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Insegurança

Andorinhas: bandidos ostentam armas pesadas e fazem ameaças na internet

Há quase uma semana, moradores do bairro Andorinhas convivem com constantes tiroteios e o medo de serem atingidos pela violência causada pela disputa entre traficantes de drogas

Publicado em 22 de Abril de 2021 às 02:00

Isaac Ribeiro

Publicado em 

22 abr 2021 às 02:00
Andorinhas: bandidos ostentam armas nas redes sociais
Andorinhas: bandidos ostentam armas nas redes sociais Crédito: Reprodução/TV Gazeta
Na tentativa de demonstrar o poder de fogo e intimidar rivais, criminosos envolvidos na disputa pelo controle do tráfico de drogas no bairro Andorinhas, em Vitória, fazem ameaças e publicam fotos e vídeos com armas na internet. Em um dos conteúdos compartilhados nas redes sociais nesta semana, os bandidos aparecem atirando diversas vezes para o alto.
Na última sexta-feira (16), criminosos percorreram a região de Andorinhas, Mangue Seco e parte de Santa Martha atirando para o alto, em casas, muros e até carros. No caminho, a ostentação da potência das armas levou cinco minutos ininterruptos de disparos. A demonstração de força armada foi realizada pelo grupo de traficantes com base no Morro do Macaco, também em Vitória, e que ainda atua em parte do bairro Santa Martha e Itararé, segundo fontes ouvidas pela reportagem de A Gazeta.
A amostra de armas, tiros e "soldados" faz parte de uma tentativa de intimidar a gangue rival que trafica na área de Mangue Seco e Andorinhas, e tem apoio armado de traficantes de Cariacica. Juntos, eles formam o Terceiro Comando Puro, o TCP.
A caminhada dos criminosos de Itararé, Morro do Macaco e Santa Martha, na madrugada de sexta-feira foi uma forma de deixar o recado para o TCP. O motivo foi o fato de Gabriel Alves de Oliveira, 17 anos, ter sido morto na pracinha de Itararé, na manhã de quinta-feira (15).

MONITORAMENTO

O secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, revelou que os criminosos já são monitorados na internet. "Nós dependemos do Poder Judiciário, do Ministério Público, para que possamos concluir prisões em cima das investigações. Muitas das prisões que realizamos já foram feitas em cima dessas informações trabalhadas pelas nossas polícias".
Segundo o secretário, as polícias Civil e Militar têm atuado nos bairros Andorinhas, Bonfim, Itararé,  Gurigica, da Penha, Consolação e São Benedito. De janeiro de 2020 até o mês de março de 2021, foram apreendidas 93 armas. No mesmo período, 550 pessoas foram encaminhadas à delegacia.
De acordo com Ramalho, os indivíduos foram abordados por ligação com o tráfico de drogas, porte de arma ou por suspeita de resistir à abordagem policial. De quinta (15) a segunda-feira (19), 12 pessoas foram detidas e seis armas de fogo foram apreendidas.
Armas apreendidas pela polícia no período entre - janeiro de 2020 a março de 2021
  • Arma caseira de cano curto - 1
  • Arma caseira de cano longo - 1
  • Carabina - 1
  • Espingarda - 3
  • Fuzil - 3
  • Metralhadora - 1
  • Pistola - 66
  • Revólver - 10
  • Simulacro (arma falsa) - 5
  • Submetralhadora - 2
  • Total: 93
"São submetralhadoras, fuzis, pistolas e revólveres. Submetralhadora hoje é igual dar uma enxadada na terra e buscar uma minhoca. Isso é feito no fundo de quintal, por uma pessoa que tem conhecimento em funilaria e distribui no mercado negro. Pistola, fuzil e revólver continua vindo de fora. Hoje, o indivíduo detido com uma arma ilegal vai pagar uma fiança, que assim a legislação permite, e será solto", desabafa.
Na avaliação do secretário, uma das formas de combater esse tipo de criminalidade, além da resposta policial, é oportunizar novas atividades aos jovens dessas comunidades. Além do ensino, a proposta seria garantir oportunidade de trabalho e acesso a direitos e necessidades básicas como moradia, saúde e alimentação.
"Por hora, eles encontram uma janela de oportunidade e querem mostrar poder de fogo para organizações criminosas rivais. Estamos falando de jovens inconsequentes, irresponsáveis, de 12 a 25 anos, que têm acesso facilmente a armas de fogo. Jovens ociosos, que se rivalizam o tempo todo por redes sociais, se provocando", pontua o secretário.

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