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Reincidente

Psicanalista suspeito de estuprar paciente já foi investigado há 6 anos pelo mesmo crime

Em 2019, o suspeito abusou de uma adolescente de 16 anos dentro de uma igreja; ele se valia de transtornos mentais das vítimas para cometer crimes em sessões.

Publicado em 30 de Setembro de 2025 às 19:10

Sara Ohnesorge

Publicado em 

30 set 2025 às 19:10
Fachada da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente-DPCA
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente está à frente das investigações Crédito: Divulgação | Polícia Civil
O psicanalista de 63 anos, preso na última quarta (24) após suspeitas de estupro contra uma paciente de 12 anos, já havia praticado crime semelhante em 2019 em Vila Velha, de acordo com a Polícia Civil. O detalhamento do caso foi divulgado nesta terça (30) em coletiva de imprensa. O nome dele não foi informado em conformidade ao Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad).
Na ocasião, o suspeito prestava atendimentos para uma igreja e dava presentes para aliciar as vítimas. De acordo com Thais Cruz, delegada da Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), na época, uma adolescente de 16 anos com diagnóstico de esquizofrenia e que utilizava o serviço comunitário gratuito de uma congregação, foi abusada sexualmente pelo psicanalista.
Durante a sessão, o suspeito cometeu o abuso sexual, classificado como estupro qualificado pela idade da vítima. Ele já possuía um histórico criminal, tendo sido condenado a sete anos e nove meses por roubo, em 2016, e atualmente estava em regime semiaberto.

Se aproveitava da baixa condição financeira das vítimas

O psicanalista utilizava artifícios para garantir a volta das vítimas e o silêncio. No caso de 2019, por ser uma vítima carente, ele prometia presentes em troca do retorno das adolescentes para as sessões. A jovem de 16 anos, contudo, não voltou e contou à mãe, que buscou apoio e fez com que o psicanalista fosse afastado e parasse de realizar sessões na igreja.
Além disso, o suspeito também utilizou da condição física e mental das vítimas para descredibilizar as denúncias, alegando que não havia cometido o ato devido ao “tipo de corpo” e a “odores” das adolescentes.
A delegada Thaís destacou que, no ambiente de vulnerabilidade em que esses crimes ocorrem, a palavra da vítima de violência sexual possui um peso relevante.
"Ele é um homem que não tinha suspeita, casado, pai de família, evangélico e formado em teologia. Ele se aproveitou de uma vulnerabilidade mental das vítimas e achava que teria impunidade. Mas esse fato foi somado à palavra da segunda vítima [de 2025], o que mostra a importância de denunciar a violência de crime sexual, que geralmente é um crime que ocorre sem testemunha".

Estupro qualificado

O caso mais recente chegou à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) em março de 2025, quando um pai denunciou o abuso da filha de 14 anos durante uma sessão. A polícia verificou que já existia um inquérito em investigação contra o psicanalista, incluindo o caso de 2019.
Diante da constatação do mesmo modus operandi, a polícia representou pela prisão preventiva do suspeito. A equipe acredita que existam outras vítimas devido à postura do psicanalista durante a prisão, que indagou qual adolescente o havia denunciado.
*Este texto foi escrito por Sara Ohnesorge, aluna do 28º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta. Este conteúdo foi editado por Murilo Cuzzuol.

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