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De acordo com a Sesp, cerca de cinco registros de desaparecimento por dia no Espírito Santo; somente em 2023, já foram mais de 750 casos Geraldo Neto | A Gazeta
Ferida aberta

Aflição, angústia e incertezas: cinco pessoas desaparecem por dia no ES

Dados da Sesp mostram que houve um crescimento de 23% no número de desaparecidos entre 2020 e 2022; mesmo após meses de sumiço, familiares não desistem de encontrar aqueles que amam

Maria Fernanda Conti

mfconti@redegazeta.com.br

Publicado em 07 de Junho de 2023 às 17:57

Publicado em

07 jun 2023 às 17:57
De acordo com a Sesp, cerca de cinco registros de desaparecimento por dia no Espírito Santo; somente em 2023, já foram mais de 750 casos Crédito: Geraldo Neto | A Gazeta
Aflição, angústia e incertezas: cinco pessoas desaparecem por dia no ES
A angústia em não saber onde está um ente querido cresce ano após ano no Espírito Santo. Sem deixar rastros, são pessoas de diferentes faixas etárias e classes, que entram nas estatísticas das forças de segurança capixabas. Para as famílias, resta a angústia e uma rotina exaustiva em busca de quem amam, mas que estão ausentes.
Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e do Anuário Brasileiro de Segurança mostram que o número de desaparecidos aumentou 23% nos últimos três anos. Em 2020, foram registrados 1.597 casos; em 2021, 1.741; depois, em 2022, 1.969; e, até maio de 2023, mais de 750, o que representa cerca de cinco casos por dia. 
Titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), o delegado Wanderson Prezotti explicou que o afrouxamento da pandemia da Covid-19 foi o principal fator para que esses índices crescessem. "Como as pessoas estavam em casa, focadas em preservar a saúde, deixaram de sair. Agora, voltam as festas, as viagens, provocando o aumento do número", evidenciou.
Segundo ele, os desaparecidos do Espírito Santo têm um rosto predominante: homens adultos, entre 18 a 60 anos. Os motivos do sumiço são vários, desde envolvimento com o mundo das drogas até a morte seguida por ocultação de cadáver. Há histórias, inclusive, de pessoas que "apenas" se desentendem com a família e resolvem ir embora de casa. 
Algo que também coloca a corporação em estado de alerta é o número de capixabas que fogem, por diferentes razões, e retornam com vida pouco tempo depois. São em média 90% de todos os casos registrados no Estado, conforme destacou o delegado.
"Embora não possamos culpar os familiares, eles acabam registrando o boletim na afobação, pois ficam sem notícias. Mas os desaparecidos normalmente voltam. Chamamos isso de 'fugas do lar'", pontuou Wanderson Prezotti.
"Faço um apelo à sociedade. Quem tiver informações sobre alguma pessoa desaparecida, mas tem medo de sofrer represálias, pode fazer a denúncia anônima pelo Disque Denúncia 181. Todos os dados serão repassados para nós "
Wanderson Prezotti - Titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD)
O delegado destacou, ainda, os reaparecimentos que não são comunicados à Polícia Civil. De acordo com ele, isso costuma atrasar as demais investigações, visto que os profissionais da DEPD depositam esforços em casos já solucionados. Hoje, a delegacia especializada no assunto conta com três investigadores, um delegado e uma escrivã, cuja atuação se estende para toda a Grande Vitória.
"As pessoas registram o boletim, mas não buscam a delegacia para comunicar o aparecimento. Nós fazemos sempre o retrabalho de entrar em contato com os familiares, para perguntar se as vítimas apareceram. Muitas vezes, nem conseguimos contato. O ideal é informar que a pessoa voltou. Isso ajuda não apenas a gente, como também a sociedade, porque evita que os investigadores busquem por quem já está em casa", frisou.

Quando abrir boletim

Diferentemente do que muita gente pensa, não é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento de alguém. Segundo o delegado da Polícia Civil Eduardo Oliveira, assim que a ocorrência é registrada, as investigações já são iniciadas.
"Primeira coisa: a pessoa desapareceu. Vá à delegacia, faça a ocorrência, que neste momento já começarão os trabalhos investigativos", disse o delegado.

Relatos de agonia

Há mais de seis meses, a família de Sara Serra dos Santos, de 20 anos, vive dias de angústia desde que a jovem saiu de casa. Ela foi vista pela última vez no dia 13 de novembro de 2022, momentos antes de se encontrar com um ex-companheiro, na Serra. Várias buscas e protestos foram feitos pelos parentes no intuito de encontrá-la – infelizmente, sem respostas. 
Zenia Conceição , e Fernanda Conceição, mãe e irmã de Sara Conceição que está desaparecida desde de Novembro de 2022, Serra
Zenia Conceição e Fernanda Serra dos Santos, mãe e irmã de Sara, de 20 anos, que está desaparecida desde novembro de 2022 Crédito: Ricardo Medeiros
"No começo, assim que ela sumiu, fizemos buscas até no meio do mato da Avenida Audifax Barcelos. Espalhamos cartazes, fomos atrás das pessoas, enfim, tudo o que podia ser feito. Também realizamos um protesto, e se não tivermos uma resposta das autoridades, vamos fazer de novo", ressaltou Fernanda Serra dos Santos, irmã da jovem, para A Gazeta.
"Olha, não é porque ela está sumida, mas a Sara sempre foi uma menina de coração bom. Não negava nada a ninguém. Sempre estava disponível para ajudar. É uma menina doce, faz amizade fácil, de tão incrível que ela é"
Fernanda Serra dos Santos - Irmã de Sara
De acordo com familiares, Sara ainda morava em uma casa no bairro Serra Dourada III, que pertencia ao homem. O relacionamento deles era conturbado, e durou apenas alguns meses. No entanto, o rapaz não aceitava o fim da relação e já tinha ameaçado a jovem várias vezes. 
"Minha mãe sempre teve problema de saúde, mas agora parece que piorou. Ela não come, chora o tempo todo. Fala que às vezes escuta a Sara chamando por ela. Mas a nossa esperança é a última que morre. Somos tão grudadas que ela é a madrinha da minha filha. Eu sonho em encontrá-la bem", completou a irmã.

Depressão após morte do pai

Outra família que vive essa angústia é a do técnico em Segurança do Trabalho Fábio Pereira Guisso, de 39 anos, desaparecido desde o dia 27 de setembro de 2022. Morador do bairro Paul, em Vila Velha, ele foi diagnosticado com depressão, o que preocupa ainda mais a irmã e flebotomista Renata Guisso.
Desaparecido
Renata Pereira Guzzo Barros, 41 anos, mostra foto de seu irmão Fábio Guzzo, que desapareceu em setembro de 2022 Crédito: Carlos Alberto Silva
A doença foi agravada após o falecimento do pai de Fábio, que chegou a morar dentro do próprio carro na Praia da Costa em maio de 2022. Apesar disso, sempre mantinha contato com os irmãos, até que foi visto pela última vez andando na areia da Praia da Costa, também em Vila Velha.
"É muita tristeza, saudade. Depois que meu pai morreu, ficamos ainda mais unidos. Somos aquela família que tem problemas como todas as outras, mas que nos amamos de verdade. A vida da minha mãe é esperar o Fabio. Às vezes quando ela está em casa e a portão abre, sempre acha que é ele chegando. Não tem um dia sequer em que a gente não pense no Fábio", pontuou. 

Investigações e contatos

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil informou que os dois casos mencionados na reportagem seguem sob investigação e que detalhes não serão divulgados para não comprometer as apurações.
Informações a respeito do paradeiro de Sara Conceição Serra dos Santos podem ser repassadas no Disque-Denúncia (181) ou diretamente para a delegacia, no telefone (27) 3137-9065. Outra opção é entrar em contato com a Fernanda (irmã) pelo número (27) 9 9994-6951.
Quem também tiver visto o técnico Fabio Guisso pode entrar em contato com a família pelos telefones: (27) 99953-0776 e 99939-6088.

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