Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como "Waguinho Batman", foi preso nesta terça-feira (14) em Itaguaí, no Estado do Rio de Janeiro. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato do vereador de Presidente Kennedy, Marquinhos da Cooperativa, morto a tiros em 2021.
Segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), Gilbert foi localizado no bairro Engenho. Ele, que usava documentos falsos para se passar por outra pessoa, deve ser encaminhado ao presídio militar do Rio de Janeiro.
Waguinho Batman já era monitorado há dois meses pela corporação, com apoio da Polícia Civil do Espírito Santo, comandada pelo delegado Fabrício Dutra.
As investigações tiveram início em abril deste ano, quando o setor de inteligência identificou que o foragido buscava abrigo junto a integrantes de uma milícia que atua na região de Chaperó, em Itaguaí. A partir dessas informações, os agentes passaram a monitorar sua movimentação.
Waguinho estava com a aparência bem diferente da que constava na imagem do Disque-Denúncia aqui do Estado: com barba e mais forte (veja abaixo). Por isso, foi utilizada uma tecnologia capixaba para comparar uma foto atual dele com a anterior.
"A imagem dele foi encaminhada para o Espírito Santo, e o programa de reconhecimento facial comparou a foto dele tirada no Rio de Janeiro com o banco de dados capixaba, e deu uma margem muito alta de que era o foragido", detalhou o delegado Rômulo Carvalho Neto, coordenador do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) Sul.
Para dificultar a ação policial, Gilbert utilizava diferentes endereços e circulava por diversos municípios do Rio de Janeiro. Ainda segundo a PCERJ, na última sexta-feira (10), as equipes conseguiram localizá-lo em Mangaratiba, mas ele conseguiu fugir ao se misturar às pessoas que participavam de um evento na cidade.
A reportagem tenta localizar a defesa de Waguinho. O espaço segue aberto para manifestação.
Conhecido da polícia desde 2010
Segundo a Polícia Civil, Waguinho começou a atuar no mundo do crime nos anos de 2010, em Marataízes, onde já pretendia montar uma milícia inspirada nos moldes do Rio de Janeiro. "Ele cometeu crimes de tentativa de homicídio e homicídio, e aí culminou em uma investigação e na prisão dele", destacou o delegado.
Expulso da FAB
Depois de cumprir a pena, Waguinho fez um processo seletivo na Força Aérea Brasileira usando documentação fraudulenta. "Ele conseguiu entrar como terceiro sargento temporário, porém foi descoberto que ele utilizou documentos e informações inverídicas, e isso acabou com seu desligamento", afirmou o coordenador do Ciat Sul.
De volta ao Espírito Santo, o acusado tinha muitos contatos políticos. "Por isso ele conseguiu trabalhar na Prefeitura de Marataízes, depois montou empresas para prestar serviço para os municípios da região do Sul", comentou o delegado.
O assassinato do vereador
Em 2020, Waguinho adquiriu mourões de cerca do vereador Marcos Augusto Costalonga, de Presidente Kennedy, e não fez o pagamento desse material. Ele passou a ser cobrado pelo parlamentar, que chegou a dizer, segundo as investigações, que iria buscar na prefeitura que os pagamentos do investigado fossem bloqueados até que ele acertasse o valor da dívida.
"Ele não gostou de ser cobrado e determinou a morte desse vereador. Em 2024, foi expedido mandado de prisão contra ele, e desde essa época ele se mantinha foragido", explicou o delegado.
Outros cinco suspeitos de envolvimento no crime foram presos ainda em 2024, durante a Operação Gatepost, da Polícia Civil e a Polícia Militar. No entanto, três deles foram soltos em 06 maio de 2026 — cerca de 20 dias antes do crime completar cinco anos.
O mandado judicial destaca que ele responde por crimes de elevada gravidade e integra um grupo investigado por homicídios e outros delitos. Segundo as investigações, o apelido “Batman” faz referência a outro miliciano que atuava na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em alusão à ligação do criminoso com grupos paramilitares.