Janaína Moraes, esposa do músico Guilherme Rocha, de 37 anos, morto com um tiro no ombro disparado na área comum de um condomínio em Vitória pelo soldado da Polícia Militar do Espírito Santo Lucas Torrezani, falou neste sábado (6) pela primeira vez após a morte do marido.
Durante um ato por justiça com participação de familiares e amigos do músico, que também era bacharel em Direito, no bairro Jardim Camburi, em Vitória, onde ele morava, Janaína disse em entrevista à TV Gazeta que os últimos dias sem o marido têm sido difíceis para ela e a filha.
"Nós duas presenciamos todo o ocorrido no dia. Está sendo muito difícil, muito doloroso. A cada dia que passa a gente pede a Deus que conforte mais o coração da gente", disse.
O crime aconteceu no dia 17 de abril e foi flagrado por câmeras de segurança. Segundo o boletim da Polícia Militar, o policial estava com bebida alcoólica na mão e apresentava "odor etílico ao falar". Câmeras de vigilância registraram o momento em que, após disparar o tiro, o PM dá mais um gole de cerveja diante da vítima caída no chão.
A esposa de Guilherme também contou como foi o dia que o marido foi assassinado na área comum do condomínio.
"Ele só tinha ido pedir por gentileza um silêncio para a gente poder dormir e, infelizmente, aconteceu essa fatalidade. A gente pede justiça"
Janaína também lembrou os momentos vividos ao lado do marido. "Ele era um rapaz de luz, um menino amigo, parceiro, o pai para minha filha, o padrasto maravilhoso", disse.
"Guilherme era uma pessoa incrível na música, como amigo, como filho, com minha mãe (a sogra dele), com o pai, o irmão. Ele era sempre amor. Nunca fez mal a ninguém. Nossa cachorrinha tá sentida também. Muito. O que está ajudando a gente a fortalecer é pensar nele e falar que ele era isso: felicidade, amigos e família. Só coisas boas. Momentos maravilhosos que ele permitiu a gente viver ao lado dele", disse a esposa do músico assassinado.
Protesto por justiça
Na manhã deste sábado (6) amigos e familiares realizam uma manifestação pacífica contra a violência e pedindo justiça pelo assassinato de Guilherme Rocha, no bairro Jardim Camburi, nas proximidades do condomínio em que o crime aconteceu.
Em entrevista ao repórter fotográfico Ricardo Medeiros, o pai de Guilherme, o médico legista Glicio da Cruz do Soares, lembrou da alegria que o filho tinha em viver e também transmitia para as pessoas.
"Falar sobre Guilherme é falar sobre alegria e falar sobre vida, caridade e falar de amor. Guilherme era uma pessoa muito alegre que só queria viver e queria que os outros também vivessem. Nossa meta hoje é pedir paz, amor, paciência, tolerância"
Com informações do g1ES e da TV Gazeta