Uma investigação da Polícia Civil vai apurar ameaças de morte contra uma adolescente realizadas por colegas de classe em um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp. O caso aconteceu em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo, e ganhou repercussão nesta quarta-feira (30) após um vídeo gravado pela mãe da aluna viralizar nas redes sociais.
Apesar do vídeo viral, os nomes dos adolescentes e da escola não serão divulgados para proteger a identidade e integridade dos menores, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em entrevista à reportagem de A Gazeta, a mãe da adolescente contou que soube dos ataques após uma colega da filha ter acesso ao conteúdo das conversas e, preocupada com o tom das mensagens, decidiu mostrar à estudante.
Polícia investiga ameaças de morte contra aluna em grupos de WhatsApp
“Ela (a colega) tirou 'print' de algumas partes da conversa porque achou importante ela (a filha) ficar sabendo”, relatou a mãe. A aluna então encaminhou os prints, que incluíam ameaças explícitas e referências a armas como facão e machado, à coordenação da escola", disse.
No entanto, a responsável pontua que a escola justificou a falta de medidas mais efetivas alegando que as conversas ocorreram fora do horário escolar. Ela disse que teme pela segurança da filha e optou por mantê-la afastada do colégio por enquanto, e que já buscou apoio da Polícia Civil, do Judiciário da Infância e Juventude, do Ministério Público e da Secretaria de Educação.
“A minha filha é a vítima. Eu fui à polícia pedir uma medida protetiva, porque não vou esperar que essa ‘brincadeira’ se torne realidade”
Ela também pretende acionar judicialmente os responsáveis pelos adolescentes envolvidos. “Esses alunos precisam de uma medida socioeducativa. Isso não se faz. Você dizer que vai decepar a cabeça de uma colega, que vai matá-la com um facão. A minha vontade imediata é que esses adolescentes sejam afastados da escola e que minha filha possa estudar em paz", finalizou a mãe.
Polícia e Sedu
A Polícia Civil informou, em nota, que o caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Domingos Martins e que as investigações estão em andamento, mas o caso seguirá em sigilo por envolver menores de idade. Já o pedido de medida protetiva de urgência foi encaminhado à Justiça para análise.
A Secretaria de Educação do Estado do Espírito Santo também foi procurada. Em nota, a Sedu respondeu que repudia qualquer tipo de violência e tem contribuído com a investigação das autoridades policiais. Os alunos participantes do caso, assim que identificados, no âmbito da unidade escolar, serão responsabilizados, conforme o Regimento Comum das Escolas Estaduais.
Além disso, ainda de acordo com a Sedu, "a equipe escolar está em diálogo com a família e já solicitou a presença da Patrulha Escolar. Quanto aos estudantes, não só os envolvidos no caso em questão, mas todos que necessitarem, serão acompanhados pela equipe do programa de Ação Psicossocial e Orientação Interativa Escolar (Apoie), composta por uma equipe multidisciplinar. Vale ressaltar que a comunidade escolar sempre se caracterizou por um ambiente pacífico e este é um incidente isolado, sem precedentes na história da unidade de ensino", finalizou a secretaria.