A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e decretou a prisão preventiva do policial civil Jorge Malani por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e uso de arma de fogo de uso restrito. O investigador da Polícia Civil capixaba é acusado de atirar no rosto de um motoboy durante uma briga de trânsito em Vitória, no dia 26 de abril, e agora é réu no processo.
Procurada por A Gazeta, a Polícia Civil informou que a Divisão Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, em conjunto com a Corregedoria Geral da corporação, cumpriu o mandado de prisão do investigador na tarde desta terça-feira (26). Jorge foi encaminhado à Unidade Prisional Especial da Polícia Civil (UPEPC).
Ainda segundo a corporação, no âmbito administrativo, tramita um Procedimento Disciplinar na Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que pode resultar em sanções que vão de advertência e suspensão até a demissão do servidor.
"Fechada", briga e tiro no trânsito
A confusão que terminou com o motoboy ferido começou em um semáforo da Avenida Maruípe, em Maruípe. Na ocasião, o chefe da vítima, que preferiu não se identificar, relatou que o entregador teria sido fechado por um motorista que dirigia um Corolla preto.
“Ele pediu desculpas e seguiu o trajeto. Quando chegou em frente à Ufes de Maruípe, o motorista jogou o carro contra ele e falou: ‘Duvida eu te dar um tiro?’”, disse.
Ainda segundo o relato, o entregador afirmou que estava apenas trabalhando, mas o suspeito teria efetuado o disparo e fugido em seguida. Posteriormente, o motorista foi identificado pela Polícia Civil como o investigador Jorge Malani.
O tiro atingiu a lateral do rosto da vítima. Mesmo ferido, o jovem conseguiu pilotar até a guarda do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, onde pediu socorro.
O motoboy foi levado ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, onde passou por cirurgia. “Ele quebrou quase todos os dentes, teve um buraco na bochecha, atingiu a língua e próxima ao olho”, contou a mãe da vítima na época do caso.
Atualmente, segundo familiares, a vítima está em recuperação, mas ainda pode precisar de novo procedimento cirúrgico e segue impossibilitada de trabalhar.
Nota da defesa
A defesa do investigador da Polícia Civil do Espírito Santo esclarece que os fatos divulgados foram interpretados de forma precipitada e fora de contexto.
O policial, servidor público há mais de 14 anos, sempre exerceu suas funções com dedicação e nunca respondeu a procedimento administrativo disciplinar.
No episódio investigado, houve uma discussão de trânsito seguida de uma perseguição por parte do motociclista, que realizou uma abordagem pela contramão em faixa contínua, situação que levou à reação do policial. O investigador deixou o local sem saber que o motociclista havia sido atingido.
Ao tomar conhecimento do caso pela imprensa, o policial compareceu espontaneamente à Delegacia de Homicídios, identificou-se e prestou esclarecimentos às autoridades.
A defesa confia na apuração dos fatos e acredita que a análise técnica e imparcial esclarecerá o ocorrido.
Por fim, reforça a importância do respeito à presunção de inocência, princípio garantido pela Constituição Federal.
Douglas de Jesus Luz - advogado