Entre os presos na terceira fase da Operação Telic, que investiga a atuação do tráfico de drogas na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha, estão o ex-comandante da Guarda Municipal, Iuri de Souza Silva, e a esposa dele, a advogada Bárbara Bastos. O resultado da ação foi divulgada em primeira mão pela colunista Vilmara Fernandes, de A Gazeta.
Além do casal, outros dois guardas municipais — identificados como Renato Alexandre Messias e Antônio Nelio Jubini — e dois advogados foram presos. Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a operação, iniciada na tarde de quarta-feira (25), cumpriu oito mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra. A informação foi apurada pelo repórter Caíque Verli, da TV Gazeta.
Outro advogado entre os presos é Arlis Schimidt, que defende Cleuton Gomes Pereira, o Frajola, apontado como chefe do tráfico de drogas na região da Grande Terra Vermelha. Apesar de estar preso, Cleuton estaria dando ordens a integrantes da facção que estão em liberdade.
Os investigados são suspeitos de manter vínculos com a liderança da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV). De acordo com o MPES, advogados atuavam na transmissão de mensagens ilícitas entre detentos e criminosos em liberdade, por meio de bilhetes — conhecidos como “catuques” — levados durante visitas aos presos. Já os guardas municipais são investigados por cooperação ilícita em diligências policiais.
A casa de Iuri e da esposa já havia sido alvo de buscas em agosto do ano passado, durante a primeira fase da operação. Na ocasião, quatro pessoas foram presas.
Em nota, a Prefeitura de Vila Velha informou que a Corregedoria da Guarda Municipal de Vila Velha está acompanhando o caso e a corporação vai colaborar no que for necessário.
Ordem de dentro dos presídios
Segundo o MPES, a liderança do PCV emite ordens de dentro das unidades prisionais por meio de mensagens repassadas por familiares e advogados. As determinações são cumpridas por integrantes em liberdade, cada um com função definida na organização criminosa.
Com o avanço das investigações, foram identificadas evidências de vínculos entre investigados, advogados e servidores públicos — entre eles guardas municipais —, o que pode caracterizar violação de sigilo funcional e cooperação ilícita em ações policiais. Durante a operação, foram apreendidos celulares e bilhetes manuscritos ou ditados por detentos e redigidos por advogados.
Drogas desviadas de apreensões
As apurações também indicam a prática de tráfico de drogas como contrapartida ao desvio de função pública, além da comercialização de entorpecentes desviados de apreensões policiais e da apropriação de dinheiro e materiais sob custódia em razão do cargo.
As buscas e apreensões foram acompanhadas por representantes da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB/ES) e da Corregedoria da Guarda Municipal de Vila Velha, em cumprimento a decisão da 7ª Vara Criminal de Vila Velha.
As ações, deflagradas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPES, contaram com a participação de policiais militares do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, agentes de inteligência do SIPOM/DINT, do BME, do BAC e de policiais penais da Sejus, que atuaram nas buscas, apreensões, prisões e conduções dos investigados.
Região vive guerra de facções
A região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha, vive uma disputa entre facções rivais — o PCV e o Terceiro Comando Puro (TCP) —, que tem provocado ataques com mortos e feridos desde o início do mês. Na última terça-feira (24), um confronto entre suspeitos armados e policiais terminou com um jovem de 19 anos ferido e três adolescentes, de 16 e 17 anos, apreendidos.
No dia 12 de março, duas pessoas foram mortas em um ataque no bairro Ulisses Guimarães. Na ocasião, um ônibus foi apedrejado e incendiado por criminosos, e a circulação do transporte coletivo chegou a ser suspensa. Já no dia 11, outras duas pessoas foram baleadas em via pública no bairro 23 de Maio. As forças de segurança têm intensificado operações para prender envolvidos nos ataques.