O termo "novo cangaço" tem relação com a história do Brasil e costuma ser utilizado em casos de ataque com as seguintes características: cidades pequenas como alvo, explosão de caixas eletrônicos, divisão do grupo em mais de um carro e fuga organizada, ações que resultam no pânico de moradores.
Em entrevista ao repórter Kaique Dias, da TV Gazeta, o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Coronel Márcio Celante Weolffel, afirmou que a madrugada de sexta-feira (30) em Santa Leopoldina se assemelha ao "novo cangaço". O secretário citou outros Estados ao dizer que casos como esse no Espírito Santo são pontuais e não acontecem desde 2018.
Em anos anteriores, porém, os casos não eram pontuais e aconteceram em várias cidades do Espírito Santo. De Norte a Sul, grupos armados invadiam e explodiam agências. Em alguns casos, pessoas foram feitas refém.
Homens armados também explodiram caixas eletrônicos em abril de 2013, em Ponto Belo, no Norte do Estado. Na época a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) confirmou que os criminosos usaram dinamite para explodir os equipamentos. O valor em dinheiro levado pelos bandidos não foi revelado.
Em maio de 2016, durante a madrugada,
uma agência do Bradesco foi alvo de explosão. Quatro suspeitos armados arrombaram a unidade e levaram cerca de R$ 50 mil de um caixa eletrônico. O grupo colocou duas bananas de dinamite para explodir os equipamentos.
No dia 10 de fevereiro de 2017,
cinco homens encapuzados tentaram roubar uma agência bancária em Pancas, no Noroeste. Durante a ação, pessoas foram feitas reféns e houve troca de tiros com a polícia. Os bandidos chegaram em um carro e renderam um grupo de pessoas que estavam em um bar próximo à agência. Para entrar no banco, os ladrões atiraram na porta de vidro. Os bandidos atiraram contra a polícia e fugiram em direção a Colatina. No caminho, atearam fogo no carro usado no crime.
Pela manhã, o bancário foi levado por dois dos criminosos até a agência. Eles queriam abrir o cofre do banco, mas foram surpreendidos pela
Polícia Militar, após acionamento do sistema de segurança do local. Disparos de arma de fogo foram ouvidos e os moradores da cidade ficaram em pânico.
O período até 2018 foi classificado pelo secretário de Segurança Pública. Não significa, no entanto, que não haja mais
assalto a bancos no Espírito Santo. A diferença é a forma como o crime era cometido: em cidades pequenas e com uso de violência.
Antes disso, em 1991, uma outra cidade do Espírito Santo foi alvo de um grupo armado. Em abril daquele ano, o município de Barra de São Francisco assistiu a uma
tentativa de assalto a uma agência do Banco do Brasil. A ação resultou em nove mortes, pelo menos três delas de pessoas que não participavam do crime. O crime foi tema de uma
Capixapédia, editoria de
A Gazeta que trata da história do Espírito Santo.