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Legislação permite, diz PC

Preso em sítio, chefe do tráfico de Andorinhas foi liberado em 2020 após pagar fiança

Na ocasião, ele foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, mas solto após pagar fiança. Na época, secretário de Segurança já havia criticado o "prende e solta" de bandidos perigosos

Publicado em 30 de Abril de 2021 às 14:16

Redação de A Gazeta

Publicado em 

30 abr 2021 às 14:16
Polícia
Após ser detido no sítio que comprou na zona rural de Marechal, o suspeito foi transferido e colocado em uma viatura da PC no centro da cidade da região Serrana Crédito: Divulgação/Polícia Civil
O homem preso nesta semana em um sítio no município de Marechal Floriano, apontado como o chefe do tráfico do bairro Andorinhas, em Vitória, já havia sido detido pela polícia há menos de um ano. Em julho de 2020, a Polícia Militar prendeu Rhaony Hansen Cordeiro Soares, já conhecido pelo envolvimento no tráfico de drogas na região. Mas, na ocasião, ele foi liberado após pagar fiança. A soltura, na época, foi alvo de críticas do secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho.
De acordo com informações da Polícia Civil, no dia 14 de julho de 2020, o suspeito preso foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e solto para responder em liberdade após pagamento de fiança. O próprio secretário de segurança, em seu perfil nas redes sociais, havia comemorado a prisão, parabenizado a polícia e apontado o homem como chefe do tráfico na região de Andorinhas. 
“No dia 14 de julho de 2020, o suspeito de 28 anos foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e liberado para responder em liberdade, após o recolhimento da fiança arbitrado pelo delegado de plantão. O artigo 14 da Lei nº 10.826 de 22 de Dezembro de 2003 é cabível de fiança na esfera policial, por não ser um crime com pena superior a 4 anos. A fiança é direito subjetivo do réu”, informou a PC, em nota.

SECRETÁRIO DE SEGURANÇA CRITICOU

Na ocasião, logo após o pagamento da fiança e posterior soltura, o secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, criticou fortemente o que chamou de "prende e solta" de criminosos. 
"A Polícia Militar e a Polícia Civil trabalham muito nessas questões tentando evitar esses ataques, tentando dar a segurança local que essas comunidades merecem, mas infelizmente temos uma legislação que não dialoga com a sociedade nessa questão criminal. Então correr, se esconder em casa, pegar uma pistola, ser preso e encaminhado para a delegacia, e a legislação permitir que ele pague uma fiança e seja liberado, nós vamos de novo ter que correr atrás desse indivíduo, para verificar outras investigações e denúncias. Então a legislação realmente deixa uma brecha que desestimula muito os nossos policiais lá na ponta", criticou Ramalho à época.

MANDADOS EM ABERTO

Sobre a prisão realizada nesta semana, a Polícia Civil explica que a mesma aconteceu em cumprimento de mandados expedidos pela Justiça em Vitória e Vila Velha, por crimes como porte ilegal de armas e munição, tráfico de drogas e associação criminosa. Desta vez, ele foi encaminhado e está no Centro de Triagem de Viana, informação também confirmada pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) à reportagem.
“A prisão desta quarta-feira (28) foi realizada em cumprimento aos mandados de prisão expedido pela 4ª Vara Criminal de Vitória, pelo crime de porte ilegal de armas e munição, tráfico de drogas e associação criminosa e, da Vara de Execuções Penais do Juizado de Vila Velha, por tráfico de drogas. Ele foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana”, completou.

PRISÃO EM SÍTIO COMPRADO COM DINHEIRO VIVO

Rhaony Hansen Cordeiro Soares foi preso pela Polícia Civil, por meio da equipe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), em um sítio na região de Bom Jesus, em Marechal Floriano.
Segundo fontes da área de segurança pública, ele é investigado como participante em ataques a organizações criminosas rivais, além de troca de tiros com a Polícia Militar. Rhaony foi preso em um sítio que ele comprou por mais de R$ 200 mil, pagando em espécie.

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