Policiais civis do Espírito Santo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais foram às ruas, nesta quinta-feira (26), para prender criminosos "invisíveis" ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP) — ou seja, investigados sem antecedentes criminais e que vivem fora de comunidades dominadas por facções. Embora mantenham uma rotina aparentemente comum, eles são apontados como integrantes de um esquema de tráfico interestadual de drogas e armas, especialmente fuzis.
A Operação Fim da Rota ocorre em São Gonçalo, Campos dos Goytacazes e na capital do Rio de Janeiro, além dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. No território capixaba, as ações se concentraram nos municípios de Montanha, Serra, Guarapari, Vitória, Vila Velha e Cariacica, onde houve apreensões de maconha, haxixe e haxixe paquistanês. Até a última atualização desta reportagem, segundo apuração da TV Gazeta, cinco pessoas haviam sido presas.
Entre os capturados no Espírito Santo estão um videomaker de 29 anos, em Cariacica, além de uma publicitária de 27 anos, uma cozinheira de 50 e um mecânico de 27 anos, os três na Serra. Todos foram conduzidos para o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), em Vitória.
Cerca de 12 policiais do Rio de Janeiro vieram ao Espírito Santo para participar da operação. De acordo com a Polícia Civil do Rio, as investigações revelaram uma estrutura hierarquizada, com divisão clara de tarefas e atuação coordenada entre os três estados. As apurações começaram em 2023, depois de um traficante ser preso saindo do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, trazendo armas para Cariacica.
As equipes mapearam movimentações suspeitas, incluindo o uso de criptoativos, empresas de fachada e contas em nome de “laranjas”. O rastreamento permitiu identificar facilitadores financeiros e proprietários formais de bens utilizados para dar aparência de legalidade aos lucros do tráfico — justamente investigados que, até então, não possuíam registros criminais.
As apurações também indicam que o líder do grupo coordena as ações de dentro do Complexo da Maré. Para escapar da fiscalização, o operador central fazia a ligação entre fornecedores no Rio e distribuidores em outros estados, utilizando fachada comercial para transportar fuzis do tipo AR-10 e grandes carregamentos de drogas. Ele também seria responsável por recrutar novos integrantes para a cadeia logística.
Estratégias para driblar a fiscalização
O grupo adotava estratégias para dificultar a ação das forças de segurança, como o uso de comunicação criptografada e veículos adaptados com compartimentos ocultos para esconder drogas e armas. Na parte financeira, o esquema utilizava principalmente transferências via Pix, depósitos em contas de pessoas físicas e jurídicas, empresas de fachada, agiotagem e fracionamento de valores, numa tentativa de mascarar a origem ilícita dos recursos.
A operação conta com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e de policiais civis de Minas Gerais e do Espírito Santo, que cumprem simultaneamente mandados de prisão e de busca e apreensão. A ofensiva busca atingir, de forma estratégica e simultânea, tanto a ponta armada quanto o braço financeiro do TCP.
Operação mira invisíveis do TCP por tráfico de fuzis e drogas no ES, RJ e MG