Uma nova perícia realizada pela Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), com o uso de luminol, mostrou marcas semelhantes a sangue na parede do quarto de Jarbas Guedes Batista, de 61 anos, encontrado morto no apartamento em que morava, no bairro Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha.
O principal suspeito é o namorado da vítima, João Paulo da Silva Ribeiro, de 35 anos, preso após apresentar versões inconsistentes de como o idoso teria morrido.
A primeira perícia realizada no imóvel já havia apontado para possível alteração da cena do crime: a residência aparentava estar organizada, mas havia manchas de sangue no quarto, inclusive sob o lençol, embora a cama aparentasse estar limpa.
As manchas reveladas pelo luminol – substância química que revela vestígios invisíveis de sangue –, após nova perícia realizada na noite de segunda-feira (4), reforçaram a tese de que houve uma possível tentativa de limpeza para ocultação de vestígios, o que caracteriza fraude processual.
As informações foram divulgadas pela polícia na tarde desta terça-feira (5). No dia anterior, o perito Marcelo Cotta, da Seção de Crimes contra a Pessoa da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), observou que os primeiros indícios surgiram ainda com o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que identificou hematomas no corpo.
“A vítima estava no pé da cama, com uma lesão acima da cabeça. Em uma queda, as lesões geralmente são encontradas na região frontal”, explicou o perito.
Outros elementos reforçaram a suspeita de adulteração da cena. Na cozinha, foram encontradas roupas de cama e materiais com manchas semelhantes a sangue. No banheiro, um balde com água e pano indicava possível tentativa de limpeza.
Além disso, o corpo apresentava sinais de agressão em diferentes partes, como cabeça, pescoço e mãos, e o tempo de morte foi estimado entre 24 e 48 horas. “O cenário indicava mais uma hipótese de homicídio”, reforçou Marcelo.
Namorado apresentou versões inconsistentes
Diante dos indícios, o namorado passou a ser questionado e apresentou versões contraditórias, sem conseguir explicar a quantidade de sangue no imóvel. Levado à delegacia, ele acabou admitindo que os dois tiveram uma briga na noite anterior. Diante das evidências, ele foi encaminhado ao Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) para prestar esclarecimentos.
A delegada Gabriela Enne, responsável pela prisão e pelo gabinete do DEHPP, disse que o suspeito confessou ter agredido a vítima por ciúmes, aproveitando-se do fato de que o companheiro havia consumido álcool e drogas. Ele relatou ainda que colocou o aposentado na cama após as agressões, mesmo percebendo seu estado debilitado.
“Ele fala que houve agressão da parte dele, que a vítima estava drogada, que fazia uso de maconha e também ingeria bebida alcoólica. Então ele se aproveitou, inclusive, dessa fragilidade da vítima para agredi-la em diversos momentos durante a noite”, disse a delegada.
O próprio suspeito relatou que, após perceber que havia agredido Jarbas de forma excessiva, o colocou deitado na cama. Ele disse ainda que, em determinado momento, notou que o aposentado chegou a vomitar devido às agressões.
João Paulo afirmou que perguntou se a vítima precisava de ajuda. Questionado sobre o motivo de não ter acionado atendimento médico, mesmo percebendo a situação do namorado, ele alegou que a própria vítima teria confirmado estar bem.
“O João não demonstrou arrependimento, demonstrou frieza. Ele possui inclusive dois boletins unificados em seu desfavor pelo crime de lesão corporal em face de dois ex-namorados e também já foi preso pelo crime de ameaça na forma da Lei Maria da Penha”, destacou a delegada.
Com base no conjunto de evidências — inconsistências na versão, sinais de violência, possível alteração da cena e a própria confissão — João Paulo foi autuado em flagrante por homicídio qualificado. A investigação segue para apurar se houve fraude processual.