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Carnaval de Vitória

Baterias: lugar de várias profissões por um só ritmo

Nas baterias da escolas de samba do Carnaval de Vitória tem de tudo: professor, engenheiro, médico...

Diná Sanchotene

Repórter

dsanchotene@redegazeta.com.br

Publicado em 15 de Fevereiro de 2019 às 17:03

Publicado em

15 fev 2019 às 17:03
Servidora pública, assistente médica, montador de bicicleta e dono de restaurante. A diversidade de profissões não tem a menor importância quando os componentes de uma bateria estão unidos em um só objetivo: levar ritmo e alegria para os desfiles no Sambão do Povo. A dedicação dos ritmistas nas escolas é voluntária e movida a amor pelo samba.
Na Mocidade Unida da Glória (MUG), de Vila Velha, a bateria Pura Ousadia conta com 200 componentes distribuídos com tamborins, surdos, caixas, entre outros instrumentos. Uma dessas pessoas é a assistente médica Letícia Emídio Reis, 30 anos, que toca chocalho há 10 anos.
Tocar na bateria é uma forma de relaxar do estresse do dia a dia. O que nos motiva é a paixão pela escola, além das amizades que fazemos. Estamos todos no mesmo barco, como uma família
Letícia Emídio Reis
A servidora pública Bianca Ventorin Comarela, 35, destaca que a troca de experiências profissionais, as conversas e a convivência saudável reforça a amizade entre os participantes do grupo. Ela aprendeu sozinha a tocar tamborim, mas foi nas oficinas da escola que afinou a técnica.
“No ambiente de trabalho, precisamos ter postura profissional, e na bateria somos livres para brincar o carnaval. Os ensaios e o desfile são ambientes ideais para relaxar as tensões do dia a dia. Essa união nos torna um time”, acrescenta.
Bianca, Vinícius, Robson e seu filho Gabriel, 7, e Letícia tocam na MUG Crédito: Carlos Alberto Silva
Já Vinícius Rocha Apolinário, 33 anos, administra o restaurante da família e aproveita os momentos de folga para se distrair tocando na bateria. Ele toca caixa desde 2011. “O amor pela escola vem desde criança. Depois da correria do dia a dia, atuar como ritmista é uma terapia”, aponta.
Há mais de 30 anos na MUG, o montador de bicicleta Robson Viana do Nascimento, 47, toca todos os instrumentos e este sairá como um dos diretores da bateria. “O que temos aqui é uma roda de amigos. Pouco importa o que cada uma faz, somos todos ritmistas”, ressalta. Ele tem cinco filhos e até o mais novo, de 6 anos, o João Gabriel, faz parte do grupo.
Durante a apresentação na avenida, os componentes da escola são orientados pelos gestos do mestre da bateria. Na MUG, o comando fica por conta de Carlos Magno Moreira Airam, 27 anos, um dos mais novos do Carnaval de Vitória. Ele diz que o universo do samba é democrático e por isso há o envolvimento de várias profissões. “Aqui temos advogados, médicos, administradores, entre outros. Eu sou gemólogo, por exemplo. Mas todo mundo é ritmista. Fazemos um samba ousado, com várias surpresas na avenida”, destaca.
Na bateria da Novo Império, de Vitória, não é diferente. Um dos mestres, Vinícius Seabra, 36 anos, aponta que há pedreiro, torneiro mecânico, técnico de enfermagem, portuários, entre outros. “A profissão não é levada em conta, pois temos um só pensamento. Trabalho como montador de móveis e os encontros servem para aliviar as tensões e para esquecer todos os problemas”, frisa. Este é o primeiro ano que ele sai à frente da bateria.
Também da agremiação, o técnico de enfermagem Luan Henrique Rios, 21, destaca o ambiente de interação, sem diferenças. “Aproveitamos o momento, sempre com muito respeito”, diz. Além de tocar, no desfile deste ano o jovem será um dos diretores.
Já Lorenza Gadioli Feijó, 26, é analista de negociação em uma financeira. Há três anos ela toca surdo na Novo Império. “Depois de um dia de trabalho, estar na bateria afasta todo o cansaço. Todos somos iguais, aprendemos e crescemos junto. Na hora de tocar o coração quase sai pela boca. É uma grande emoção”, conta a moça que ainda trabalha como voluntária no barracão onde são feitas os carros alegóricos da escola. “Quando vejo o carro pronto é uma emoção sem explicação”, conclui.

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