Na denúncia do Ministério Público, Allyson foi quem efetuou o disparo fatal que atingiu a nuca da vítima. Já o parceiro dele na abordagem, o cabo Bruno Costa de Oliveira, de 34 anos, acabou denunciado por fraude processual por elaborar o boletim de ocorrência com a versão de que Gustavo teria morrido em decorrência de um acidente de moto.
O processo segue em segredo de Justiça, mas A Gazeta teve acesso a informações da denúncia. Em síntese, é narrado que os militares faziam patrulhamento no distrito de São José e abordavam um homem suspeito quando Gustavo teria surgido de moto, em alta velocidade, com aparente escapamento modificado. Diante disso, o cabo Allyson deu ordem de parada, mas Gustavo não obedeceu e seguiu. O militar sacou a arma e disparou, atingindo a vítima na nuca em um tiro fatal. Os PMs viram que o rapaz havia morrido e acionaram a perícia.
Ainda segundo a denúncia, o cabo Bruno Costa de Oliveira — com a ajuda de Allyson — elaborou o boletim de ocorrência classificando o caso como acidente fatal de trânsito e não como homicídio. Para o Ministério Público, eles alteraram os fatos de forma intencional, “maculando o relato para induzir o juízo a erro”.
■ O QUE DIZ A POLÍCIA MILITAR | Na época dos fatos, em novembro de 2023, a Polícia Militar informou que as armas dos policiais foram apreendidas e que, "para garantir a integridade do processo e evitar qualquer influência nas investigações, ambos foram transferidos para outra localidade" — sem especificar qual. A reportagem tem procurado a corporação desde quarta-feira (2) para novas informações sobre o encaminhamento dado aos militares e a investigação administrativa interna, mas não houve retorno.
■ O QUE DIZ O OUTRO LADO | A Aspra-ES (Associação das Praças da Polícia e Bombeiro Militares do Espírito Santo) informou que "acompanha de perto o caso desde o início, prestando todo o suporte necessário aos associados envolvidos" e que "apesar da formalização da denúncia, o devido processo legal segue em curso", e está atenta a cada etapa, "assegurando a ampla defesa e o contraditório".