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Reportagem especial

Carnaval de Vitória: oportunidades atraem profissionais de outros Estados

Na bagagem, trabalhadores trazem experiência e qualificação

Diná Sanchotene

Repórter

dsanchotene@redegazeta.com.br

Publicado em 15 de Fevereiro de 2019 às 16:42

Publicado em

15 fev 2019 às 16:42
A indústria do carnaval capixaba também abre as portas para profissionais de outros Estados. Na bagagem, eles trazem talento, experiência e qualificação para as escolas de samba do Espírito Santo.
Depois de anos de atuação como escultor no Projac, da Rede Globo, Luis Otávio da Silva Oliveira, 43 anos, foi indicado por um amigo para fazer esculturas de isopor e fibra de vidro para os carros alegóricos da Mocidade Unida da Glória (MUG). A oportunidade é temporária, mas ele gostou tanto de Vila Velha que já trouxe toda a família para morar no município.
Comecei a trabalhar por aqui em novembro. Não conhecia ninguém e foi um amigo aderecista que me indicou para trabalhar na escola. Estou adorando a cidade e o trabalho. Em janeiro, meus filhos e esposa vieram de mudança. Quando morava no Rio de Janeiro, demorava duas horas para ir de casa até o Projac, mas aqui tudo é perto. O custo de vida reduziu bastante, por isso decidi ficar
Luiz Otávio da Silva
Otávio trabalhou no carnaval carioca, nas escolas Império da Tijuca e Mangueira. Apesar de o volume de trabalho ser grande, ele não desanima. “O resultado de tanta dedicação poderá ser conferido na avenida. Depois dos desfiles, quero continuar a fazer esculturas para eventos e cenário, mesmo como freelancer em outros locais. Este é o primeiro carnaval capixaba e não quero mais sair daqui”, ressalta.
Maicon Santana de Souza, 23 anos, também é do Rio de Janeiro, onde trabalha como capoteiro. Pelo segundo ano consecutivo ele veio trabalhar na montagem dos carros alegóricos da Boa Vista.
“Vim para o Estado em dezembro e vou permanecer aqui até depois do desfile. Neste período, o local onde trabalho no Rio fica fechado, em férias coletivas, e se não viesse para cá, iria ficar parado, então aproveitei para ganhar um dinheiro extra na escola. Uso as técnicas da capotaria, como o corte de tecidos, para que os acabamentos dos adereços fiquem perfeitos de maneira que não atrapalhe o resultado final”, destaca.
Pela primeira vez no Espírito Santo, Gabriel da Silva Monteiro, 23 anos, veio do Rio de Janeiro para atuar como aderecista na Unidos de Jucutuquara. “Um amigo entrou em contato comigo e me chamou para vir trabalhar no Estado por conta da experiência que tenho no carnaval carioca. Está sendo um experiência muito boa”, conta.
EMPREENDEDORES
Costureiras, aderecistas e estilistas são profissionais essenciais para a confecção das fantasias que serão usados pelos foliões na avenida. Os profissionais que trabalham dentro dos barracões podem ganhar, em média, cerca de R$ 300 por semana. Se o serviço for terceirizado, é possível receber em torno de R$ 2 mil pela produção de uma ala ou R$ 7 mil por casal de mestre-sala e porta-bandeira. Agora, se a roupa for de luxo, é possível ganhar até R$ 30 mil, de acordo com os carnavalescos das escolas.
A aderecista Sônia Rossi, 64 anos, já trabalha com o carnaval há pelo menos 20 anos. Ela é responsável pela produção das peças-piloto das fantasias da Unidos de Jucutuquara. “Tenho um ateliê de costura e meu trabalho na escola é feito com o mesmo capricho”, argumenta.
A indústria do carnaval também é uma boa oportunidade para outros profissionais ganharem um dinheiro extra. A proprietária do WA Studio, Urssula Agnes Coelho, afirma que os desfiles no Sambão do Povo aumentam o movimento no salão em 20%. “As pessoas que vão para o camarote querem fazer maquiagem, penteado e unhas com cores vibrantes”, comenta.
Já a maquiadora Bilbiane Ferraz aproveita para fechar pacote para maquiar os dançarinos da comissão de frente da Boa Vista. “Este é o segundo ano que faço este trabalho. É uma forma de mostrar meu lado artístico”, diz.
ESCOLAS INVESTEM ATÉ R$ 1 MILHÃO
Colocar todo o colorido e brilho na avenida é uma tarefa que precisa de bastante dinheiro. E para fazer bonito na passarela do samba, as escolas chegam a investir de R$ 60 mil a R$ 1 milhão, de acordo com o grupo em que ela se encontra.
No Grupo Especial, o maior orçamento previsto é o da Mocidade Unida da Glória (MUG), seguido pela Boa Vista, R$ 650 mil. Já os desfiles da Unidos da Piedade, Novo Império e Unidos de Jucutuquara devem custar R$ 600 mil cada uma. O carnaval da Pega no Samba deve custar R$ 500 mil, enquanto que da Imperatriz do Forte, R$ 450 mil.
