A Polícia Militar deu início nesta segunda-feira (03) a uma grande operação na região que envolve Andorinhas, São Benedito e Bairro da Penha, bairros em conflito por disputa de tráfico na Capital. A região foi cenário de reiterados ataques, com tiroteios, homens circulando armados e ameaças a moradores, nos últimos dias. De acordo com o comandante da PM, o coronel Douglas Caus, a entrada policial na área não contará com diálogo, mas com enfrentamento e uso da força.
Guerra do tráfico em Andorinhas - PM faz cerco e diz que não terá diálogo
Na manhã desta segunda-feira (3), cinco dias após a polícia prender Rhaony Hansen Cordeiro Soares, apontado como chefe do tráfico em Andorinhas, mais um tiroteio foi registrado no bairro. De acordo com a assessoria da Polícia Militar, indivíduos armados abriram fogo dentro de um parque municipal.
Diante da continuidade das ameaças, a PM então realizou o cerco da região, inclusive com uso de cães e dois helicópteros. "A região é alvo da disputa entre facções e elas ostentam armas em via pública e fazem ameaças. A PM então está fazendo essa ação nesses bairros, com helicópteros. Além disso, a Cimesp fez um desembarque no alto do Bairro da Penha e há força tática nas vias públicas de Itararé a São Benedito. Em Andorinhas, o Cioc tem cães com apoio de viaturas do 1º Batalhão", descreveu Caus.
"Os bairros estão cercados, temos intuito de prender indivíduos com mandados em aberto e posse de armas e drogas. Principalmente queremos a presença da PM para coibir os indivíduos que estão circulando e ameaçando a população. Essa é a primeira de dezenas de outras ações nesses bairros onde os traficantes têm esse enfrentamento e ameaça"
De acordo com o comandante, este tipo de operação será uma constante e deverá ir além da ostensividade policial, com o uso efetivo do sistema de inteligência, que está buscando identificar os indivíduos, grandes e médios traficantes em disputa territorial, para efetuar a prisão de cada um deles.
A REPERCUSSÃO DA PRISÃO DE RHAONY
Com a prisão do traficante Rhaony, efetivada na última quarta-feira (28), a expectativa era de devolver a paz para a população local. "No ano passado fizemos duas prisões qualificadas no mesmo sentido, do 'Panda' e do filho de um grande traficante do Bairro da Penha. A inteligência havia levantado os locais onde dormiam e guardavam drogas. A do Rhaony se deu no mesmo sentido. A prisão em tese diminui o enfrentamento entre as quadrilhas e enfraquece o comando", afirmou.
ATUAÇÃO POLICIAL NA REGIÃO DE ANDORINHAS
Apenas no mês de abril, o comandante da PM contou que foram aprendidos em Andorinhas seis armas, 163 pinos de cocaína, 185 pedras de crack, 130 buchas de maconha e foram presas 17 pessoas.
A polícia, segundo a autoridade militar, tem feito operações de demonstração de força e prisão de lideranças combinadas. "Só na quinta-feira (29) fizemos a apreensão de quase 400kg de maconha, em ação que começou em Guarapari. Isso demonstra que a inteligência, junto com as forças táticas dos batalhões, têm dado respostas à sociedade", afirmou.
Por fim, Caus ressaltou que a PM está nas localidades em conflito para fazer enfrentamento com progressivo uso da força "Não é para conversar. Não tem conversa com esses indivíduos que ostentam armas e ameaçam a população. Isso é uma afronta ao Estado. Nós vamos revidar com uso progressivo da força, seja ela qual for e temos tropas especializadas para isso. A operação desta segunda (03) começa agora e pode estender caso haja alguma ocorrência de troca de tiro e apreensões. Isso será rotina, estamos fazendo dezenas delas e vamos intensificar", concluiu.
DIAS ANTERIORES
O bairro de Andorinhas, em Vitória, foi marcado pela disputa pelo tráfico de drogas neste mês de abril, com bandidos ostentando armas pesadas e fazendo ameaças pela internet, tiroteios e a população vivendo sob o terror.
No início da tarde de sexta-feira (30), não foi diferente. Uma sequência de tiros foi ouvida na região e assustou moradores. Policiais militares realizavam patrulhamento no local quando ouviram os disparos de arma de fogo. Alunos e praticantes de atletismo que treinavam na pista da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), nesta manhã, tiveram que deitar para não serem atingidos pelos disparos