A polícia prendeu o comerciante Reginaldo Menezes da Silva, irmão do administrador de condomínios Ronaldo Antônio da Silva, que é apontado como o autor dos disparos que mataram Odevaldo Ferreira, dono de um bar que levava o seu sobrenome, no bairro Santa Paula II, em Vila Velha. O crime ocorreu na madrugada desta sexta-feira (1º) após Ferreira advertir o cliente por usar o banheiro feminino do estabelecimento.
Conforme informações do delegado Adriano Fernandes, adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, imagens de vídeo mostram que Reginaldo teria instigado o irmão a cometer o crime. Depois dos disparos, teria feito uma espécie de cumprimento pela conduta de Ronaldo e saíram do bar com tranquilidade. Os dois foram presos algumas horas depois, numa chácara no Xuri, no mesmo município.
"Ficou claro no vídeo que ele (Reginaldo) instigou o Ronaldo a praticar aquele ato e, no momento do disparo, em nenhum momento ele quis evitar aquela situação. Pelo contrário, quando o Ronaldo efetuou o primeiro disparo, o Reginaldo apertou a mão dele, apertou o tórax e falou: 'pronto, trabalho feito', descreveu o delegado, em coletiva de imprensa na tarde desta sexta.
Os irmãos ainda vão prestar depoimento sobre o caso, mas Adriano Fernandes disse que, pelas informações apuradas até o momento e as imagens captadas no local do crime, Ronaldo vai ser autuado por homicídio doloso (com a intenção de matar) qualificado e Reginaldo por participação.
O delegado acrescenta que não cabe a tese de legítima defesa neste caso porque quem iniciou as agressões foi o administrador. Antes de atirar em Ferreira, ele e o irmão brigaram com o comerciante quando Ronaldo foi advertido por usar o banheiro feminino indevidamente.
"O autor, ao utilizar o banheiro feminino, infringiu a regra (do estabelecimento). A vítima foi até conversar; conforme verificamos no vídeo, estava conversando amigavelmente com esse indivíduo, que começou a agredi-lo. Quem iniciou a agressão foi o próprio Ronaldo. Teve a confusão, ele agredindo a vítima junto com seu irmão, Reginaldo, e, não satisfeito com isso, saiu, foi até o carro, pegou a arma e voltou para intimidar e efetuar os disparos. Ele já voltou com a intenção porque ele não trocou duas palavras com a vítima e já efetuou os disparos".
Arma ilegal
A arma usada no crime, segundo o delegado, foi adquirida de maneira ilegal por Ronaldo. Depois do homicídio, o administrador disse que a descartou durante a tentativa de fuga.
Adriano Fernandes acrescentou que Ronaldo contou que já possuiu registro de outra arma, sem especificar modelo, porém teria perdido o direito à posse após a arma ser furtada.
Entenda como foi o crime
Conforme relato de testemunhas, Ronaldo não teria gostado de ser chamado a atenção por Ferreira após usar o banheiro feminino do bar. Os dois começaram a discutir e trocaram agressões, iniciadas pelo administrador.
Então, Ronaldo deixou o bar. Enquanto Ferreira e outros frequentadores limpavam a bagunça causada pela briga, o administrador retornou acompanhado do irmão. A ação foi registrada pelas câmeras de segurança do estabelecimento.
Na sequência, Ronaldo tirou a arma da cintura e deu uma coronhada na cabeça do dono do bar, que, em seguida, foi atingido por dois tiros no peito. Ronaldo guardou a arma e foi embora. Ferreira chegou a ser socorrido às pressas, mas morreu a caminho da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Riviera da Barra, no mesmo município.
Ferreira era bastante conhecido no bairro, onde mantinha o bar em funcionamento há pelo menos 20 anos. O comerciante deixa 4 filhos, entre eles duas crianças, de 10 e 7 anos.
Segundo apuração da repórter Priciele Venturini, da TV Gazeta, o velório será realizado no próprio bar do Ferreira, das 18h desta sexta-feira (1º) até as 9h de sábado (2). O enterro será feito em seguida, no Cemitério de Santa Inês.