O policial militar que atirou e matou um adolescente que já estava rendido e algemado em Pedro Canário, Norte capixaba, foi denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo por homicídio qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa). Carlos Eduardo Rebouças, de 17 anos, estava em uma calçada quando foi alvo do disparo. Uma câmera de monitoramento flagrou o crime. Assista:
O nome do PM que atirou contra o adolescente não foi divulgado. O que a reportagem sabe é que cinco militares (dois cabos e três soldados) foram detidos pela participação no assassinato. São eles:
- Leonardo Jordão da Silva
- Samuel Barbosa da Silva Souza
- Thafny Da Silva Fernandes
- Tallisson Santos Teixeira
- Wanderson Gonçalves Coutinho
Os cinco policiais seguem presos no Quartel da Polícia Militar, em Vitória.
O MPES destaca na denúncia que "a autoria e a materialidade do crime foram devidamente comprovadas no Inquérito Policial instaurado pela Polícia Civil, principalmente por meio de vídeos e mídias, bem como dos laudos periciais, laudo de local de homicídio e depoimentos testemunhais e demais elementos presentes nos autos do processo". A instituição pede, portanto, que o denunciado, após o trâmite processual, seja pronunciado e condenado pelo assassinato do adolescente.
PM que matou jovem já rendido em Pedro Canário é denunciado pelo MPES
O que aconteceu?
- No dia 1º de março, policiais militares realizavam diligências para averiguar uma possível posse ilegal de arma de fogo, no bairro São Geraldo.
- Segundo os PMs envolvidos na ocorrência, o adolescente tentou fugir pelo telhado de um imóvel, mas caiu e pulou o muro em direção à rua. Em seguida, já rendido, ele ficou sentado na calçada da Rua Castelo.
- Imagens de câmera de segurança mostram quando o policial militar denunciado efetuou pelo menos um disparo de arma de fogo contra a vítima já rendida. Em um primeiro momento, o adolescente aparece sentado. Depois ele se levanta, com as mãos para trás (algemado) e parece conversar com o policial e vai recuando para um muro. O PM segue com a arma apontada para o jovem e atira à queima-roupa. A vítima cai no chão e o policial se afasta.
- No boletim de ocorrência registrado pelos policiais, a versão contada por eles foi bem diferente da flagrada no vídeo. Na descrição, eles escreveram que "quando o cabo ordenou que se virasse para revista pessoal, o indivíduo colocou a mão na cintura na tentativa de sacar uma arma de fogo, momento em que, para cessar a iminente injusta agressão, efetuou dois disparos com a referida arma em direção ao indivíduo, e que nesse momento visualizou o indivíduo cair no chão com a arma na cintura".
- Os crimes praticados pelo denunciado e pelos outros quatro agentes de segurança que participaram da ocorrência seguem apurados pela Corregedoria da Polícia Militar, sob fiscalização do Ministério Público, por meio da Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar, em Vitória. A reportagem demandou a corporação para saber se há novidades no âmbito da investigação interna, mas não houve retorno até a publicação.