Confirmada nesta quinta-feira (13), a venda do Polo Norte Capixaba pela Petrobras à subsidiária do grupo norueguês Seacrest Bermuda Limited deve criar 2,7 mil novos empregos diretos nos próximos cinco anos. Atualmente, a Seacrest já gera cerca de 700 empregos no Espírito Santo com a operação do Polo Cricaré, que assumiu em 2022. Com os novos campos adquiridos, a expectativa é chegar ao total de 3.500 empregos no Estado.
Esse crescimento se dará pela curva de aumento produção que é projetada com a entrada da operadora privada, conforme explica Rafaele Cé, presidente da Rede Petro ES, associação que une empresas fornecedoras de bens e serviços para o setor de óleo, gás e energia. Hoje, o Polo Norte Capixaba produz cerca de 5 mil barris por dia, enquanto os projetos indicam um crescimento da produção para até 30 mil barris/dia.
"Esse incremento de 25 mil barris/dia vai se dar ao longo dos próximos 5 anos. E à medida que forem aumentando a produção, vão contratando mais. Está interligado isso. E são profissões diversas, que vão de técnico de segurança, técnico de operações, motorista a também trabalhadores para área logística, fornecimento de alimentação, transporte", explica Rafaele.
Com a entrada da empresa independente, todos os campos de petróleo em terra (onshore) no Espírito Santo passam a ter operadores privados. Atualmente, o Estado tem 260 poços terrestres produtores, sendo que a expectativa é de que até 200 sejam perfurados nos próximos anos em busca de aumentar a produção.
Venda de polo de petróleo da Petrobras no ES deve criar 2,7 mil empregos
Para o setor, a expectativa é que aumentem os negócios e contratos com as empresas da cadeia de óleo e gás no Estado, gerando outros milhares de empregos indiretos nos próximos anos.
"É uma facilidade muito maior lidar com uma operadora independente. É um acesso mais direto a quem tem poder de decisão na empresa. A Petrobras é um grande cliente, é necessária, e nós temos muitos contratos com ela. Mas existe espaço para operadores independentes, que demandam serviços e contratos mais simples", afirma o presidente da Rede Petro ES.
Após meses de indefinição e espera, a Petrobras informou ter recebido o pagamento de US$ 426,65 milhões (quase R$ 2,1 bilhões) pela venda do Polo Norte Capixaba, que compreende um conjunto de quatro concessões de campos onshore de produção de óleo e gás e agora passa a ser da Seacrest Petróleo SPE Norte Capixaba.
A informação da transferência de 100% do negócio para a outra empresa foi divulgada na noite da última quarta-feira (12) em fato relevante, tranquilizando empresários que fornecem para o setor no Espírito Santo. Em encontro com associados nesta quarta (12) em Vitória, o presidente da Rede Petro comemorou:
"Foi uma decisão de bom senso. Estávamos com essa expectativa para que a empresa desse continuidade aos processos e contratos já assinados, que foi o que aconteceu. Uma vitória para o Espírito Santo"
"A gente tem contratos que ainda estão em processo de negociação e vão ser mais difícil terem continuidade. Mas na ANP (Agência Nacional de Petróleo), pelos posicionamentos que eles vêm dando, há um movimento de continuidade das concessões diretas, que é uma outra frente de oportunidade para as operadoras independentes", analisa Rafaele.
Maior região produtora no ES
Os ativos do Polo Norte estão localizado na Bacia do Espírito Santo, nos municípios de Linhares, Jaguaré e São Mateus, sendo a maior região produtora no onshore capixaba. Entre os empreendimentos passados ao grupo norueguês, estão as instalações de Cancã e Fazendas Alegre (o maior campo terrestre de petróleo no Estado), São Rafael e Santa Luzia.
O polo compreende ainda o Terminal Norte Capixaba (TNC), até então operado pela Transpetro, e todas as instalações de produção contidas no ring fence (jazidas) das quatro concessões que também fazem parte do complexo. A titularidade de alguns terrenos do local também foi vendida, além de dutos para transporte de óleo e gás.
O TNC é constituído de cinco tanques de recebimento de petróleo e condensado com medição operacional em linha na sua entrada. Ele também conta com infraestrutura para recebimento por carretas.
Com a conclusão da cessão, a Seacrest assume a condição de operadora dos campos do Polo Norte Capixaba e demais infraestruturas de produção.