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Ciclo de violência

Caminhoneiro preso por atropelar ex-mulher na Serra perseguia vítima mesmo com medida protetiva

Segundo a Polícia Civil, mulher já havia registrado diversos boletins de ocorrência contra o ex-companheiro antes do ataque que quase tirou a vida dela

Publicado em 10 de Março de 2026 às 18:05

Nayra Loureiro

Publicado em 

10 mar 2026 às 18:05
O caminhoneiro de 41 anos preso por atropelar a ex-companheira na Serra vinha perseguindo a vítima de forma reiterada mesmo após ela conseguir uma medida protetiva contra ele. A informação é da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), que investiga o caso como tentativa de feminicídio. O crime ocorreu no dia 17 de fevereiro, na Rodovia ES 010, na região da Praia da Baleia, quando o suspeito jogou o carro contra a motocicleta em que a mulher, de 28 anos, estava com um amigo, de 22. O nome do suspeito não será divulgado para preservar a identidade da vítima.
De acordo com a investigação, a mulher já havia procurado a polícia diversas vezes por causa do comportamento do ex-companheiro. O relacionamento durou cerca de dez anos e terminou em abril de 2024, quando ela decidiu romper após sucessivos episódios de violência sofridos.
Mesmo depois da separação, a perseguição continuou e culminou no ataque na rodovia. "Ele já vinha numa postura de alta perseguição com relação a ela, tanto que ela tinha até uma medida protetiva e já tinha feito registro de diversos boletins de ocorrência em desfavor dele", disse a chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Raffaella Aguiar, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (10).
Caminhoneiro preso por atropelar ex-mulher na Serra perseguia vítima mesmo com medida protetiva
No dia do crime, a confusão começou em uma festa de Carnaval, em Manguinhos, quando o ex-marido a viu com o amigo. Após isso, ele começou a xingar a vítima e, por isso, ela e o outro homem decidiram sair do local. Após deixarem o ambiente, a perseguição começou e só terminou quando o suspeito atingiu a motocicleta deles com o carro, arremessando os dois na rodovia. "Ele engatou a marcha ré e ainda tentou novamente atropelar as vítimas", disse a delegada.
Mulher ficou com a maior parte do corpo em carne viva após o crime
Mulher ficou com a maior parte do corpo em carne viva após o atropelamento Crédito: Fabrício Christ

Prisão

O suspeito fugiu após o crime, mas foi localizado e preso no domingo (8), Dia Internacional da Mulher, após trabalho conjunto da Polícia Civil com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele foi abordado enquanto dirigia um caminhão na BR 101, nas proximidades do bairro Cidade Nova da Serra.
"A prisão ocorreu, coincidentemente, no último domingo, que foi de Internacional da Mulher, e isso tem um símbolo muito grande, que é o nosso compromisso, o compromisso da Polícia Civil, da PRF, de todas as forças de segurança, no enfrentamento do feminicídio, e no combate à violência contra a mulher", reforçou Raffaella Aguiar.
Segundo a delegada, o comportamento do investigado no momento da prisão reforçou a percepção de que ele mantinha um sentimento de posse sobre a mulher. “Ele demonstrou frieza, e um sentimento de que a vítima lhe pertencia, e que ele tinha o direito de agir daquela forma, porque era a propriedade dele", descreveu.
Suspeito foi localizado e preso no domingo (8), Dia Internacional da Mulher
Suspeito foi localizado e preso no domingo (8), na Serra, no Dia Internacional da Mulher Crédito: Divulgação | Polícia Civil
O homem foi encaminhado à delegacia e deverá responder por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira e tentativa de homicídio qualificado contra o amigo da vítima.
Diante de um histórico grande de perseguição e ameaças, que culminaram no atropelamento da vítima, a própria delegada questionou o fato de o caminhoneiro não ter sido preso antes da tentativa de homicídio. 
"O ex-companheiro já vinha numa postura de alta perseguição, tanto que ela tinha até uma medida protetiva e já tinha feito registro de diversos boletins de ocorrência contra ele. Sei que tinham diversas, tanto que ele já foi ouvido porque já tinha até medida protetiva decretada, né? Agora, a razão pela qual ele não tinha sido preso, eu desconheço. Só posso afirmar que, a partir do momento em que ela procurou o departamento de homicídios, a DHPM, a gente, de pronto, começou a diligenciar e a monitorar para tentar prendê-lo, porque percebemos que, realmente, ela tinha um perigo iminente de morte", salientou Aguiar, na coletiva.
A reportagem procurou a Polícia Civil para esclarecer por que o suspeito não havia sido preso anteriormente. A corporação informou que foram localizados três boletins de ocorrência registrados em nome da vítima, nos anos de 2024, 2025 e 2026. "Em todos os três registros, as providências cabíveis foram adotadas pela Polícia Civil no âmbito da Polícia Judiciária, com o devido encaminhamento das informações ao Poder Judiciário e a solicitação de Medida Protetiva de Urgência (MPU), que foi devidamente apreciada e deferida", esclareceu. 
A PC afirmou ainda que o registro de 2026 segue com as investigações em andamento. O Tribunal de Justiça também foi procurado. Se houver retorno, o texto será atualizado. 

Relato da vítima

Em entrevista exclusiva ao repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, a mulher — que é contadora — descreveu o momento de tensão e medo vivido por ela. "Eu vi o carro dele vindo de longe. Aí ele chegou perto e mandou descermos da moto. A gente não desceu e meu amigo acelerou para tentar fugir. Foi aí que a perseguição começou. Pouco mais à frente, ele conseguiu nos alcançar e jogou o carro na nossa direção", detalhou.
Cena de terror, não desejo isso para ninguém. Meu corpo está em carne viva. Graças a Deus, eu não quebrei nenhum osso. Na verdade, não sei o que é pior"
X - Mulher atropelada pelo ex
As vítimas foram socorridas e levadas para um hospital do município da Serra. "No primeiro ano da separação, eu me mudei quatro vezes porque ele sempre descobria meu endereço e me perseguia", finalizou.

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