Já entre as escolas do Grupo A, que desfilam na sexta-feira, 22, os investimentos vão de R$ 100 mil a R$ 500 mil. As agremiações que se apresentam na quinta-feira, 21, vão investir entre R$ 60 mil a R$ 150 mil.
Apesar de levar um desfile grandioso para a avenida, o presidente da MUG, Carlos Roberto dos Santos Ribeiro, conhecido como o Robertinho, reclama que as escolas ainda são muito dependentes do poder público e que a iniciativa privada não despertou o interesse de investir no carnaval capixaba.
Aqui não temos apoio dos grandes empresários e só contamos com uma porcentagem que recebemos do governo do Estado (R$ 60 mil), por meio da liga, e da Prefeitura de Vila Velha (R$ 200 mil), ou seja, um quarto da verba. A cada ano, entramos no colapso e no vermelho. Os outros 50% conseguimos com os trabalho de quadra e outros 25%, com parceiros amigos. Mas fica sempre uma pendência de 25%, que são as dívidas
Carlos Alberto da Silva Ribeiro
Segundo o presidente da Unidos de Boa Vista, Emerson Xumbrega, a escola pretende usar R$ 650 mil para fazer o carnaval de 2019. Em setembro do ano passado, parte da estrutura dos carros alegóricos foi destruído por um incêndio e o dinheiro que seria gasto para montar a alegoria precisou ser investido na reconstrução dos veículos.
Ele comenta que o dinheiro para a escola fazer o carnaval vem do convênio firmado com a Prefeitura de Cariacica, no valor de R$ 150 mil, parceiros, vendas de fantasias e ensaios.
“Fizemos um planejamento e chegamos a um montante de R$ 650 mil. Se teremos esse dinheiro para terminar o carnaval, isso não sabemos. Provavelmente, ficaremos com dívida. Temos o convênio com a prefeitura, que é o menor convênio entre as escolas do grupo especial”, aponta Xumbrega.
Ele avalia que a geração de renda que as escolas proporcionam para as comunidades é uma coisa grandiosa. “A Boa Vista, por exemplo, gera 100 empregos diretos, entre costureiras, carpinteiros, soldador e aderecistas. São várias pessoas trabalhando por cinco meses. Esse é um ponto forte do nosso carnaval”, pontua.
A Prefeitura de Vitória vai investir um total de R$ 2.179.950 no evento. O dinheiro vai para as escolas da Capital, além do pagamento de jurados, compositores e intérpretes, premiação dos 1º e 2º lugares dos grupos A e Especial.
As agremiações também recebem R$ 700 mil de repasses do governo estadual, conforme informou a Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge). As escolas também contarão, este ano, com o dinheiro da venda dos ingressos do Sambão do Povo.
DESTAQUE PARA O LUXO
Durante o período do carnaval, os ateliês se enchem de demanda para a produção de fantasias de destaques de luxo, as lindas roupas dos casais de mestre-sala e porta-bandeira e da comissão de frente. Trajes que levam brilho, criatividade e estimulam os olhos mais críticos na avenida do samba.
No ateliê do estilista Rômulo Cosmoski, 33 anos, localizado no Morro da Piedade, em Vitória, o trabalho é intenso desde outubro do ano passado. Ele se especializou nesse segmento, após perceber a demanda do carnaval, e hoje, produz peças até para o Rio de Janeiro. “Vi que faltavam profissionais nessa área e resolvi me especializar e aprender mais. Agora eu atendo a casais da Andaraí, Chegou O Que Faltava, Novo Império e MUG”, disse.
Rômulo prepara a porta-bandeira da Andaraí, Marina Crédito: Marcelo Prest
Segundo Rômulo, as roupas de mestre-sala e porta-bandeira custam de R$ 35 mil a R$ 45 mil no carnaval capixaba, de acordo com o material utilizado em sua confecção. E os detalhes dessa produção precisam ficar prontos semanas antes dos desfiles para que os casais possam fazer testes com o vestuário.
“Estamos trabalhando desde outubro e agora é a fase de prova de roupa. É preciso dar tranquilidade ao casal para fazer os testes com a roupa”, afirma Rômulo. A apresentação do mestre-sala e da porta-bandeira é avaliado por jurados, um quesito para pontuação na disputa do título do carnaval, e a roupa faz toda a diferença.
O luxo e o bom acabamento também estão presentes nas roupas do estilista Flávio Rafalski,38 anos, que começou a atuar no carnaval após produzir a própria roupa para desfilar no Sambão do Povo. Este ano, ele vai vestir musas, destaques masculino e feminino e até o rei de bateria da Unidos de Jucutuquara, Leonardo Bremenkamp.
“Tudo aconteceu por acaso. Em 2012, fui convidado a desfilar na Pega no Samba. Fiz minha própria fantasia de destaque e fui agraciado ao ganhar o prêmio Faisão de Ouro de melhor fantasia. A partir daí, todos queriam vestir as minhas roupas”, disse Flávio, que este ano irá atender 20 clientes de várias agremiações.
“Em uma fantasia de luxo não pode faltar faisão. O costeiro tem que ser grande. Gosto de coisas grandes e exageradas”, conclui.
 

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