O índice de furto e roubo de bicicletas no Espírito Santo cresceu pelo segundo ano consecutivo em 2022. Dados do Painel de Crimes Contra o Patrimônio mostram que foram 3.370 ocorrências, o equivalente a quase 10 bicicletas levadas por dia no Estado.
Em 2022, foram 2.835 bicicletas furtadas e 535 roubadas. É um crescimento de 20,7% em relação a 2021, quando foram registradas 2.790 ocorrências.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) disponibiliza os dados de furtos e roubos de bicicletas desde 2018. Nesse ano, foram 2.827 ocorrências do tipo. Em 2019, o Espírito Santo registrou o maior número, com 3.450 furtos e roubos de bicicletas.
O menor índice da série histórica ocorreu em 2020, quando a pandemia de Covid-19 chegou ao país e uma série de medidas de restrição de circulação foram adotadas. Nesse ano, houve o registro de 2.628 ocorrências.
Na avaliação do titular do 5° Distrito Policial de Vitória, delegado Fabiano de Assis Rosa, o aumento nos furtos e roubos tem sido notado pela Polícia Civil desde 2021, quando a quantidade de restrições sociais diminuiu.
Para o delegado, as ocorrências estão diretamente ligadas ao tráfico de entorpecentes, quando um indivíduo rouba para vender o bem e conseguir dinheiro visando à compra de drogas. Ou nas situações em que precisa pagar alguma dívida com traficantes.
No levantamento da Sesp, a maioria das bicicletas é levada de áreas residenciais. Depois, aparecem as ocorrências em via pública e no comércio. “A gente também teve aumento no número de furtos de bicicletas, principalmente em edifícios”, explica.
“Em alguns casos, a pessoa deixa a bicicleta na frente do estabelecimento e o individuo acaba furtando. Alguns andam até com alicate para quebrar o cadeado. Na maioria das vezes, ocorre por troca de droga”, detalha Fabiano Rosa.
Os horários em que mais ocorrências são registradas têm relação com o modo de agir dos criminosos. Durante a madrugada, ocorrem as invasões a residências. Já durante a tarde e noite, os roubos acontecem em via pública, quando há maior circulação de pessoas na rua.
Para as vítimas dos roubos, fica a sensação de medo com a ação agressiva dos criminosos. A professora Luiza Bricalli, andava de bicicleta em Jardim da Penha, Vitória, quando percebeu o comportamento estranho de um homem na rua. "Vi um homem me encarando de forma diferente. Pensei: 'ele vai me assaltar'. Tentei virar, mas aí vi ele colocando a mão na cintura e tirando uma arma", conta.
"Ele veio com tudo para cima de mim, me chutou, derrubou e caí no chão. Quase bati a cabeça no meio-fio, poderia ter morrido. Fiquei muito assustada por causa da arma e ele levou a bicicleta", detalhou Luiza.
A professora relatou que o vídeo que mostra a ação criminosa foi obtido com muito custo com a síndica de um edifício nas proximidades. Confira nas imagens como ocorreu a ação criminosa.
Investigações
O delegado Fabiano Rosa explica que a Polícia Civil monitora as vendas e revendas de bicicletas na internet. É o ponto de partida para a descoberta dos crimes.
“O criminoso acaba vendendo para qualquer um, por um preço irrisório. Uma bicicleta que vale R$ 2 mil, ele vende por R$ 200,00”, conta.
A partir daí, segundo o delegado, surge, em algumas ocasiões, o revendedor. “Aí aparece a pessoa que quer levar vantagem no preço, adquire do ladrão e vende por um preço mais próximo da realidade”, evidencia o delegado.