Novas imagens, divulgadas pela defesa do major da Polícia Militar Marcos Vinicius Mattos Gandini, mostram momentos antes da briga em que ele se envolveu com um soldado da corporação, no último sábado (3), na saída de uma boate na Praia do Canto, em Vitória.
Novas imagens mostram momentos antes de confusão entre PMs em Vitória
O vídeo (confira acima) mostra o major saindo da boate pela frente, de camisa azul. O soldado vem atrás, de blusa amarela, acompanhado de um amigo. Não dá para saber o que aconteceu antes deles saírem do estabelecimento.
Na gravação, o soldado aparece empurrando o major. Em seguida, ele saca a arma e dá tapas em Marcos Vinicius. Na sequência, segundo a defesa, o major se identifica. Neste momento, o soldado e o amigo começam a se afastar. Logo depois, começa a briga no chão — imagens que repercutiram nesta semana.
Ao site A Gazeta, o advogado Fabio Marçal, que faz a defesa do major, afirmou que as imagens mostram que o major foi agredido antes da confusão e que foram registradas informações falsas no boletim de ocorrência. Ele ainda declarou que "o major tem fé pública e afirmou desde o início que foi vítima, mas acabou autuado. É preciso apurar a conduta dos servidores envolvidos".
A reportagem de A Gazeta conseguiu contato com o advogado Roger Dutra Fiorotti, que assessora o soldado, e ele informou que iria ajustar o posicionamento sobre o caso junto a outra advogada da equipe para dar um retorno. Quando houver resposta, este texto será atualizado.
A ordem cronológica do caso
A confusão começou dentro da boate. Segundo o boletim da Polícia Militar, na versão do major, ele estava no local com a esposa, mas foi embora logo após ela ser assediada pelo soldado. Conforme relatou, o casal se deslocou até a Avenida Saturnino de Brito para pegar um táxi e, neste momento, dois indivíduos apareceram, incluindo o militar, e apontaram uma arma. No documento, não é explicado por qual motivo teriam rendido marido e mulher.
Na tentativa de desarmá-lo, o major entrou em luta corporal com o soldado. De acordo com o boletim, o militar do baixo escalão foi posteriormente desarmado pela mulher, que caiu no chão e sofreu lesões nos braços e nas pernas.
O major também alegou, no atendimento da ocorrência, que uma pessoa aplicou um golpe gravata que quase o deixou desacordado, causando-lhe lesão na orelha e mãos. Com os dois militares, foram apreendidas armas, carregadores e munições.
Versão do soldado
O repórter André Falcão, da TV Gazeta, esteve na Delegacia Regional de Vitória na manhã do último sábado e conversou com policiais e testemunhas. O soldado, que precisou ser atendido no hospital por conta dos ferimentos, deu outra versão da história. De acordo com ele, o major teria sido expulso da boate devido a uma discussão com a esposa. Já do lado de fora, tentou separar a briga, quando começou a ser agredido pelo oficial.
Testemunhas contaram que, após a confusão, o major foi para a delegacia, onde chegou transtornado. Ele também teria ido antes ao hospital, para fazer novas ameaças ao soldado. Por volta das 10h deste sábado, a mulher do major ainda tentou ir embora da delegacia, sem autorização.
Major foi autuado e solto após audiência
A Polícia Civil destacou que o major de 45 anos foi autuado em flagrante por lesão corporal, ameaça, desobediência e desacato a funcionário público e foi encaminhado ao presídio Militar, no Quartel do Comando Geral (QCG) da Polícia Militar, onde ficou à disposição da Justiça.
Marcos Vinicius Mattos Gandini passou por audiência de custódia na manhã de domingo (4) e recebeu a liberdade provisória sem fiança. Conforme consta na audiência de custódia, o Ministério Público e a defesa do major se manifestaram favoráveis à liberdade do policial.
O juiz que concedeu a liberdade destacou que os elementos da ocorrência e os colhidos pelo magistrado, através do contato pessoal durante a audiência de custódia, indicam que a liberdade do policial não oferecia risco à ordem econômica e pública, visto que é réu primário e possui residência fixa, ocupação lícita, e não houve representação por parte da autoridade policial e requerimento do Ministério Público pela decretação da prisão preventiva do major.
Secretário pediu desculpas: "Lamentável"
Dois dias após uma confusão entre policiais militares que terminou em uma briga com socos e ameaças na Praia do Canto, em Vitória, o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Coronel Alexandre Ramalho, pediu desculpa aos capixabas e afirmou que o major e o soldado, ambos da Polícia Militar, devem ser afastados das funções durante a investigação do caso. Em entrevista ao vivo ao Bom Dia ES, da TV Gazeta, ele classificou a cena como "lamentável".
"Quando a gente vê uma imagem como essa, é pedir desculpas à sociedade capixaba pelo ocorrido. É lamentável ver esse tipo de cena protagonizada entre operadores de segurança pública, que deveriam dar um exemplo totalmente diferente. Os trâmites continuam para que os envolvidos respondam sobre a situação"
Ainda durante entrevista à TV Gazeta, Ramalho afirmou que o caso deve ser tratado como um crime comum, apesar de os dois seres policiais militares. Segundo o secretário, foram tomadas medidas no âmbito da Polícia Militar para investigação interna e também na Polícia Civil, que autuou o major por lesão corporal, ameaça, desobediência e desacato a funcionário público.
Major foi afastado das funções
O major da Polícia Militar Marcos Vinicius Mattos Gandini foi afastado das funções operacionais. A informação foi confirmada pela Polícia Militar à reportagem de A Gazeta. A assessoria da PM informou que na tarde de segunda-feira (5), foi assinada portaria de instauração de Inquérito Policial Militar (IPM) visando a apuração dos fatos e individualização de condutas dos militares envolvidos na ocorrência.
Esta portaria determina o afastamento cautelar do major envolvido na ocorrência, que passa a cumprir funções administrativas.