É do Festival Folclórico de Parintins, que ocorre no Estado do Amazonas, a origem de diversos profissionais de que atuam no Carnaval de Vitória. Pessoas de extenso currículo que já trabalharam na montagem de alegorias de escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Entre eles, está o soldador artístico da Boa Vista Odeilson do Rosário, de 47 anos, que começou no mundo do carnaval a convite do carnavalesco carioca Joãosinho Trinta.
“Comecei a trabalhar com alegorias no carnaval de Manaus. Nessa oportunidade, conheci pessoas que me convidaram para fazer o Boi de Parintins, em 1997. De lá, conheci o Joãosinho Trinta que falou comigo que eu tinha um trabalho e técnica diferente e me chamou para ir para o Rio de Janeiro”, disse Odeilson, que trabalha há 20 anos com alegorias pelo Brasil.
Foi através do carnaval que Gildo Alfaia também saiu de Parintins para viver em terras capixabas. “Estou em Vitória há 10 anos. Trabalhei em Parintins por quase 15 anos: 13 no Boi Garantido e o restante no Boi Caprichoso (lados da disputa do festival por lá). Vim para cá trazendo mulher e filho para trabalhar nas escolas de samba”, disse Gildo, que é o responsável pelo terceiro ano consecutivo pela cenografia da MUG, atual campeã.
São os cenógrafos e soldadores artísticos os responsáveis pelos movimentos dos carros alegóricos na avenida, como por exemplo fazer pássaros baterem asas e tigres balançarem a cabeça. Trabalho que é feito em parceria com os carnavalescos nas agremiações.
“É uma coisa que trazemos da época do Festival de Parintins e procuramos melhorar cada vez mais nossa participação no carnaval. As engrenagens dos movimentos são todas manuais”, disse o soldador artístico Robson de Melo Nunes, 47 anos que está a dois meses trabalhando para deixar os carros da Novo Império prontos. “Se tiver que entrar na madrugada vamos fazer”, concluiu.