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Assassino em série

"Exterminador de moradores de rua", diz delegado sobre homem preso por morte na Serra

Suspeito é investigado por seis homicídios na Bahia e teria como alvo pessoas em situação de vulnerabilidade social

Publicado em 07 de Maio de 2026 às 11:37

Jaciele Simoura

Publicado em 

07 mai 2026 às 11:37

Preso suspeito de matar Vanilson Pereira, de 50 anos, no bairro Planalto Serrano, na Serra, Marcelo Campos de Jesus, de 37 anos, é investigado por outros seis homicídios ocorridos entre novembro de 2025 e abril deste ano, em Teixeira de Freitas, na Bahia. Segundo o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, todos os crimes foram praticados com características semelhantes, principalmente com golpes na cabeça de vítimas em situação de vulnerabilidade social.

Funcionando como uma espécie de exterminador de moradores de rua

Rodrigo Sandi Mori Delegado

Marcelos Campos de Jesus, 37 anos
Marcelos Campos de Jesus, 37 anos Crédito: Divulgação | Polícia Civil

Vanilson Pereira foi atacado no dia 27 de abril com uma placa de concreto na cabeça. Ele chegou a ser socorrido, no dia seguinte ao crime, ao Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na última terça-feira (5).


Imagens de videomonitoramento mostram Marcelo se aproximando da vítima e lançando o objeto contra ela (veja acima). Depois, de acordo com o adjunto da DHPP da Serra, delegado Pedro Henrique, o suspeito tirou R$ 12 da carteira de Vanilson.

Crimes cometidos na Bahia

Vanilson Pereira, de 50 anos
Vanilson Pereira, de 50 anos, foi morto por Marcelo Crédito: Divulgação | Polícia Civil

Procurado na Bahia por conta da série de assassinatos, Marcelo Campos de Jesus fugiu para o Espírito Santo.


“Ao cometer o primeiro crime na Serra, ele foi identificado e preso um dia após termos ciência do fato criminoso. Uma ação rápida para dar uma resposta à família, à sociedade e, principalmente, para impedir que outros crimes dessa natureza ocorressem na Serra”, destacou o delegado Rodrigo Sandi Mori.


  • Homicídio (09/11/2025): vítima Marilene da Ressurreição Lopes, de 42 anos, encontrada em área de vegetação com lesão na cabeça causada por instrumento contundente;
  • Homicídio (15/11/2025): vítima identificada como Valdemar da Silva, pessoa em situação de rua, que morreu após agressões físicas. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital Costa das Baleias, mas faleceu dias depois;
  • Duplo homicídio (16/02/2026): vítimas Jandira Luz Nascimento, de 51 anos, e Djalma Vilela Pereira, de 50 anos, encontrados mortos com lesões na cabeça provocadas por instrumento contundente;
  • Homicídio (02/04/2026): vítima do sexo masculino, não identificada, encontrada morta em uma borracharia, apresentando lesões na face, possivelmente causadas por um pedaço de madeira;
  • Homicídio (07/04/2026): vítima do sexo masculino, não identificada, localizada em um abrigo de ponto de ônibus às margens da BR-101, nas proximidades de um estabelecimento comercial, com sinais de agressão na cabeça provocadas por pauladas.
  • Suspeito fugiu para o Espírito Santo.

Conforme o delegado Pedro Henrique, as imagens analisadas pela polícia mostram que Marcelo observou o local antes do ataque e se certificou de que não havia testemunhas por perto antes de agir contra Vanilson.

O bloco de concreto usado no crime foi retirado pelo suspeito de um bueiro próximo ao local onde a vítima dormia, em uma calçada.

“O Marcelo a todo instante olha ao seu redor para verificar se não tinha alguma pessoa passando que pudesse ver a sua ação. Ao ver que estava sozinho com a vítima vulnerável, impossibilitada de qualquer defesa, ele retira esse bloco de concreto do chão e arremessa violentamente contra a cabeça de Vanilson”, disse o delegado Pedro Henrique.

Após o ataque, Marcelo retirou a carteira que estava no bolso traseiro da vítima. Dentro dela havia apenas R$ 12, valor que foi levado pelo suspeito. Em seguida, segundo o delegado, ele deixou o local caminhando tranquilamente, “como se nada tivesse acontecido”.

“É importante também mencionar que, antes de retirar essa carteira, para deixar uma cena de crime bem limpa, ele pega o bloco de concreto utilizado para arremessar na cabeça de Vanilson e o reposiciona no bueiro, para evitar qualquer suspeita das pessoas que pudessem passar por ali”, informou.

Por conta do roubo, a Polícia Civil trata o crime como latrocínio, que é o roubo seguido de morte.

Após ser preso, Marcelo confessou o crime e disse que o cometeu porque a vítima o teria agredido cerca de dois meses antes. No entanto, segundo a polícia, o suspeito ainda estava na Bahia nesse período, e a versão não se confirma.

“No seu interrogatório, quando perguntado o que foi feito com o valor roubado da vítima, ele (Marcelo) disse que comprou bala e chips. O que mostra total desprezo pela vida alheia. Ele falou que, por ser também uma pessoa em situação de rua, encontrava esporadicamente a vítima ali, mantinha um bom relacionamento com ela, mas naquele dia decidiu matá-la para roubar”, ressaltou o adjunto da DHPP da Serra.

Mãe soube de crime após reportagem

A mãe da vítima, Eva da Silva Pereira, contou que soube da morte do filho após ver uma reportagem. “Ele estava virado para o lado do muro, o rapaz veio pelas costas. Na hora que deu a pedrada nele, ele só esticou as pernas, acho que de tanta dor”, disse.


Vanilson vivia em situação de rua havia cerca de 30 anos, segundo a família. A mãe relatou que ele saiu de casa após a morte de um irmão em um acidente de trânsito. Depois disso, entrou em depressão e começou a usar drogas.


Mesmo vivendo nas ruas, a família mantinha contato com ele e tentava ajudá-lo. “Fiz tudo que eu podia fazer para tirá-lo da rua. Ajudei até a última hora”, afirmou Eva.


Conforme apuração da TV Gazeta, Vanilson só foi socorrido na manhã seguinte ao crime, porque ninguém teria presenciado o ataque no momento em que aconteceu. Pessoas que passavam pela região encontraram a vítima ferida e acionaram socorro.

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