A defesa dos dois motoristas dos carros pretos que aparecem no vídeo acima divulgado pela Polícia Civil no caso da morte da universitária Sara Gimenes Torres, após um acidente na Rodovia Leste-Oeste, em Castelo Branco, Cariacica, afirmam que os condutores não estavam disputando “racha”.
Nas imagens, os veículos aparecem um atrás do outro, seguidos por um carro branco, um Toyota Etios, onde estava Sara. A estudante de Farmácia, de 22 anos, seguia no automóvel dirigido pelo namorado, Ramon Mapelli, junto com uma amiga dela. Eles capotaram e a universitária não resistiu aos ferimentos, após ficar presa às ferragens. Ramon fugiu do local após o acidente e está sendo procurado pela Justiça.
O caso aconteceu na madrugada do último dia 22. Em 24 de abril, a Polícia Civil divulgou imagens de videomonitoramento que mostram três veículos participando, segundo a corporação, de uma corrida ilegal, conhecida como “racha”, na via.
Defesa de motoristas nega
O advogado Fábio Marçal faz a defesa de um dos motoristas dos carros pretos. Em conversa com a reportagem de A Gazeta, ele afirmou que os dois são amigos e estavam voltando para casa, e não tinham qualquer relação com o veículo branco (dirigido por Ramon).
“Eles nem perceberam que o rapaz estava atrás deles. Eles estavam indo para casa com a família. Eles foram em um almoço, depois em um culto e estavam voltando para casa. Eles só tomaram conhecimento do caso pelo vídeo na TV. Não era racha, eles nem tinham percebido”, declarou.
A advogada Eriane Camporez defende o outro motorista e reforçou, também para a reportagem de A Gazeta, que o cliente dela só soube da situação quando o vídeo começou a circular. “Eles ficaram sabendo quando o vídeo foi divulgado, aí eles identificaram pelo horário da gravação e pela data que possivelmente seriam eles. A partir daí eles já se apresentaram. Eles não participaram de nenhum racha.”
Entenda o caso
Sara estava em um carro que capotou na Rodovia Leste-Oeste e caiu em uma valeta central de drenagem. A jovem ficou presa às ferragens e chegou a ser levada ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue), em Vitória, mas não resistiu.
Uma amiga de Sara, que estava no banco de trás do veículo, contou à Polícia Militar que o namorado da vítima dirigia o automóvel, enquanto a vítima encontrava-se ao lado, no assento do carona. A amiga teve ferimentos leves; já o namorado de Sara fugiu do local, segundo a corporação.
A amiga permaneceu na ocorrência e disse não lembrar com exatidão da dinâmica. Apenas se recordava de um veículo BMW passando em alta velocidade próximo a eles e depois viu a amiga ferida. Aos agentes, ela contou ter conhecido o motorista no dia do acidente, por isso não lembrava o nome dele.
Segundo a PM, a mulher que estava no banco de trás exalava odor etílico, mas, ao ser questionada se viu o condutor do automóvel ingerir bebida alcoólica, ela desconversou. Dentro do carro, a equipe encontrou duas garrafas de bebida destilada alcoólica vazias.
Ligou para a família
O tio de Sara, Fernando Gimenes, relatou a revolta da família em relação ao namorado da jovem. O casal estava junto havia dois meses e parentes disseram não entender por que ele deixou a estudante no acidente.
O familiar contou ainda que o companheiro de Sara ligou para o pai da jovem, informando que iria se apresentar na delegacia, além de pedir para ir ao velório. O pedido foi negado.
“Ser humano nenhum no mundo, por qualquer dívida que ele tenha com a sociedade, sairia do local, deixando a pessoa que ele ama assim. Ele (namorado) mandou um áudio depois para o meu cunhado falando que ela era a paixão da vida dele, mas jamais uma pessoa que ama deixaria uma pessoa agonizando encarcerada e iria embora por medo de uma prisão. Isso é covardia”, disse Fernando.
De Muniz Freire
Sara era natural de Muniz Freire, no Caparaó do Espírito Santo, mas morava havia alguns anos em Vila Velha. A jovem dividia o tempo entre o curso do ensino superior e o trabalho como consultora em uma empresa de proteção veicular.
Fernando falou com orgulho sobre como a sobrinha era batalhadora. Mesmo vindo de família humilde, buscava uma vida melhor, já tendo morado em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul capixaba, e no Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de crescimento pessoal.
“Sempre a acompanhamos, seja pelo telefone, mensagem ou Instagram. Víamos a evolução dela e ligávamos para parabenizar os feitos. A família estava muito feliz porque somos humildes, mas ela correu atrás, assim como eu fiz no passado. Ela ia atrás de estudar, conseguir um emprego e tentar ser alguém na vida”, contou o tio.
A Polícia Civil informou que as circunstâncias do fato serão apuradas pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT). O velório e enterro serão na cidade natal de Sara.
Namorado acumula histórico de ameaças e agiotagem
Conforme apuração da repórter Jaciele Simoura, de A Gazeta, Ramon já esteve envolvido em casos de ameaça, incluindo um registro em 2020 e outro mais recente, no qual teria intimidado uma vítima com o uso de arma de fogo.
Também há informações de que ele teria se envolvido recentemente com agiotagem, com cobrança abusiva de valores e intimidação de vítimas. Em um dos episódios, ele teria feito ameaças e exposto a vítima em redes sociais, chegando a prometer violência.
O magistrado destacou ainda que Ramon foi preso em flagrante por receptação, em 2024, após ser encontrado com ele um celular com restrição de furto ou roubo. Além disso, há registros de envolvimento em crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria.