Capixaba passando a cuidar da programação da Record News.
A novidade é que a TV Capixaba e a Rede Sim fecharam acordo e vão conduzir as operações do SBT conjuntamente. Não somente a emissora de Silvio Santos será tocada pelas empresas como também as rádios Record News, Band News FM, Espírito Santo 90.1, Massa FM 91.9 e os portais ES360 e Sim Notícias.
Veja nota da TV Capixaba e Rede Sim:
Participaram daquela reunião representantes das redes envolvidas ligados à relação com afiliadas e ao jurídico de cada negócio, além de advogados e de representantes das emissoras locais. O diretor de afiliadas do SBT, Daniel Abravanel, também participou da conversa. Foram expostas as bases do texto a ser formalizado, que na época não passa de uma página, segundo fontes ouvidas pela reportagem.
No último dia 10 de dezembro, as mesmas fontes informaram que o acordo entre as partes ainda não havia sido assinado, mas que isso ocorreria nos próximos dias, com a expectativa de que a "dança das cadeiras" fosse oficializada antes do recesso do Judiciário, que começa justamente nesta sexta-feira (20). A ideia é estancar o vaivém de ações judiciais que tentam redefinir a emissora afiliada do SBT no Espírito Santo desde o primeiro semestre de 2023 e dar andamento aos movimentos empresariais de cada grupo.
A TV Tribuna do Espírito Santo continua afiliada do SBT por ordem da Justiça de Pernambuco — sede do Grupo João Santos, controlador da emissora — que obrigou o SBT a
manter o vínculo após ter acolhido as argumentações da emissora de que havia feito investimentos na operação. Antes de ouvir os argumentos, a Justiça havia determinado o rompimento do contrato.
Em maio de 2023,
a coluna Abdo Filho revelou que a rede havia rompido o contrato de mais de 40 anos com a TV Tribuna e que estava a procura de uma nova afiliada no Estado para início das operações em 1º de julho daquele ano. A TV Tribuna recorreu à Justiça, que concordou com a tese da emissora do grupo pernambucano e manteve a afiliação.
Em Pernambuco, a TV Tribuna foi inaugurada em 1991 sendo afiliada da Band até 1998, quando mudou para a Record. Em 2012, retornou para a Band, com a qual permanece até os dias de hoje, numa relação de quase 20 anos de afiliação.
A falta de sintonia entre a afiliada no Espírito Santo e o SBT nos últimos tempos mobilizou a Rede Tribuna, em Recife, a iniciar conversas com a Band sobre as possibilidades no mercado capixaba, convergindo com os interesses da Rede Sim e da TV Capixaba para uma possível negociação.
No caso da TV Tribuna, a programação local seria mantida, com a possibilidade de incluir outros produtos diante do que a Band oferece na grade local. A Rede Sim teria os espaços locais do SBT para ocupar, com a possibilidade de ampliação de quadro nas equipes de produção de conteúdo comercial, jornalismo e operações também pelas opções da grade. Esses desenhos de programação, entretanto, caberão a cada emissora em acordo com suas respectivas futuras redes.
O Grupo João Santos, controlador da Rede Tribuna e de outros negócios como o cimento Nassau, enfrenta uma grave crise econômica há alguns anos, levando a companhia à recuperação judicial. Recentemente, o conglomerado de empresas obteve uma vitória importante nesse processo, quando
a maioria dos credores aprovou o plano de Recuperação Judicial, com valores que superam R$ 475 milhões em pagamentos a 25 mil pessoas somente com questões trabalhistas.
As empresas envolvidas no acordo foram procuradas para dar mais detalhes sobre a operação, mas não se manifestaram.