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Relação abusiva

Jovem morta por namorado na Serra era proibida de ter redes sociais

A polícia conta que ao descobrir que a mulher tinha criado um perfil nas redes, o acusado ficou furioso e iniciou uma discussão.

Publicado em 17 de Julho de 2019 às 23:56

Publicado em 

17 jul 2019 às 23:56
William Douglas Soares Rodrigues, 28, é acusado de matar a namorada, Carla Cristina Crédito: Reprodução
A dona de casa Carla Cristina Rangel Rodrigues, de 25 anos, que foi assassinada com um golpe de canivete no peito durante uma briga com o namorado William Douglas Soares Rodrigues, de 28, na madrugada desta quarta-feira (17), em São Marcos, na Serra, era proibida pelo acusado de ter qualquer rede social na internet. A Polícia Civil conta que ao descobrir que a mulher tinha criado um perfil nas redes, o acusado ficou furioso e iniciou uma discussão.  
De acordo com a delegada Raffaella Almeida, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), o crime foi motivado por ciúmes. Na última terça-feira (16), William descobriu que Carla tinha criado um perfil nas redes e a forçou entregar as senhas. 
"Com as senhas, ele descobriu que ela estava tendo conversas com o ex-namorado. Ele acredita que ela estava o traindo, começou uma discussão e a tirou forçadamente de dentro da casa. A sogra ainda foi atrás, com o filho do casal no colo, e tentou apaziguar a situação. Mas durante o trajeto de tirar a vítima de casa o acusado já tinha pegado premeditadamente um canivete e cravou no peito dela, fazendo o filho e a mãe assistirem a morte", contou a delegada.
CONSELHOS
Rosalina Soares da Silva, mãe de Willian, fala como o filho assassinou a namorada Carla Cristina a facada em São Marcos, Serra Crédito: Bernardo Coutinho
A delegada contou que Carla Cristina sofria uma relação totalmente abusiva. Segundo ela, a sogra da vítima, Rosalina Soares da Silva,  contou em depoimento que tentou convencer Carla a terminar o relacionamento. 
Ele já praticava várias violências contra a mulher, inclusive físicas. O relacionamento deles foi todo permeado por práticas abusivas. Porém, a vítima nunca registrou um boletim de ocorrência ou pediu medida protetiva
Delegada Raffaella Almeida
Raffaella Almeida afirmou que o relacionamento abusivo sofrido pela vítima reflete a cultura de uma sociedade machista. Ela completou que a Polícia Civil tem trabalhado em políticas públicas para que essa cultura seja mudada, como por exemplo, o projeto "homem que é homem", que por meio do Governo do Estado trabalha com os acusados de forma reflexiva.
"Para as mulheres, a orientação que eu dou é: no primeiro ato de um comportamento abusivo, como falar que determinada roupa não deve ser usada, ou no primeiro xingamento e agressão, que ela procure uma delegacia, que se afaste desse relacionamento. Não precisa temer. Pode procurar a polícia, que estaremos prontos para ajudá-la. Em um relacionamento abusivo, a tendência é sempre piorar. A delegacia será sempre a melhor saída", orientou. 
PRISÃO
O capitão Cardoso, chefe da Divisão Operacional do 6º Batalhão da Polícia Militar, contou como foi a prisão de William. De acordo com a polícia, o acusado passou a noite em uma área de mata da Zona Rural do bairro São Marcos e foi visto andando em uma propriedade privada pela manhã.
William Douglas Soares Rodrigues matou a namorada Carla Cristina Rangel Rodrigues com um canivete, em São Marcos II, na Serra Crédito: Polícia Civil
"Uma guarnição da PM atendeu a ocorrência pela madrugada e repassou as informações para uma equipe que entrou pela manhã. Com essas informações, a equipe iniciou patrulhamento em São Marcos. Por volta de 7h30 esses policiais receberam informações de funcionários de uma propriedade rural do bairro de que um homem estava no local, todo arranhado, sujo, e eles suspeitavam que esse rapaz estava cometendo alguns furtos na propriedade. Os policiais foram ao local já desconfiados que o homem localizado poderia ser o William, conversaram com ele, e o acusado confessou o crime", afirmou.
Para o capitão Cardoso, tudo indica que Willian estava esperando amanhecer para sair da região. Os policiais que o encontraram contaram que ele estava aparentemente abalado e afirmou que cometeu o crime por ciúmes. Em depoimento, o acusado confessou ter matado a mulher. Ele foi autuado por homicídio triplamente qualificado por feminicídio, motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e agravado por ter cometido o crime na frente do filho. 

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