O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) conseguiu na Justiça uma denúncia contra Hugo Soares de Souza, Fernanda Cruz da Silva e Rodrigo Bonatti de Moraes, pelos crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
As investigações apontam que Soares de Souza e Rodrigo Bonatti de Moraes foram responsáveis pela idealização da fraude em Goiás, e que as empresas eram utilizadas para emitir e receber documentos fiscais simulados, com o objetivo de assegurar vantagens fiscais indevidas aos verdadeiros envolvidos nas operações.
Ficou constatado ainda que a empresa distribuidora de bebidas sediada em Minas Gerais, pertencente à Vanderlei da Silva e Guilherme Bonilha, faturava mercadorias para as fictícias empresas goianas, para se livrar do recolhimento do imposto por substituição tributária. No entanto, os produtos eram entregues aos verdadeiros adquirentes, sediados em vários Estados do País.
Além do recebimento de documentos fiscais simulados, as empresas goianas pertencentes a Hugo Soares também eram utilizadas para intermediar os pagamentos realizados pelos verdadeiros compradores das mercadorias em favor da empresa mineira, para “lavar” os valores provenientes de sonegação fiscal.
De acordo com o MPES, as provas demonstraram que Hugo Soares de Souza recebia uma comissão para intermediar as vendas realizadas por terceiros, que variava entre 0,5% a 5% do valor de cada operação. Para dissimular a origem ilícita dos valores recebidos, ele utilizou três empresas “de fachada” sediadas no Espírito Santo para receber os recursos, duas delas tendo como sócia Fernanda Cruz da Silva, esposa dele.
A denúncia do órgão também destacou o patrimônio acumulado por Hugo com recursos provenientes da atividade criminosa, com destaque para 19 veículos (incluindo um Audi Q7, um Audi RS5 e um Porsche 911 Carrera) e três imóveis (incluindo uma mansão na Ilha do Boi, em Vitória, com vagas personalizadas para seus carros de luxo).
A reportagem de A Gazeta tentou contato com as defesas dos acusados no dia da publicação. Em 11 de outubro, o advogado que faz a defesa de Vanderlei da Silva enviou nota à imprensa. Veja abaixo:
O espaço segue aberto para manifestações das demais partes acusadas pela Justiça e citadas na reportagem.
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Polícia Civil do Espírito Santo deflagrou, em agosto de 2022, a Operação Stuttgart, com objetivo de desarticular uma estruturada organização criminosa, com atuação interestadual. Segundo a corporação, o grupo atuava de forma estruturada com a finalidade de praticar diversos crimes, entre eles lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
A operação foi realizada na Grande Vitória, no interior do Estado, em Baixo Guandu e em Minas Gerais. Foram cumpridos oito mandados de prisão temporária e 24 mandados de busca e apreensão, além de 42 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias.