Uma operação da Polícia Civil prendeu, em flagrante, um homem identificado como Gabriel Mateus das Neves, de 30 anos, suspeito de comercializar ilegalmente armas e munições em um aplicativo de conversas, por meio de fotos. A prisão dele aconteceu no dia 13 de agosto, no bairro Vila Bethânia, em Viana, sob posse de munições de escopeta calibre .12, além de um smartphone.
Segundo a PC, as investigações começaram após uma denúncia, informando que Gabriel realizava a comercialização ilegal, de revólveres e munições, anunciando em grupos de redes sociais. Os metadados mostraram que as fotos encontradas foram capturadas pelo próprio celular do suspeito. O delegado titular da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), Guilherme Eugênio Rodrigues, contou que havia muitas imagens de armas no aparelho de Gabriel. Além disso, ele explicou a diferença entre um comerciante de armas legal e ilegal.
"Quem oferece arma em grupo toma o cuidado de abrir e exibir a arma em todos os ângulos, em pequenos vídeos ou fotos postados nesses grupos. O que mais foi encontrado no celular dele são essas imagens produzidas para esse fim", explicou o delegado.
O delegado ainda disse que Gabriel não trabalhava com o comércio de armas em larga escala, e que essa não era a única atividade profissional do suspeito. "Ele promove a venda e entrega de cestas básicas de porta em porta. Eu pesquisei que, no Brasil, algumas pessoas se dedicam a aquisição de gêneros alimentícios, a montagem de cestas básicas e a venda desses produtos por um preço obviamente maior, para pessoas que não se dispõem ou não conseguem ir até um um supermercado. Essa atividade que certamente favorece, aumenta a capilaridade dos negócios dele", explicou.
Além disso, a polícia descobriu que o suspeito comprava e vendia muitos produtos na internet, até os mais improváveis. "A gente observa que além das armas, ele tem registro de de compra e venda de de quase tudo. Vi ele vender cavalo, carreta de food truck", contou.
O delegado ainda contou que as armas vendidas de forma ilegal, costumam ser bem mais caras que as vendidas de forma legal, podendo ser o dobro do valor original. "A maioria das armas apreendidas pelas polícias, uma vez que empregadas em crime, foi adquirida legalmente, e posteriormente desviada para o crime. São pessoas que são tidas como de bem, que compram essa arma e muitas vezes registram uma ocorrência falsa de roubo e furto, sendo repassadas para criminosos".
Os grupos online de vendas eram para a comercialização de diversos produtos, e não somente armas. Estes são chamados de "bazar", que são contas de uma rede social onde o comércio de produtos ilegais ocorre. "Moto roubada, bicicleta roubada, tudo que eu trabalhei com receptação na vida, todas as vezes que eu trabalhei com é esse tal bazar que viabiliza a venda", pontuou o delegado. Além disso, foi descoberto pela polícia que Gabriel é um "armeiro apaixonado por armas".
Preso em casa
Gabriel foi preso em casa, no bairro Vila Bethânia, em Viana, no dia 13 de agosto. O delegado contou que o suspeito já estava acostumado a ser preso pelo crime de posse ilegal de arma, pois para acessar o celular dele, era necessária uma ordem judicial, que só foi concedida nesta operação. A polícia ainda contou que a família chegou ao local, já com o dinheiro da fiança, possivelmente vindo da venda ilegal das armas.
O homem foi preso de forma preventiva e ainda será denunciado no Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Agora, a Polícia Civil busca encontrar os compradores do material ilegal, que vai ser descoberto após a perícia feita no celular de Gabriel.
A reportagem tenta localizar a defesa e o espaço segue aberto para um posicionamento.