Briza Moreira entrou em um ônibus, numa manhã chuvosa, um pouco apressada. Ela queria muito chegar a tempo no treinamento de segurança do trabalho, em Jardim Camburi, Vitória. Queria, mas não conseguiu. A estudante, de 40 anos, teve a viagem interrompida ao cruzar com um assediador dentro do coletivo. A vítima foi abusada na frente de várias pessoas e por não sentir-se apoiada, decidiu descer do Transcol e pedir ajuda sozinha.
Histórias como a de Briza não são incomuns. Basta conversar com uma mulher - principal vítima de assédio, segundo a polícia - para entender que esse tipo de crime é muito mais comum do que parece. Em um intervalo de nove dias a reportagem denunciou três casos, com várias vítimas - em ônibus, banheiro de universidade e até dentro de consultório médico.
Além disso, no último dia 24 de setembro, um ano após a aprovação da lei que tornou crime a importunação sexual, a Polícia Civil informou que mais de 100 casos do tipo foram registrados. De setembro a dezembro de 2018 foram 23 casos notificados. Já de janeiro a setembro deste ano foram 78. Porém, esse número pode ser ainda maior, já que muitas vítimas não fazem a denúncia por medo, vergonha e desinformação.
Tantos casos, levantaram a dúvida: O que fazer ao perceber um abuso? Para a Polícia Civil, uma coisa é certa: A vítima não pode se calar. Já as testemunhas, devem se posicionar a favor da pessoa que foi assediada. Mas como fazer isso mesmo traumatizada pelo medo? Como apoiar sem correr riscos? A reportagem conversou com especialistas e separou algumas dicas.
PARA AS VÍTIMAS
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Caso seja vítima de importunação sexual em espaços públicos, faça valer o seu direito e peça apoio, não se cale. Apesar de chegarem inúmeros casos de mulheres que são vítimas desses crimes, a Polícia Civil acredita que ainda existem subnotificações, pois muitas mulheres deixam de denunciar por vergonha e medo.
Relate e informe o que está ocorrendo aos profissionais responsáveis, de algum modo, por resguardar a sua integridade. Seja motoristas e cobradores, em transporte coletivos, ou agentes de segurança, em casos de lugares privados.
Não deixe de acionar a Polícia Militar ou registrar uma ocorrência policial na delegacia mais próxima. Somente assim haverá visibilidade necessária ao assunto.
Caso o abuso seja no ônibus, a vítima pode pedir para o motorista levá-la a uma delegacia ou procurar a polícia, informando o número do veículo, data e hora aproximada da ocorrência para que a polícia busque identificar o agressor por meio das imagens de videomonitoramento dos ônibus ou terminais de integração.
PARA TESTEMUNHAS
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Caso testemunhe alguma cena de importunação sexual, intervenha, se posicione, auxilie a vítima - de forma que não coloque em risco a sua segurança pessoal e a dos envolvidos. Acione a Polícia Militar por meio do 190. Pois somente com o compromisso de toda a sociedade é possível desconstruir velhos padrões machistas.
PARA RODOVIÁRIOS, SEGURANÇAS E ESTABELECIMENTOS
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A Ceturb-ES ressalta que o acolhimento à vítimas de importunação sexual dentro dos coletivos é importante e deve ser o papel não só dos operadores, mas também dos demais passageiros.
Assim que o rodoviário for informado do fato, ele pode reter o importunador dentro do veículo. Importante lembrar que não há regra única para esses casos, uma vez que o agressor pode representar ameaça tanto para a vítima quanto para os demais passageiros. A preservação da integridade física de passageiros e operadores deve ser prioridade.
Motorista, cobrador e demais passageiros também podem ajudar na condição de testemunhas, caso tenham presenciado a agressão. Se for desejo da vítima denunciar, o motorista deve encaminhar o veículo até a autoridade policial mais próxima.
No geral, rodoviários, seguranças e representantes de estabelecimentos onde o abuso ocorreu devem intervir e auxiliar a vítima - de forma que não coloque em risco a segurança pessoal e a dos envolvidos. Além disso, é importante acionar a Polícia Militar.