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Em Morada de Camburi

Demitido por racismo em aula, ex-professor da Ufes é preso por violência doméstica

Companheira dele disse que havia sido agredida no dia anterior; suspeito foi autuado em flagrante por lesão corporal na forma da Lei Maria da Penha

Publicado em 22 de Julho de 2026 às 11:43

Redação de A Gazeta

Publicado em 

22 jul 2026 às 11:43
Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha foi autuado por lesão corporal na forma da Lei Maria da Penha
Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha foi autuado por lesão corporal na forma da Lei Maria da Penha Crédito: Fernando Madeira

Um ex-professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), demitido da instituição após falas racistas, foi preso por violência doméstica no bairro Morada de Camburi, em Vitória, na última terça-feira (21). Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha, de 74 anos, foi autuado em flagrante por lesão corporal na forma da Lei Maria da Penha


Segundo a Polícia Militar, os agentes foram acionados e entraram no condomínio de Manoel. O ex-professor disse aos militares que a companheira dele estaria em surto no quarto. 


Ao perceber que os policiais estavam na casa, a mulher saiu do cômodo e informou que, no dia anterior, havia sido agredida pelo companheiro. O ex-professor foi encaminhado à Delegacia Regional de Vitória, onde foi autuado e encaminhado ao presídio. 


A reportagem de A Gazeta tenta localizar a defesa de Manoel e deixa este espaço aberto para um posicionamento.

Demitido após falas racistas

Em fevereiro de 2019, Manoel Luiz foi demitido da Ufes após ser denunciado por alunos do curso de Ciências Sociais por ter dito frases de caráter racista e preconceituoso durante aula no dia 3 de novembro de 2014. 


Na ocasião, ele teria dito que não gostaria de ser atendido por profissionais negros, como médicos ou advogados, e fez críticas ao sistema de cotas da universidade. Dias após a denúncia, em entrevista ao jornal A Gazeta, Malaguti reforçou que "se tivesse que escolher entre dois médicos, um branco e um negro, escolheria um branco".


Ele foi demitido pela universidade ainda em 2014, mas acionou a Justiça. Em 2015, a Justiça Federal rejeitou a denúncia por ter entendido que não houve crime de racismo na fala do professor. O Ministério Público Federal do Espírito Santo (MPF-ES) recorreu da decisão na segunda instância, e, em setembro de 2017, o Tribunal Regional Federal (TRF2) votou por unanimidade para negar o recurso.


Assim, em março de 2016, Malaguti voltou a dar aulas na universidade com remuneração bruta de R$ 16.881,74. Mas o processo contra o professor ainda cabia um novo recurso, pela Procuradoria Regional da República da 2º região (PRR2). A sentença judicial derrubou os efeitos da liminar que concedia a Malaguti o direito de retornar ao trabalho, e a demissão dele foi publicada no Diário Oficial, em 2019. 


Nesta quarta-feira (22), a Ufes reforçou que o ex-professor não possui vínculo ativo com a universidade. 

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Professor da Ufes acusado de racismo durante aula é demitido

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